All Time Low termina turnê (despercebida) pelo Brasil

All Time Low é Rian, Alex, Zack e Jack

           Quando All Time Low assinou com uma gravadora, os garotos ainda estavam em idade escolar. Três álbuns de estúdio, dois EPs, um MTV Unplugged e um álbum ao vivo mais tarde, eles seguem com o mesmo espírito adolescente. Para a banda, tudo é festa e palhaçada. Conhecidos pelo alto astral e brincadeiras (é difícil eles falarem algo sério em uma entrevista), dizem que se influcieram pelo som de Blink 182 e Green Day. O nome da banda veio de uma canção do New Found Glory. Mas, na verdade, as músicas deles estão mais para… a versão americana do McFly.

           Amanhã, eles fazem, em São Paulo, o último show de uma turnê suada (literalmente: eles sofreram com o calor tupiniquim!) por todo o Brasil. A banda, desde o dia 19, já passou por Rio de Janeiro, Florianópolis, Campinas, Belo Horizonte, Guarujá, Porto Alegre e, hoje, Curitiba. Mas você sabia disso? Provavelmente não. Com uma divulgação fraca, o All Time Low amarga uma turnê que já nasceu caída no esquecimento.

           Por exemplo, a primeira vez que o McFly – na época, na mesma situação: com fãs fiéis, mas anônimo do grande público –  veio ao Brasil, em 2008, eles ganharam matérias (assim, no plural) no Fantástico e participações no Domingão do Faustão e Altas Horas, todos da Rede Globo. Graças a uma forte máquina publicitária, a banda ganhou seu espaço na mídia e garantiu shows lotados e fãs histéricas, da noite para o dia, na porta dos hotéis por onde passaram.

           O máximo que o All Time Low ganhou de espaço televisivo – o maior e mais eficaz veículo de massa no país – foram dois minutos e 22 segundos no Notícias de verão (?), da MTV, um canal que (eu adoro, mas) não alcança a maioria dos lares. Ainda por cima, a matéria – assim como as outras que saíram em impressos – não foi exatamente uma propaganda positiva.

           Mais uma falha da comunicação da banda: ela foi associada à brazuca Restart (o que gera mais preconceito do que interesse). “As pessoas falam muito deles para gente. Se eu encontrá-los, vou dar um grande abraço neles”, disse o guitarrista Jack. Parece que o vocalista da banda colorida é fã da All Time Low e isso foi o bastante para a imprensa apontá-la como “mãe das bandas de happy rock daqui” (e desde quando o Restart é rock?). Um equívoco.

           Os americanos certamente não sabiam onde estavam se metendo com essa comparação. Em entrevista ao programa da MTV já citado, disseram: “Como descreveria nosso som? Somos uma banda de happy rock. Happy rock é nova. É assim que nos descrevem aqui. (…) Sempre que me entrevistam, perguntam se somos happy rock. Curti. Happy rock”. Bobinhos.

           Como já disse, os meninos (já são homens, mas tenho mania de chamar de meninos os membros de uma banda) não levam nada a sério. Isso é divertido? É – e muito. Mas foi o suficiente para colocá-los nessa furada: a versão internacional do Restart. Se conseguiram chegar ao país e apresentar oito shows relativamente bem aceitos, poderiam ter aproveitado a vinda para arrebatar novos fãs e garantir um retorno (o McFly voltou no ano seguinte – e com a mesma turnê!).  Mas é assim mesmo: eles ainda estão aprendendo. O som é maneiro. Pop punk.

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