Pitaco: “Biutiful” só não é mais longo do que o tédio que causa

Não só de novidades musicais foram feitos os últimos dias, pelo contrário. Em termos de cinema, também teve muita coisa boa e – como não poderia deixar de ser – muita porcaria também. Assisti as estréias de O Turista, Biutiful Entrando numa fria maior ainda com a família (um nome tão grande que tenho a impressão que não deve caber em um tweet). Deixei Amor e outras drogas para depois, infelizmente. Tô super ansioso para assisti-lo (e o farei). Vi também Amor a distância, que eu perdi a temporada em cartaz, e Muita calma nessa hora, que eu – com razão – não tinha me animado muito com toda a propaganda em cima dele. Preciso ver Tropa 1 e 2! (sim, tenho vergonha de não ter visto…)

Amor à Distância (Going the distance), de Nanette Burstein. Estados Unidos, 2010.

Drew Barrymore e Justin Long vivem um amor a distância como manda o figurino neste filme: horas em frente ao computador, dinheiro gasto com ligações a longa distância e viagens relâmpago. É uma história bastante franca, sem  muita firula, típica do gênero, para deixar a apresentação final fofa e encantadora (embora ela acabe, sim, merecendo esses adjetivos). É uma relação moderna, que sofre não pela quilometragem em si, mas por situações dela derivadas. Eu adorei. Comédia romântica.

Biutiful (Biutiful), de Alejandro González Iñárritu. México/Espanha, 2010.

Li a sinopse e, não vou mentir, não me interessei. Mas era o filme que estava disponível no cinema no meu horário disponível (um sinal?), além da pré-indicação de filme extrangeiro no Oscar. A história gira em torno da desordenada vida de Uxbal (Javier Bardem): agenciador de imigrantes ilegais, pai de um casal de crianças e ex-marido de uma dependente química (Maricel Álvarez) que, como se já não fossem bastantes os problemas terrestres, ainda ajuda espíritos em sua, hum, passagem. Para completar, descobre que tem um câncer avançado e apenas dois meses de vida. Muita informação? É sim. E, mesmo assim, o filme é profundamente tedioso e,  no mínimo, confuso (embora eu acredite que isso tenha sido intencional). Mas Javier Barden, melhor ator do Festival de Cannes 2010, está ótimo e quase salva as mais de duas horas de longa (olhei o relógio algumas vezes). Drama.

Cisne negro (Black Swan), de Darren Aronofsky. Estados Unidos, 2010.

Quando vi este filme, fiquei sem palavras para expressar o quanto eu havia gostado dele. Vou tentar agora. Natalie Portman, esplêndida nesta atuação, vive a bailarina Nina, que consegue um papel – ou melhor dois – de destaque em O Lago dos Cisnes. Ela viverá nos palcos tanto o cisne branco quanto o negro. Mas ela tem um problema: é fofa demais para o segundo personagem e o seu, hum, diretor (Vincent Cassel, que também está dando um show) tenta tirar dela a maldade necessária para o cisne negro. Aí obra e vida pessoal se confundem nessa ânsia por perfeição. É arrepiante.   Thriller psicológico.

Entrando numa fria maior ainda com a família (Little Fockers), de Paul Weitz. Estados Unidos, 2010.

Jack Byrnes (Robert de Niro), Greg Focker (Ben Stiller) e sua turma estão de volta. Neste filme, Jack passa para Greg o comando da família, mas sob seu olhar atento – para não dizer vigilância terrorista. Como não poderia deixar de ser, típico do gênero, muita confusão acontece. Dessa vez, contando com Jessica Alba, que vive uma promotora de um estimulante sexual para cardíacos. É pura Sessão da Tarde. Comédia.

Muita calma nessa hora, de Felipe Joffily. Brasil, 2010.

Tita (Andréia Horta) flagra o noivo com outra mulher e faz a viagem de lua de mel a Búzios acompanhada das amigas (Gianni Albertoni e Fernanda Souza). O roteiro é de Bruno Mazzeo, o que, para mim, já é um problema. Seus textos, uma vez fora do Twitter, não me cativam.  O filme tem muitas cenas de corpos esculturais em trajes mínimos e humor fácil. Chama mais atenção pelos corpos, apesar do elenco ter nomes afiados como Nelson Freitas, Marcelo Adnet, Lúcio Mauro Filho e Débora Lamm. Muito talento desperdiçado com bobeira – e olha que eu sou defensor do cinema nacional. Comédia.

O Turista (The Tourist), de Florian Henckel von Donnersmarck. França/Estados Unidos, 2010.

Os rostos de Angelina Jolie e Johnny Depp dividindo pôster são o significado de charme e sensualidade (quase uma explosão disso). Os dois em vídeo, no entanto, não funcionam bem. Não há química e, pelo contrário, o casal, em vez de se ajudar, se atrapalhou. Uma canastra e um apático… não poderia dar certo mesmo”, escreveu Artur Xexéo. O Turista é Johnny Depp, um homem aleatório escolhido por Elise (Angelina) para despistar a polícia. Eles querem encontrar Alexander Pearce, ex-amor dela, que roubou 700 mil libras de um gângster. Este é o mote inicial, que, para o bem ou para o mal, sofre uma série de alterações ao longo do filme (sem que nós vejamos a cara de Alexander uma vez sequer, nem em forma de flashbck).  O final tenta ser surpreendente – mas não funciona. Suspense.

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