Amy Winehouse no Rio: ela se divertiu e contagiou a platéia

Amy Winehouse @ HSBC Arena / RJ (2011)

O show de Janelle Monáe havia terminado e a ansiedade começou a se fazer notar com estalos de dedos, pés batendo no chão e gritinhos – esses não meus – por qualquer acontecimento no palco. Quando a banda entrou, minha ficha caiu: vou mesmo ver o show da Amy – e de pertinho! Ela abriu com Just Friends e em seguida cantou Back to black. Pulei, gritei e a encarei fixamente. Uma companheira de show que já não lembro mais o nome me gritou: “Eu não to acreditando!!!” Eu também não, colega.

Ali estava Amy Winehouse revirando os olhos – de tédio? de descaso? de impaciência? – rebolando desengonçadamente e ajeitando a peruca que queria sair do lugar.  Um dos meus sonhos mais surreais acontecia diante dos meus olhos. Dei mais uns pulos de alegria. De repente, Amy passou a sorrir e, digo mais, até rir. Piadas internas – algumas que o público sequer escutava – aconteciam a todo momento entre ela e a banda.

Aliás, que banda! Dá para notar que ela confia muito neles – e com razão, porque, além de ótimos, são eles que a guiam todo o tempo. Funcionam para ela como uma bússola. É evidente que os garotos contam para Amy a música que virá a seguir e até a fazem lembrar o início das letras. Mas isso não faz o show perder a sua beleza – ou ritmo.

Amy Winehouse @ HSBC Arena / RJ (2011)

É divertido! O que mais vi foi Amy – gente, eu vi a Amy! – correndo de um lado pro outro do palco pedindo instruções – ou apenas brincando com a galera da banda (o que era ela toda hora agarrando o Zalon, um de seus backing vocals, e falando coisas no seu ouvido?). Moleca em seu significado mais puro (e não, não sou ingênuo para achar que ela estava, hum, pura). Ela riu sozinha, saltitou de um lado pro outro, enfim, se divertiu (tive certeza disso em vários momentos). Mas quando teve que cantar, cantou (que voz! que interpretação!)

Foram quase 1h30 de show e todos os hits de Back to Black estavam lá: Rehab, You know I’m no goog, Me & Mr Jones, Love is a losing game, Tears dry on their own, Wake up alone e Some Unholy war. Mais do que em Rehab, que ela tropeçou na letra, a platéia pirou e fez coro mesmo foi em Valerie (foi o momento de maior energia na arena). De Frank, teve apenas I Heard Love is Blind, que é a minha música favorita e, infelizmente, está com um arranjo novo e ficou quase irreconhecível. Mas não vou reclamar. Agradeço por ter cantado-a. E, para aumentar o setlist, teve também Cherry e uma série de covers – destaque para You’re Wondering Now, do The Specials.

As saídas excessivas dela do palco e a falta de interação com o público, pautas de críticas dos dois shows brasileiros anteriores, não aconteceram neste do dia 11. Pelo contrário. Ela só saiu de cena três vezes bem justificáveis: uma, parte do script, quando ela deixa  Zalon cantar duas de suas músicas solo, What a man going to do e Everybody here wants you; outra quando o show termina (antes do bis) e, ok, uma para buscar bebida (foi num pé e voltou no outro – coisa de 10 segundos – e voltou toda feliz com sua caneca). Quanto a interação:

Lembre-se: Amy é tímida e temperamental – se você vai no show dela, deveria saber disso. É um caso de cantora à parte, de total desconforto com a platéia (aliás, Lulu Santos, já disse em uma entrevista que, no início, também tinha pavor de palco). Mas ela se esforçou. Não começou a apresentação sem antes cumprimentar o público – e não foi embora sem se despedir, como Susana Vieira reclamou na noite anterior. Dialogou bastante para os parâmetros Winehouse. Brincou com a platéia, agradeceu, gritou “Rio!” e falou besteira. Eu mesmo não esperava tanto (viram os tchauzinhos que ela manda no vídeo?).

Todas as vezes em que ela cruzou os braços, levando-os às costas, como se abrassasse a si mesma; quando andou cambaleando;  fez gargarejos em público ou; cara feia (e as caras feias dela dizem “que insuportável!”) para em seguida esquecer e rir um bocado, me senti um pouco mais próximo da artista e do ser humano (ali parece não haver divisão disso). Ela é muito transparente no palco. That’s Amy. Quando acabou, meu pensamento era: disso que reclamaram tanto? Essa gente não sabe ser feliz. Eu não imaginei melhor. Se é sonho, por favor, me deixe seguir dormindo. Cada centavo investido foi recompensado. Confiei nela e não me arrependo. Foi uma noite inesquecível e, provavelmente, irrepetível. – fotos aqui.

Amy Winehouse @ HSBC Arena / RJ (2011)

5 respostas para Amy Winehouse no Rio: ela se divertiu e contagiou a platéia

  1. Veja bem, o segundo show no Rio de Janeiro foi assim, mas o primeiro show foi um fiasco e se ela cantou 30 minutos, foi muito.
    E essa é a opinião de todos os que foram no show do dia 10/01. Paguei caro e fui desrespeitada, essa é a verdade!

  2. Sheila Renk

    Eu estava lá no dia 11 e fiquei M A R A V I L H A D A!
    Inesquecível! As pessoas falam demais!
    Essa foi o melhor comentário que li do show da Amy
    Parabéns

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