Alguém reparou no que Ashton Kutcher, Demi Moore ou Gisele Bundchen usou na SPFW?

Ashton Kutcher em entrada relâmpago - e tão esperada - na São Paulo Fashion Week

            Não entendo nada de moda. Menos ainda o porquê das pessoas se matarem por convites de eventos de, quando muito, dez minutos. Minha relação mais próxima com esse mundo é o Victoria’s Secret Fashion Show, que eu assistia por causa da Gisele Bundchen (ah, a Gisele…). Mas de comunicação eu entendo um pouquinho. E é sobre isso que pretendo falar aqui.

            O desfile da Colcci de ontem, no São Paulo Fashion Week, atraiu, mais uma vez, todas as atenções. Além de ser a retirada de Bundchen da marca depois de dez anos e, portanto, sua última entrada, a grife também trouxe Ashton Kutcher desfilando (ou quase isso), enquanto Demi Moore assistia a tudo na primeira fila. Alessandra Ambrósio, substituta de Gisele, não foi notada (coitada!).

            Dada a informação grossa, vamos aos pormenores. Na verdade, Ashton não desfilou. O que ele fez foi entrar na passarela no fim do desfile, ao lado do estilista Jeziel Moraes, com cara de “é o que tem pra hoje”. A platéia se decepcionou. Não foi esse o combinado. A imprensa também não gostou não. De novo.

            O casal chegou a Bienal do Parque do Ibirapuera, onde ocorre o evento, com três horas do atraso. Até aí, nada demais, coisa de celebridade. O problema é que a imprensa havia sido isolada atrás de uma grade – os profissionais estavam, portanto, apertados – para fotografá-los desde a hora marcada. Quando a dupla hollywoodiana chegou, a galera, enraivecida, vaiou. Climão.

Último desfile de Gisele pela Colcci e, consequentemente, na SPFW (pelo menos por enquanto)

            E, se havia artistas internacionais e jornalistas, não podiam faltar também os fãs (sempre presentes, ainda que estes eventos sejam pra lá de exclusivos). Gritinhos, mais flashes, tentativas de autógrafos. Pronto, o estardalhaço estava feito no desfile da Colcci. A idéia era essa, não? Chamar a atenção?

            Se eu sempre achei que Gisele já ofuscava as roupas da marca, a situação se agravou com Ashton Kutcher e Demi Moore. As notícias são sobre o atraso, as vaias, a entrada rápida na passarela e, no máximo, sobre como a figura dos atores ofuscou a da modelo brasileira. Sobre a nova coleção? Nada. Isto é problemático…

            Colocar artistas famosos nestes desfiles é uma ótima forma de atrair olhares. Depois, para fazer com que essa atenção saia das celebridades e caia sobre o vestuário é difícil. Imagine: Ashton Kutcher aparece na sua frente por exatos 48 segundos (este foi o tempo da entrada dele). Você tira fotos, faz videozinhos, baba um pouco e o ator, que viajou apenas para esses segundinhos de trabalho, vai embora. O que ele vestia? Nem idéia.

            O SPFW e estas grifes em geral sabem exatamente como chamar a atenção do grande público, pouco interessado em moda, para os desfiles, mas a repercussão não é sempre a desejada. Afinal, as marcas que optam por não colocar celebridades em destaque, vão ser comentadas por uma única razão: a coleção. Já as outras…

            Mas eu não entendo mesmo nada de moda.

Demi-cor-de-pele-Moore que entende!

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“O Vencedor” merece vários prêmios Oscar

Este post faz parte da maratona Oscar 2011, que você confere aqui.

O vencedor (tradução esdrúxula e apressada a para The fighter, o filme de David O. Russell) não é uma história de luta, como pode parecer a princípio, mas sobre família. As luvas de boxe e os ringues são o cenário para uma história, ambientada na cidadezinha americana Lowell, onde predomina o drama familiar de Micky Ward, interpretado por Mark Wahlberg. É uma vida caótica . E o filme é feliz na representação deste caos.

O irmão de Micky, Dicky (Christian Bale), é um ex-boxer destruído pelas drogas. Apesar disso, é ele que o treina – ou tenta, quando não está chapado. A mãe (Alice Ward), explicitamente fã do filho fracassado, agencia o mais novo, Micky, na esperança de que ele seja um Dicky 2. Há ainda uma penca de irmãs solteironas, um pai sem voz ativa, uma filha a qual ele não vê com a freqüência desejada e uma ex-mulher pronta para briga a qualquer momento para completar a família frustrada.

Até que aparece Charlene (Amy Fleming) na vida de Micky e eles começam namorar. A atendente de bar que abandonou a faculdade – mais uma figura para toda essa desordem humana – mostra para o rapaz como a família dele o atrapalha, interferindo-se demais na sua vida e tomando, por ele, as decisões erradas. Ela não ganha a simpatia do clã, mas cumpre seu papel.

Enquanto essas descobertas acontecem, a HBO acompanha o dia-a-dia da família, gravando o que seria “o retorno de Dicky Ecklund”. Posteriormente, se descobre que o tema da gravação é, na verdade, drogas. A cena em que o documentário é transmitido na Tv – e cada personagem dessa história assiste-o separadamente – é tocante. Nesta altura, Dicky já está na cadeia, um momento de paz para Micky, que consegue, assim, levar sua carreira e vida pessoal adiante.

Outras cenas ótimas são as de Dicky pulando a janela do apartamento em que se droga, se escondendo da mãe quando ela aparece para buscá-lo, e caindo em cima do lixo. Este é quase mais um personagem do filme. Há latas de lixo derrubadas e sujeira ao longo de toda a história, uma clara referência ao que é a vida desses pobres coitados.

O vencedor é popular, tem conteúdo e é, acima de tudo, verdadeiro – não por ser baseado em uma história real, mas pela forma franca que trata a influência familiar, que pode tanto ser para o bem quanto para o mal, na vida de uma pessoa. É um filmão. Todos os atores, sem exceção, estão impecáveis e merecedores de prêmios. Drama.

Indicações ao Oscar: Melhor filme, diretor (David. O Russel), ator coadjuvante (Christian Bale), atriz coadjuvante (Amy Adams e Melissa Leo), roteiro original e edição.

Mas “O discurso do rei” é tão chato…

Este post faz parte da maratona Oscar 2011, que você confere aqui.

O Discurso do Rei ganhou o prêmio dos produtores, o PGA, e Tom Hooper venceu a premiação dos diretores, a DGA. A atuação de Colin Firth neste filme foi eleita a melhor pelo Globo de Ouro. Estas vitórias são ótimos parâmetros para a cerimônia do Oscar, que ocorre dia 27 de fevereiro, e para a qual o filme tem nada menos do que 12 indicações. Segundo o site Omelete, o vencedor do PGA levou também o Oscar de melhor filme 60% das vezes na última década. A maioria do eleitorado do DGA é votante também no Oscar, o que explica a semelhança de resultados: apenas seis vezes o resultado foi diferente, segundo a VEJA. Mesmo assim, não gostei do filme.

            Tenho direito, certo? Na minha premiação de espectador, o filme não seria sequer indicado. Come on, é uma história sobre a gagueira de um rei! Isso soa interessante para você? Para mim, não. Ga-guei-ra. Duas horas inteiras de filme mostrando a saga do Duque de York (Colin Firth), pai da Elizabeth II, para superar o problema de fala com seu terapeuta (Geoffrey Rush). Preferia ter visto até o milésimo Globo Repórter sobre obesidade e vida saudável.

            Durante a história, o pai do Duque morre; seu irmão vira rei; em seguida, abdica do trono e; George se torna, então, o novo rei da Inglaterra.  Mas tudo isso é pano de fundo para o fio condutor que é a tão importante gagueira (e, sim, estou ironizando). Pode ser mesmo muita sensibilidade optar por este gancho par conduzir um filme, mas eu, pelo visto, não tenho sensibilidade suficiente para assisti-lo sem contar os minutos para que acabasse. É chatinho.

            Geoffrey Rush, indicado a melhor ator coadjuvante do Oscar, está com uma interpretação enigmática, que foi um ponto forte para o seu personagem. Já Helena Bonham Carter, indicada a melhor atriz coadjuvante, vive a mulher de George VI, a rainha, um papel muito fraco e ela não teve a oportunidade de mostrar muita coisa (não entendi por que foi indicada). Colin Firth, o gago… bem, ele não está deslumbrante, como espero para uma premiação de tamanho porte. Daria a este filme a vitória nas categorias técnicas para que não saia da festa sem nada.

 Indicações ao Oscar 2001: Melhor filme, diretor (Tom Hooper), ator (Colin Firth), ator coadjuvante (Geoffrey Rush), atriz coadjuvante (Helena Bonham Carter), roteiro original, direção de arte, fotografia, figurino, trilha sonora, edição de som e edição.

BBB11: baixa audiência e novidades à vista

            O BBB11 estreou com 35 pontos de audiência, segundo o Ibope, reflexo do alvoroço em cima da personagem Ariadna, a primeira transsexual confinada na casa. Nada mal. Quase três semanas depois – ela já eliminada – o programa amarga a pior audiência de todas as edições: média de 26,4 pontos, segundo a Folha de São Paulo. Os novos brotheres – assumidamente jogadores – não são carismáticos.

            Alemão, do BBB7, conquistou o público logo no início. Rafinha e Gisele, os finalistas do BBB8, também. Com Max, o vencedor do BBB9, não foi diferente. Dourado, o ex-re-BBB da última edição, teve relação de amor e ódio tanto com o público quanto com os concorrentes também no início do confinamento. Até agora, no entanto, ninguém do BBB11 conquistou o telespectador. Por isso, o controle remoto tem entrado em ação.

Talula, um dos destaques da edição

            Cristiano, Daniel, Diana, Igor, Janaína, Jaqueline, Lucival, Maria, Natália, Paulinha, Rodrigão e Rodrigo (veja aqui quem são eles) não foram escolhas acertadas do diretor do programa, que parece ter apostado todas as fichas apenas em Ariadna, a primeira eliminada. As edições da Globo tem sido movidas graças a Diogo, Michelly e Talula, que não sabem ainda se tem vocação para mocinhos ou vilões. Talula, mais do que todos, passeia pelas figuras de heroína e mequetefre. “Agora é guerra! Casa contra casa!”, grita por todos os cantos.

            Não se pode dizer que eles não se esforçam para fazer acontecer. Depois de uns puxões de orelha de Pedro Bial e reclamações públicas de Boninho, o elenco escalado passou a “se entregar” mais ao jogo. A esta altura do campeonato, todo mundo já falou mal de todo mundo, já beijou todo mundo (já aconteceram cenas bastante eróticas, na verdade) e, principalmente, combinou votos. Mas nada vingou.

Janaína, da Fazenda 3

            O público segue sem tomar partido, sem julgar e sem comentar o programa na padaria ou mesa do bar, como em edições anteriores. O desinteresse do telespectador tem uma causa: ele não foi conquistado. Pouco lhe importa, por exemplo, se a Michelly, que revelou ter sido molestada quando criança, tem constantes crises de loucura na casa. Ela não supera a Janaína, da Fazenda 3, essa sim capaz de despertar todo e qualquer tipo de sensação nos voyeurs de plantão.

Novidades desesperadas para recuperar audiência

            Por conta disso, uma série de novidades estão pintando para transformar o Big Brother no que ele realmente é: entretenimento puro. A primeira delas foi o paredão quádruplo do qual dois participantes serão eliminados esta noite (provavelmente Michelly e Rodrigo, de acordo com a enquete UOL). A sensação é que a eliminação poderia ser a lote maior. E não duvido que essa fosse a vontade de Boninho. Ainda hoje, um novo líder é escolhido e um novo paredão – este, convencional – é formado para terça-feira.

            Mas o melhor será a entrada de dois novos participantes na casa, ainda hoje: Adriana, estudante de 19 anos que já foi Miss, e Wesley, médico de 24 anos, amigo do Léo do Hipertensão (este, um insuportável). A última vez que pessoas entraram no meio do programa foi na nona edição, com Maíra e Cowboy. Aposto minhas fichas nestes novos ares, porque Maíra e Cowboy causaram:

 

            Fora isso, a ‘casa de vidro’ – outro sucesso do BBB9 – também voltará ao programa. O diretor já confirmou, mas não deu mais detalhes. Segundo o jornal EXTRA, a casa de vidro seria montada novamente no Via Parque Shopping, no Rio de Janeiro, e os participantes eliminados – Ariadna e Maurício – teriam chances de voltar ao BBB, se essa for a vontade do público. Amigos e familiares dos dois dizem, aliás, que eles já estão confinados no hotel. Esta é obviamente uma segunda chance dada à transexual – como já dito, a aposta da edição – para que ela, hum, brilhe. O retorno à casa de alguém que já saiu, deu entrevistas, conversou com o público e, cá entre nós, recebeu conselhos (ou ordens) do diretor, apesar de injusto, tem tudo para dar pano pra manga (adoro! adoramos!). Parece que essa semana o BBB, enfim, começa.

Luz na passarela que lá vem ela... de novo.

127 horas: James Franco é alpinista preso no Canyon

Este post faz parte da maratona Oscar 2011, que você confere aqui.

            Um filme sobre os momentos difíceis que o alpinista Aron Ralston passou no Blue John Canyon, nos Estados Unidos. Uma rocha caiu e prendeu a sua mão durante uma escalada, o que resultou em vários dias de sofrimento, sem nenhuma espécie de socorro. História real, baseada no livro lançado por ele posteriormente (Ufa! Então, ele fica vivo no final!). Interessante? Sim, mas com o perigo de beirar o tédio.

            Danny Boyle (diretor de Quem quer ser um milionário?) mostrou mais uma vez do que é capaz e soube conduzir James Franco – indicado ao Oscar de melhor ator – neste quase, hum, monólogo (de quase nenhuma fala, é verdade). Não ficou nada tedioso. James está ótimo na pele do alpinista. É difícil segurar sozinho um filme de pouca ação e diálogo (lembra Enterrado vivo, com Ryan Reynolds), mas ele deu conta do recado. E a cena da amputação – que levou tanta gente ao desmaio – é realmente de embrulhar o estômago (leia-se Leonardo fechou os olhos).

            O destaque deste filme vai, no entanto, para a edição (de Jon Harris), que quebra os paradigmas, assim como os enquadramentos de câmera, que são totalmente diferentes e deram super certo (demorei, por exemplo, a reconhecer o rosto de Amber Tamblyn, filmado com ângulos pouco convencionais). Ponto para Danny pelo experimento.

            Também chamou a minha atenção a música If I Rise (Dido & AR Rahman) – indicada ao Oscar de melhor canção original – que toca apenas durante os créditos finais (e eu deixei eles rolarem para ficar escutando-a, porque de alguma forma ela estava sendo prazerosa). Mas, no geral, achei a trilha sonora desproposital. Drama / Thriler (classificação do diretor).

 Indicações ao Oscar 2001: Melhor filme, ator, roteiro adaptado, trilha sonora, canção original e edição.

All Time Low termina turnê (despercebida) pelo Brasil

All Time Low é Rian, Alex, Zack e Jack

           Quando All Time Low assinou com uma gravadora, os garotos ainda estavam em idade escolar. Três álbuns de estúdio, dois EPs, um MTV Unplugged e um álbum ao vivo mais tarde, eles seguem com o mesmo espírito adolescente. Para a banda, tudo é festa e palhaçada. Conhecidos pelo alto astral e brincadeiras (é difícil eles falarem algo sério em uma entrevista), dizem que se influcieram pelo som de Blink 182 e Green Day. O nome da banda veio de uma canção do New Found Glory. Mas, na verdade, as músicas deles estão mais para… a versão americana do McFly.

           Amanhã, eles fazem, em São Paulo, o último show de uma turnê suada (literalmente: eles sofreram com o calor tupiniquim!) por todo o Brasil. A banda, desde o dia 19, já passou por Rio de Janeiro, Florianópolis, Campinas, Belo Horizonte, Guarujá, Porto Alegre e, hoje, Curitiba. Mas você sabia disso? Provavelmente não. Com uma divulgação fraca, o All Time Low amarga uma turnê que já nasceu caída no esquecimento.

           Por exemplo, a primeira vez que o McFly – na época, na mesma situação: com fãs fiéis, mas anônimo do grande público –  veio ao Brasil, em 2008, eles ganharam matérias (assim, no plural) no Fantástico e participações no Domingão do Faustão e Altas Horas, todos da Rede Globo. Graças a uma forte máquina publicitária, a banda ganhou seu espaço na mídia e garantiu shows lotados e fãs histéricas, da noite para o dia, na porta dos hotéis por onde passaram.

           O máximo que o All Time Low ganhou de espaço televisivo – o maior e mais eficaz veículo de massa no país – foram dois minutos e 22 segundos no Notícias de verão (?), da MTV, um canal que (eu adoro, mas) não alcança a maioria dos lares. Ainda por cima, a matéria – assim como as outras que saíram em impressos – não foi exatamente uma propaganda positiva.

           Mais uma falha da comunicação da banda: ela foi associada à brazuca Restart (o que gera mais preconceito do que interesse). “As pessoas falam muito deles para gente. Se eu encontrá-los, vou dar um grande abraço neles”, disse o guitarrista Jack. Parece que o vocalista da banda colorida é fã da All Time Low e isso foi o bastante para a imprensa apontá-la como “mãe das bandas de happy rock daqui” (e desde quando o Restart é rock?). Um equívoco.

           Os americanos certamente não sabiam onde estavam se metendo com essa comparação. Em entrevista ao programa da MTV já citado, disseram: “Como descreveria nosso som? Somos uma banda de happy rock. Happy rock é nova. É assim que nos descrevem aqui. (…) Sempre que me entrevistam, perguntam se somos happy rock. Curti. Happy rock”. Bobinhos.

           Como já disse, os meninos (já são homens, mas tenho mania de chamar de meninos os membros de uma banda) não levam nada a sério. Isso é divertido? É – e muito. Mas foi o suficiente para colocá-los nessa furada: a versão internacional do Restart. Se conseguiram chegar ao país e apresentar oito shows relativamente bem aceitos, poderiam ter aproveitado a vinda para arrebatar novos fãs e garantir um retorno (o McFly voltou no ano seguinte – e com a mesma turnê!).  Mas é assim mesmo: eles ainda estão aprendendo. O som é maneiro. Pop punk.

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