Tchau, 2010! (e obrigado também)

Postando hoje, porque amanhã viajo e não sei se terei como fazer isso depois:

O calendário gregoriano é apenas uma convenção adotada – ou imposta, confesso minha ignorância no assunto – pela maior parte do mundo. Mas se trata de uma em um milhão de opções de calendários, todos criados humanamente, o que descarta qualquer relação esotérica-subrenatural com toda e qualquer data fabricada. Mas, mesmo assim, Reveillon é uma festa que eu gosto. E a virada do ano em si também.

Esta é, como todos sabem, uma boa época para repensar a própria vida. E eu não fujo disso. Na verdade, eu adoro fazê-lo sem culpa (eu me auto-analiso o ano inteiro e me sinto extremamente egocêntrico por isso). E esse post é para isso. Tenho quase certeza de que eu raciocino melhor escrevendo – o que não significa que você necessariamente tem que ler se te parecer desinteressante. Bem, vamos lá (ou, vou lá, caso você tenha desistido).

 

Posso dizer sem medo que 2010 foi a minha ressurreição. Nada parecido com uma fênix, pelo contrário, foi bem sutil. Mas ótimo. Ganhou o título de melhor ano da minha vida, em uma análise bem grotesca e superficial, mas de coração. E te explico o porquê.

2009 foi um período especialmente sofrível para mim, em quase todas as vertentes existentes. Passei o Reveillon com a minha mãe, na época, a única pessoa em que eu confiava de verdade. Meu único desejo era: nunca mais passar por nada daquilo. Desejo atendido.

Voltei a amar (e não a me apaixonar). E fui correspondido. Quer algo mais maravilhoso do que isso? Estou vivendo o que pode ser a melhor história de amor da minha vida e responsável pela maioria dos meus sorrisos ultimamente. Digo isso com a segurança de quem sabe que, se um dia a relação terminar (e Deus, que não acabe!), eu só terei boas lembranças.

Nesse sentido, sinto-me trilhando o meu destino. “Todo universo pra gente se perder / Não foi suficiente, olha e vê”, já dizia Lulu Santos. Eu, afinal, estava certo em unir minhas características lógicas com a minha extra-sensibilidade. Realizei um sonho – ainda hoje, inexplicável até para mim mesmo – e descobri lugares e pessoas que eu precisava viver.

A viagem para Buenos Aires, Argentina, foi bastante imaginada e planejada, mas aconteceu na hora certa para render bons frutos. Cheguei assustado, vivi dias inesquecíveis e voltei para o Brasil deixando lá uma partezinha de mim. É um lugar que eu viveria facilmente (e prazerosamente).

O Chile deixou saudades e a vontade de voltar mais vezes. Conheci Neruda, suas casas, suas histórias. Descobri, além do que é frio de verdade, como eu posso me bastar. Valle Nevado, Viña del Mar, Santiago… estive em tantos lugares lindos! Quanta beleza! Que povo! Me senti carregado no colo do desembarque até a despedida.

“A divisão da América em nacionalidades vagas e ilusórias é totalmente fictícia. Constituímos uma única raça mestiça do México até o estreito de Magalhães”Diários de Motocicleta

Mas não só de viagens foi feito o ano – o que já teria sido ótimo. Reencontrei na vida velhos amigos, os quais eu me sentia extremamente culpado por ter perdido contato. Voltar a falar com eles – são dois – como se nunca tivéssemos nos afastado foi gratificante. Uma delícia, eu diria. Se nunca perderam seus lugares no meu coração, ganharam mais espaço com essa retomada.

Este foi um ano bom nesse sentido. Não tive amizades intensas, passageiras e desgastantes, como costumo ter, mas acredito que fortaleci as que tenho. Aconteceu uma limpa natural, que bastante me agradou.

Isso, além de outros fatores, ajudou a me conhecer melhor. Exercitei a minha paciência e vi com mais clareza as minhas limitações. Meus valores mudaram, a meu ver, para melhor – o que contribuiu tanto para a limpa citada quanto para o exercício da paciência, também já dito. Me sinto mais leve hoje do que ontem. Mais maduro (embora seja juvenil demais dizer isso).

E, tocando no assunto, tive um feliz reencontro com o passado – ao entrevistar a Sandy. Certamente, esse foi um dos pontos altos do ano. Mostrou para mim mesmo, para ela e para quem mais interesse que, hum, as coisas mudaram. Foi uma realização pessoal e profissional.

A faculdade, a Plus Tv e o meu (des)empenho proporcionaram bons momentos jornalísticos. Cobri eventos interessantes, entrevistei pessoas de conteúdo (vamos esquecer os casos infelizes!) e pude escrever textos consistentes. E tudo com o maior prazer. É uma sorte poder fazer o que gosto.

Claro que tive – e ainda tenho – tensão com a minha carreira. Não me culpe: faz mais de um ano que assinei meu último contracheque. Tenho medo de não conseguir um bom emprego nunca e me tornar um grande fracasso. Essa questão, que eu valorizo muito, foi o mais próximo de sofrimento que eu cheguei em 2010. Não só desejo como tenho esperanças de evolução para o próximo ano.

Minha felicidade é que o desemprego não me impediu de ler bons livros, ir aos shows que eu tanto gosto (melhores: Fito Páez e a dupla Caetano Velos e Maria Gadú) e estar no teatro (Clandestinos e Mente Mentira foram especiais), um ambiente que eu gosto desde criança. Vi 124 filmes (sim, eu anoto todos!), inéditos para mim. Educação, Somewhere, Minhas mães e meu pai, Nueve reinas, Como esquecer… só para citar alguns adoráveis.

  • 124 filmes vistos (excluídos os já vistos anteriormente)
  • 14 livros lidos
  • 8 peças teatrais assistidas
  • 7 shows curtidos

(não me pergunte porque eu anoto essas coisas…)

Minha única reclamação é mesmo com relação à falta de trabalho. Mas é um reclamo envergonhado, quase cochichado. Não acho que eu tenha direito de me queixar de nada, especialmente este ano.  De verdade, foram 365 dias felizes (eu nem tive inferno astral e crise de aniversário!). Estou agradecido a todos que me levaram a poder dizer isso agora, às vésperas da virada. Obrigado!

O que eu quero para o ano que vem? Um pouco mais de 2010. E um emprego!  Felicidades, muitas felicidades, para todos. Não sou do tipo que escreve resoluções, porque acabarei não cumprindo-as. Então, minhas metas e desejos ficam aqui, guardadinhos só para mim. E vamos correr atrás da realização de nossos sonhos! Viver é isso 😀

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