Caê e Gadú: de novo – e tudo novo!

Se tem uma coisa que eu aprendi ao longo da minha vida, é que um show nunca é idêntico a outro. Digo, tratando-se de um mesmo artista, numa mesma turnê e até no mesmo local. Nem que o cantor ou banda em questão sejam extremamente técnicos (e já tive casos assim). As apresentações são sempre diferentes entre si e esse é o grande barato da coisa. O Duo de Cateano Veloso e Maria Gadú, apresentado no último domingo no Citibank Hall, foi mais uma prova disso. Foi totalmente diferente do show que eu vi quinze dias antes, no mesmo local.

E não me refiro à ausência – sentida – de Leãozinho na setlist do show (não teve mesmo, certo?) ou ao acréscimo de Shimbalaiê, dessa vez cantada inteirinha pelo mestre. Esses dois casos, claro, já modificaram bastante a segunda apresentação com relação à primeira, mas foi o público que tornou tudo diferente dessa vez (o que foi a casa inteira berrando – essa é a melhor palavra para descrever o momento – Sozinho?).

Se no primeiro show as pessoas assistiram em tom de contemplação, com uma admiração quase bíblica, extremamente respeitosa, a platéia deste domingo estava super animada. As pessoas cantavam em alto e bom som – diferentemente da outra vez, que ou não cantavam ou o faziam baixinho, com medo de estragar aquele momento. Caetano percebeu a diferença e deixou o público cantar sozinho em alguns momentos. Disse que adora quando as pessoas cantam junto (eu, definitivamente, não entendo mais esse homem…)

Isso me lembrou o show que eu vi do Lulu Santos este ano, no mesmo lugar. Ele disse que cada público tem o show que merece. É óbvia a interferência dos fãs no andamento de uma apresentação, que pode ter mais ou menos gás. Essa relação da platéia com o palco é pura troca de energia.

Mas, ao contrário do que possa se pensar, não preferi o segundo show, que teve essa animação extra. Ambos foram tão agradavelmente diferentes que é difícil eleger um melhor. Se no primeiro eu contemplei, no segundo eu me diverti. É incomparável o prazer de ver grandes artistas no museu com a folia de um Carnaval. A metáfora pode ser esdrúxula, mas foi a melhor forma que encontrei para explicitar o caso. É Caetano, mew. Com Gadú. Não dá para reclamar não…

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2 respostas para Caê e Gadú: de novo – e tudo novo!

  1. […] Um álbum ao vivo deve ser o registro de um show e não um compacto de músicas dispostas ao acaso. Se o show tinha uma essência, perdeu. E tinha. É por isso que eu falo: não percam a oportunidade de ir a um show, mesmo que ele seja gravado para posteridade, pois o que se vê na TV (ou se ouve no Ipod) não é o mesmo que se sente na hora. Na primeira faixa do álbum, Beleza Pura, eu sentia o Citibank Hall vindo abaixo quando Maria Gadú abria a boca, o que foi erroneamente suavizado na edição final. Não tem jeito: cada apresentação/sensação é única. […]

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