“Mente Mentira” é uma peça pertubadora (e ótima)

Ontem assisti a Mente Mentira, texto de Sam Shepard e direção de Paulo de Moraes que está sendo apresentado na Casa de Cultura Laura Alvim. A peça é uma produção do ator Malvino Salvador, que também a protagoniza ao lado da Fernanda Machado. A históra começa com o fim de um casamento – Jake e Beth (os nomes extrangeiros foram mantidos) – após um surra, resultado de uma crise de ciúmes. Jake volta para a casa da mãe, achando que matou Beth. Ela, viva, fica no hospital algum tempo, toda enfaixada, e depois  é levada para a casa dos pais, com um dano cerebral.

Dano este que parece que todos os personagens – muito bem construídos – tem. Cada um a sua maneira. As famílias, responsáveis por cuidar desses filhos arrasados – Jake fica extremamente deprimido – não se mostram exatamente preparadas para isso. Predonima o egocentrismo e a má comunicação – todo mundo fala, ninguém escuta.

Lembranças do passado, explicações do presente e planos para o futuro confundem a platéia quanto ao que é mentira e o que é verdade. Um bom conselho é não tentar entender. Assim, se entende. Quem optar por rotular de loucura demais estará indo pelo caminho mais fácil. Afinal, o diferente é louco.

Nesse sentido, Mente Mentira incomoda. Em alguns momentos, não se sabe se está diante de um suspense, um drama, um thriller ou até mesmo uma comédia – ainda que os atores sequer sorriam, a platéia ri muitas vezes. Para mim, é um thriller psicológico.

A peça é pertubadora. Diálogos que pouco falam, mas dizem muito; comportamentos angustiantes; cenas, à sua maneira, chocantes; barulhos repentinos assustadores. Isso tudo consegue despertar na platéia sensações interessantes quando se trata de teatro. O cenário, com iluminação sombria, é muito prático e usual para o andamento do texto. Ele colabora para criar o clima da história – que eu não sei definir exatamente qual é (tensão é uma palavra simples demais) – e junto com o texto induz o público a imaginar perfeitamente o que não está sendo mostrado. Teatro puro.

Mente Mentira é adorável. São quase duas horas de duração, que eu não senti passar e me surpreenderam quando olhei o relógio no fim da apresentação. Indico demais a todo mundo. A crítica também está falando super bem, o que reforça a minha opinião. “Como todo bom teatro, faz o espectador sair da sala de espetáculos de um jeito um pouco diferente daquele como entrou.” – Artur Xexéo

SERVIÇO
Local: Casa de Cultura Laura Alvim (INFORMAÇÕES)
Preço: R$ 40,00.
Data: Até 16 de janeiro de 2011.
Horário: Sexta, 21h30; sábado, 21h; domingo, 19h.

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