O que li em 2010

Fim de ano chegou e está todo mundo comentando os melhores e piores da música, do cinema, da televisão e de sei-lá-mais-o-quê. Não penso em fazer algo parecido, porque seria apenas mais uma opinião perdida no meio a dos monstros de cada uma dessas áreas. Mas quero contar para vocês os livros que eu li esse ano.

Sem lista de melhores e piores. Apenas comentar cada um deles. Sem tirar nem pôr. Foram ao todo 13 livros – excluídas as leituras acadêmicas compulsórias – e não me lembro de ter lido algo que pudesse ser classificado como ruim. Quero compartilhar. Vamos lá, em ordem alfabética:

  1. 1808, Laurentino Gomes (2006)
    Este livro aborda, de forma muito mais interessante do que aquelas aulas da escola, a fase em que o Brasil foi sede da monarquia portuguesa. Este é um período da história que particularmente me atrai, mas não condiciono a isso ter gostado do livro. O autor tem uma linguagem muito simples: consegue falar de assuntos importantes em tom de conversa. É “rainha louca”, “rei medroso” e outras adjetivações – todas justificadas – que satirizam os nomões da corte. Laurentino lançou recentemente outro livro: 1822, sobre a independência do país.
  2. As melhores entrevistas da revista Rolling Stone, Jann S. Wenner  (2008)
    Aqui estão reunidas entrevistas históricas de uma das revistas culturais mais famosas do mundo (senão a). Vale ressaltar que se trata da versão americana – a magazine – e não da brasileira. As perguntas são todas muito bem boladas e feitas no momento certo, o que resultam em declarações bastante profundas. Quando li este livro, desejei ter esse timing para as entrevistas. Tem John Lennon, Mick Jagger, Bill Clinton, Johnny Cash, Axl Rose, Bono, Truman Capote… só para começar.
  3. Cien sonetos de amor, Pablo Neruda (1959)
    Eu estava para viajar para o Chile e duas das minhas paradas eram casas do Neruda, em Santiago e em Valparaíso. Então, decidi ler alguma obra dele antes disso. Este foi o segundo livro de poesias que eu li – o primeiro foi uma coletânea de Fernando Pessoa. Não tenho muita simpatia pelo gênero. Mas não chegou a ser uma tortura. E serviu para gerar em mim curiosidades, interesses e base para esses passeios. Fiz questão de ler em espanhol, com medo de que se perdesse algo na tradução. A história dele é muito interessante, aliás. Pretendo ler a sua autobiografia algum dia.
  4. Contos escolhidos, Machado de Assis (2001)
    Machado é e sempre será um dos meus escritores favoritos. Ganhei esse livro de presente, mas não sei se minha amiga tinha esse conhecimento ou foi coincidência. Muita gente reclama do vocabulário rebuscado (na verdade, antigo) que ele usava, mas aqui todas as palavras difíceis estão explicadas no rodapé das páginas. Os contos, naturalmente, são ótimos. Leitura ótima para o ônibus: um ou dois contos na ida da faculdade, mais um na volta. E, assim, matei.
  5. Crónica de una muerte anunciada, Gabriel García Márquez  (1981)
    Esta história é muito boa! O livro já começa dizendo que Santiago Nasar, o morto anunciado, vai, pois bem, ser assassinado. Ele é acusado de ter desonrado Ângela Vicário e os irmãos dela querem, hã, honrar seu nome. Todo mundo sabe que ele está jurado de morte, menos Santiago. O livro todo gira em torno disso, como se fosse uma grande reportagem sobre o assunto. Fala-se o tempo todo de Nasar, mas não se conhece muito sobre ele. Não há cenas envolvendo-o, apenas relatos delas. É um livro que você mata tranquilamente em um dia, porque ele é curtinho e gera muita curiosidade.
  6. La suma de los dias, Isabel Allende (2007)
    Aqui, Isabel Allende se abre totalmente para o leitor. Eu me senti invadindo a privacidade dessa autora lendo esta obra (o que não me impediu de adorá-la). É um relato dela a sua filha Paula, morta anos antes, contando não só tudo que aconteceu depois de sua partida, mas principalmente os sentimentos e interpretações sobre cada momento. Muito se é falado, também, sobre a época em que Paula ainda estava viva, contando a ela o ponto de vista de uma mãe sobre os fatos. É triste quando você contextualiza assim, mas em alguns momentos  me esqueci que Isabel escrevia a Paula e me senti dialogando com ela. Pode ser loucura, mas senti assim. Há histórias muito peculiares neste livro e até uma vinda ao Brasil, incluindo uma favela – e um crime – carioca, que fizeram a escritora voltar correndo pra casa.
  7. Madame Bovary, Gustave Flaubert (1857)
    Desde as aulas escolares de literatura, eu tinha curiosidade sobre esse livro, mas o tempo passou e só este ano eu pude ler. Sempre soube que o realismo era a minha literatura. Esta leitura foi uma ótima experiência, ao contrário de outras tentativas minhas com o chamados clássicos. O enredo todo mundo sabe, né? Emma Bovary não se conforma com a vida pacata e sem graça ao lado do seu marido, um médido. Diante disso, busca novas aventuras… e alguns amantes.
  8. Melancia, Marian Keyes (2003)
    Este é o único livro de Marian Keys que li em toda a minha vida e, embora não me incomode de ler outros, não é uma pretensão que eu tenha. Ela escreve de um jeito que me lembra Meg Cabot e outras dessa linha infanto-juvenil, que já não me agrada muito nessa altura da vida. Mas é um livro adulto. Uma mulher é abandonada pelo marido no dia que dá a luz à filha, entra em depressão e volta para a casa dos pais, em outro país. Uma reviravolta na vida dela, obviamente. Sua ressureição é o mote da história.
  9. Memória de minhas putas tristes, Gabriel García Márquez (2004)
    Percebo agora que García Márquez foi o único autor que eu repeti em 2010. Este livro eu li primeiro que o  anteriormente citado (prefiro o outro). Conta a história de um velho que quer se dar de presente de aniversário uma noite com uma menina virgem. No bordel, no entanto, não tem coragem de fazer nada com ela ao vê-la dormindo. Se apaixona.
  10. Não conte a ninguém, Harlan Coben (2001)
    Se trata de um suspense – algo que eu não costumo ler, mas este ano estive aberto a novas experiências. Anos após o assassinato da esposa por um serial killer, David Beck é surpreendido com um e-mail com uma mensagem que apenas ele e a mulher conheciam. A possibilidade dela estar viva acontece simultaneamente ao encontro de dois outros corpos na região, o que faz com o que absolutamente tudo que se sabe sobre a morte dela seja questionado. Como todo suspense que se preze, o final é surpreendente.
  11. No país de Obama, Rodrigo Alvarez (2008)
    O repórter Rodrigo Alvarez narra neste livro os bastidores da série de reportagens que ele fez para a Rede Globo sobre a campanha eleitoral americana que resultou na vitória de Obama. É uma viagem de carro pelos Estados Unidos conversando com pessoas comuns para saber as suas histórias e o que elas esperam do novo presidente. Eu adorei.
  12. O clube do filme, David Gilmour (2007)
    Não confundir com David Gilmour do Pink Floyd. Não tem nada a ver. É um livro autobiográfico no qual um pai conta o seu relacionamento com o filho adolescente, que vive com ele e não com a mãe. O garoto odeia a escola e David autoriza que ele abandone os estudos com uma condição: que assistiram juntos a três filmes por semana. É a forma dele de dar algum tipo de educação ao filho. Foi impossível ler o livro sem fazer paralelamente uma listinha de filmes a assistir…
  13. Rupturas, Esther Noem Feldman (2009)
    Este livro é super divertido. São narrados, pelas próprias pessoas, vários términos de de relacionamentos, sejam eles namoros, casamentos ou até extra-conjugais (daí o título). É resultado de pura pesquisa. A autora classifica-os em categorias (e sub-categorias): os que abandonam e os que são abandonados, diferenciados pelas suas reações. Há casos engraçados e outros para se indignar. É difícil não se identificar com uma ou outra classificação que Esther faz. É muito agradável esse tipo de narrativa.
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