“O garoto de Liverpool” faz o que se propõe, mas não cativa

Johnn Lennon se inspira em Elvis Presley no início da carreira

O septagésimo aniversário de John Lennon rendeu comemorações ao longo de todo o ano. Se ele estivesse vivo, os festejos não seriam tantos. Livros, CDs, Beatles no iTunes, coincidentemente a vinda de Paul McCartney ao Brasil e, agora, filme: O garoto de Liverpool (Nowhere boy), que se propõe a mostrar a adolescência de John. Interpretado no cinema por Aaron Johnson (Kick-Ass), o ex-Beatle ganha um ar de James Dean em Juventude Transviada. Seu temperamento forte é o fio condutor do roteiro.

Aaron, aliás, está ótimo, apesar de todas as críticas pelas diferenças físicas com o músico. Ele interpreta muito bem as cenas dramáticas da história, como quando John descobre a verdade sobre o passado de sua mãe, interpretada por Anne-Marie Duff (A Última Estação). Ele também convence nas cenas de raiva e revolta contracenadas com Kristin Scott-Thomas (Os delírios de consumo de Becky Bloom), que vive a Tia Mimi, que criou de John toda a vida. Para os fãs dos Beatles, há até um soco de John em Paul McCartney (Thomas Sangster, de O brilho de uma paixão).

O filme aborda a adolescência turbulenta de John; sua relação peculiar com a mãe, envolvendo decepções e desejo; o auto-descobrimento dele como músico e; o início dos Beatles, embora esse nome não seja dito sequer uma vez. Inevitavelmente, a música está ali. Mas não se trata de um musical. Ela entra e sai de cena de forma muito natural, dando gás à história e fazendo a platéia balançar o pézinho – ou a cabeça. Não vale a pena dizer que a trilha sonora é ótima.

Com estréia na próxima sexta-feira, o filme não poderia ser nada menos do que interessante, porque a história de John Lennon assim o é. Mas falta algo para ser sucesso. É bem produzido e dirigido, mas não cativa. É possível até para o mais sentimental acompanhar com um estranho distanciamento os momentos mais tristes da história. No entanto, não deixa de ser impedível.

Anúncios

Uma resposta para “O garoto de Liverpool” faz o que se propõe, mas não cativa

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s