Depois de um álbum duplo, mais um acústico

Quando foi o anunciado o projeto, o Lulu Acústico MTV II soou mais como um capricho do cantor – que já assumiu a aversão a entrar em estúdio – do que qualquer outra coisa. Caprichos não costumam ter finais felizes, mas não é o caso. Com uma atitude no mínimo corajosa, Lulu Santos quebra paradigmas e mostra que tudo é possível.

Lançado dez anos antes, o Acústico MTV – o primeiro – é até hoje um dos discos mais vendidos de sua carreira, com 900 mil cópias vendidas em um cenário onde a pirataria começava a mostrar as suas garras. Na época, ele foi o primeiro a fazer um álbum duplo nesse formato, simplesmente porque era a única forma de compilar os seus maiores sucessos. Mas Lulu é um hit maker e, por isso, pôde fazer um segundo volume acústico sem repetir sequer uma música.

“Tudo azul”, “Auto estima” e “Minha vida” são canções famosas que ficaram de fora da primeira vez e ganham espaço – e vida – agora. Mas, dessa vez, mais do que cantar sucessos, Lulu Santos se propõe a revisitar os ‘lado B’de sua obra, ou seja, aquelas canções esquecidas tanto pelo público como pelas rádios.

Mas assim que o CD ou o DVD começa a tocar, a ironia aparece. O Acústico MTV II chega – sem o alarde do anterior – para mostrar ao público que, na verdade, ele conhece todas as músicas de Lulu Santos, com seus quase 30 anos de carreira solo. Não dá para ouvir uma faixa sequer sem cantar junto: o que se convencionou como ‘lado B’ inexiste na sua obra. “Papo Cabeça”, “Dinossauros do Rock”, “Vale de Lágrimas” e “Já é” estão no subconsciente de qualquer um.

Outro ato corajoso também concerne quanto às participações deste show, ausentes no primeiro acústico. Jorge Ailton e Marina de La Riva são nomes pouco comerciais. Para se ter uma idéia, o último acústico produzido pela MTV foi o da dupla Sandy & Junior, em 2007, que contou com Marcelo Camelo, Ivete Sangalo e o próprio Lulu Santos como participações especiais.

Apesar de pouco conhecidos, Lulu acertou nos convidados para dividir o palco. Jorge Ailton – cantando uma música própria, “Um pro outro”, mas que tem a cara do álbum – e Marina de La Riva – que fez uma versão em espanhol para “Adivinha o quê” – trouxeram novo fôlego e somaram musicalmente.

O que acontece com o Acústico MTV II é que, por mais que as expectativas não fossem boas (no mínimo, duvidosas), ao final, a sensação é de missão cumprida. O projeto – iniciado em 2000, com o primeiro volume – agora sim atende toda a carreira de Lulu Santos. O segundo volume não se arrasta, como se poderia pensar. E, se há mesmo a necessidade de apontar algum erro, eu te aponto: o Acústico MTV I poderia ter sido triplo.

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