Silvio Santos mirim

Há uma compradora querendo me deixar louco no Mercado Livre. Compra tudo, mas não responde e-mail algum. Isso me cheira a sobotagem às minhas bugigangas. Quer é tirá-las de circulação. Já te saquei, mocinha! Isso me fez pensar como é que tudo isso começou. E foi muito antes de eu buscar desesperadamente dinheiro para completar o orçamento das viagens de Julho/Agosto.

Foi no exato momento que eu descobri que era pobre. Ainda criança, levei esse baque. E notei que havia uns caras por aí que recebiam dinheiro em troca de produtos. Minha mãe vivia dando notas e moedas aos montes para eles (o que não fazia o menor sentido: somos ou não somos pobres?). Então, passei a comercializar os meus brinquedinhos. Também preferia vender a trocar as minhas figurinhas repetidas.

Sempre tive tino para os negócios. O meu preço era equivalente ao seu desejo de comprar. Quanto mais você quisesse algo sob o meu poder, mais caro seria o seu valor. Bem lógico. Claro que eu tinha problemas quando os pais dos meus amiguinhos apareciam pedindo de volta os dez reais que os filhos pagaram pela figurinha brilhante da Tiazinha. Que que eu podia fazer se aqueles manés não tinham noção de dinheiro?

Eu tinha. Porque quanto menos você tem, mais você valoriza. Fracassei todas as tentativas dos meus coleguinhas de me copiarem. As vezes, aparecia alguém querendo vender alguma bugiganga também. Comigo não. Mostrava pra eles o quanto aquilo não valia nada e, no fim das contas, ganhava no bafo. Era desses. Acho que sou o segundo Silvio Santos (sem a parte non sense de jogar aviõesinhos para a platéia). Sei não. Tô desconfiando.

“O garoto de Liverpool” faz o que se propõe, mas não cativa

Johnn Lennon se inspira em Elvis Presley no início da carreira

O septagésimo aniversário de John Lennon rendeu comemorações ao longo de todo o ano. Se ele estivesse vivo, os festejos não seriam tantos. Livros, CDs, Beatles no iTunes, coincidentemente a vinda de Paul McCartney ao Brasil e, agora, filme: O garoto de Liverpool (Nowhere boy), que se propõe a mostrar a adolescência de John. Interpretado no cinema por Aaron Johnson (Kick-Ass), o ex-Beatle ganha um ar de James Dean em Juventude Transviada. Seu temperamento forte é o fio condutor do roteiro.

Aaron, aliás, está ótimo, apesar de todas as críticas pelas diferenças físicas com o músico. Ele interpreta muito bem as cenas dramáticas da história, como quando John descobre a verdade sobre o passado de sua mãe, interpretada por Anne-Marie Duff (A Última Estação). Ele também convence nas cenas de raiva e revolta contracenadas com Kristin Scott-Thomas (Os delírios de consumo de Becky Bloom), que vive a Tia Mimi, que criou de John toda a vida. Para os fãs dos Beatles, há até um soco de John em Paul McCartney (Thomas Sangster, de O brilho de uma paixão).

O filme aborda a adolescência turbulenta de John; sua relação peculiar com a mãe, envolvendo decepções e desejo; o auto-descobrimento dele como músico e; o início dos Beatles, embora esse nome não seja dito sequer uma vez. Inevitavelmente, a música está ali. Mas não se trata de um musical. Ela entra e sai de cena de forma muito natural, dando gás à história e fazendo a platéia balançar o pézinho – ou a cabeça. Não vale a pena dizer que a trilha sonora é ótima.

Com estréia na próxima sexta-feira, o filme não poderia ser nada menos do que interessante, porque a história de John Lennon assim o é. Mas falta algo para ser sucesso. É bem produzido e dirigido, mas não cativa. É possível até para o mais sentimental acompanhar com um estranho distanciamento os momentos mais tristes da história. No entanto, não deixa de ser impedível.

Trailer do filme “Bruna Surfisitnha”

Depois do teaser, chegou o trailer:

Estou super ansioso para ver esse filme. Aliás, com quem mesmo está meu livro?

OBS: Fica aqui a reclamação. Emprestar um livro não é o mesmo que dar. Se você devolve tudo que lhe é emprestado, porque rouba a biblioteca alheia? Coisa feia. Aliás, Mariana, tô com seus livros. Não penso em roubá-los, como a Kamila faz com os seus óculos e esmaltes. E quero meu DVD de volta. Não esqueci.

“A história de nós 2” causa identificação e riso fácil

Assisti A História de Nós 2 – assim, em algarismo mesmo – ontem, no Teatro Vanucci. A peça conta a história do casal Edu (Marcelo Valle) e Lena (Alexandra Richter) desde o primeiro encontro até a separação, mostrando os bons e os maus momentos de um namoro que vira casamento e culmina em um divórcio. O texto de Licia Manzo, que rendeu uma indicação ao Prêmio Shell de Teatro no ano passado, com direção de Ernesto Piccolo, é uma comédia romântica leve, que provoca o riso fácil.

Edu e Lena são a generalização de toda e qualquer relação, com o estereótipo da mulher que perde a vaidade, o humor e o libido depois que o filho nasce e o do homem que não entende que é pai e, com o amadurecimento tardio, ainda se comporta como adolescente e inveja a vida dos amigos solteiros. Edu reclama que Lena parece a sua mãe. Ela reclama justamente que Edu é mais um filho pra tomar conta.

Com diálogos divertidos, não é difícil se reconhecer em diversos momentos da peça. “Elas são assim mesmo!”, dizem os homens sobre as mulheres – e vice versa. Quem disse que não se pode generalizar nessa vida? Nesse caso, não só pôde, como funcionou muito bem. Sem reflexões profundas, A História de Nós 2 já está em cartaz há um ano e nove meses na Zona Sul carioca.

A História de Nós 2
Teatro Vanucci
Shopping da Gávea
Classificação: 12 anos
De 5ª a sábado: 21h30 / Domingo: 20h
5ª: R$50 / 6ª e Domingo: R$60 / Sábado: R$70
OBS: Durante a campanha “Teatro para todos”, os ingressos saem a R$20. Informe-se.

Paramore traz turnê de “Brand New Eyes” ao Brasil

Paramore anuncia para início de 2011 turnê na América do Sul

E o Paramore vai voltar ao Brasil. Os shows vão acontecer em fevereiro do ano que vem, o que significa tempo o suficiente (eu acho!) para eu me recuperar da bancarrota a qual Amy me levou. Assim como em 2008 (já faz tanto tempo assim?), eles vão se apresentar no Citibank Hall, aqui no Rio de Janeiro. Não penso em perder.

Diferentemente da outra vez, que sofri oscilações emocionais horas antes do show começar. Em 2008, com 19 anos (já tava velhinho hein!), conheci a banda toda muito mais do que eu queria ou esperava. Muito antes deles sonharem com Brand new eyes, o que perigava era uma separação. Nesse contexto, estive com uma Hayley temperamental, um Zac passivo, um Josh interessado, um Jeremy blasé, um Taylor absolutamente ignorável e seguranças muito peculiares. Saí do encontro no Corcovado com outra imagem deles – o que culminou na dúvida de ir ou não ao show.

Hayley Williams no show de 2008 no Rio: usando a fitinha do Senhor do Bonfim que eu dei

Mas, felizmente, eu fui. Perdi as três primeiras músicas, porque eles resolveram entrar no palco 15 minutos antes do da hora marcada,  e entrei no Citibank reclamando. Mas logo já estava contagiado por toda aquela energia louca. Que show! Em pensar que vi uma apresentação bem aquém do que eles apresentaram durante toda a turnê do Riot. E foi tão boa! Meu pensamento era: Hayley, você é uma vaca, mas sabe o que faz. Não tinha como não me render e aplaudi-la. Aplaudi-los.

Agora, em fevereiro, eu vou pra lá sabendo com quem estou me metendo. E admirando pra caramba. Muitomuitomuito. Se antes me amarrava na Hayley gente boa, eu agora gosto muito mais da irônica e escrota que não tenta esconder isso. Agora, além de tudo, eu me identifico. Let´s be freaks. Sem encontros reveladores, fitinhas e desejos secretos dessa vez. Make a wish – tudo que vai, volta. 

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