Stalker

Sem nada para fazer e desconfiada da fidelidade de Gustavinho, Paula resolveu segui-lo. Foi para a porta da casa dele e, quando ele entrou no carro, ela deu sinal para o primeiro táxi que passou. “Segue aquele carro!” – clichê, mas eficaz. Ela estava excitadíssima com a aventura, independente do resultado. Pedia para o taxista manter certa distância de Gustavinho, com medo de ser vista.

Depois de alguns minutos, o carro de Gustavinho diminuiu a velocidade até parar. E aí entrou no Daiane, uma colega do curso de teatro. “Santinha do pau oco! Vagabunda!”. A história estava ficando boa. Agora, era só escolher o momento do flagra: antes ou depois de entrarem no motel? Porque é obvio… é para um que eles estavam indo.

Ligou para a sua amiga, Carla.

– Carla, eu tô seguindo o seu namorado.
– Quê?
– É, eu tô dentro de um táxi seguindo ele. A Daiane tá com ele! Va-ga-bun-da. Que que eu faço?
– Faz como se fosse com você.

Nesse momento, o carro parou no sinal e, ao lado, dentro do táxi, Paula abaixada, espiando. Gustavinho e Daiane se beijaram. Que absurdo! Mandou o taxista buzinar e saiu do carro gritando e aplaudindo o novo casal. “Que bonito hein, Gustavinho! E você, Dona Daiane? Se fazia de pura, inocente, virgem e tá aqui dando uma de amante piranha! Cala a boca, Gustavinho, porque você é um canalha!” – Paula fez como se fosse com ela.

Carla e Gustavinho terminram, como não poderia deixar de ser. Ele ficou com fama de pegador e começou a namorar Daiane, que ficou com má fama no curso de teatro e foi rejeitada pelos outros alunos. Carla virou amante de Gustavinho, “porque ele trepava muito bem”. E Paula… Paula continuou com a fama de louca.

 

– Faz um favor pra mim?
– Faço.
– Liga para uma pessoa.
– Pra quem?
– É tipo um trote.
– Pra quem?
– Pro meu ex. Fala qualquer coisa, pergunta se pode falar com a Cátia.
– Só isso?
– Tenta enrolar. Pergunta quem tá falando, se esse celular não é dela…
– Qual o objetivo?
– É ver como ele vai falar. Se, pelo som, você descobre onde ele tá. Tipo casa, quarto, banheiro, festa, restaurante…
– Gente, que loucura. Banheiro? Já imaginei ele cagando.
– No banheiro, dá eco. É fácil perceber. Eu falo direto no banheiro, quando tô tomando banho, no viva voz.
– Medo.
– Amo passar trotes. Faço isso sempre.
– Toda trabalhada na criminalidade.
– Vou ligar…
(…)
– Não atende. Deve tá no silencioso.
– Ah, que sem graça! Tá dormindo.

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