Politica.gem

Com o tempo, eu aprendi a gostar de política – ou a conviver com ela, como preferir. O que eu não gosto é politicagem.

Po-li-ti-ca-gem sf. Política mesquinha, estreita. (Dicionário Aurélio)

E ela tem sido tão presente no governo brasileiro! Eu vario meu olhar político entre profunda descrença e descaso – São todos iguais. Tudo ladrão! – e a utopia de, se não um mundo, um Brasil melhor – Esse não é o caminho certo. Tem que ser assim, assim e assim.

Sou contra o populismo das bolsas. Bolsa é um nome muito eufemista para esmola. Pura… politicagem. Se dá uns trocados para os miseráveis e, ao mesmo tempo em que os torna eternamente gratos a sua figura, os impossibilita de qualquer possibilidade de ascenção econômica ou social. Política baseada nisso me dá nojo. É fingir ajudar as massas enquanto se defende o interesse pessoal. É enganar quem não tem o menor discernimento político.

Quer ajudar de verdade? Investe em educação – que é o grande mal brasileiro (e todo mundo sabe disso, Deus!) – e  gera-se empregos. Essas bolsas, além de tudo, favorecem o status quo (eu adoro esse termo!) miserável. É um incentivo para as pessoas se acomodarem. Tem que botar o povo pra trabalhar. Quer dinheiro? Vai trabalhar. E aí, é claro, deve-se investir em qualificação e tudo o mais. Não é entregar o povo a própria sorte – não é isso que eu digo.

O problema é anterior. Não adiantam tomadas de atitudes que remediam, no final do processo. Se fosse fácil, já teriam resolvido. O que as bolsas solucionam? Nada. Apenas mantém as pessoas em uma sobre-vida, porém eleitoral, que vai se arrastar pelas próximas gerações. É por isso que eu sou contra o regime atual. E mais quatro anos virão.

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Emily Osment e o choque cultural no ‘Altas Horas’

Não sou o tipo de pessoa que busca uma balada no sábado à noite, então eu quase sempre fico com o Altas Horas. No programa de ontem, 30, uma das atrações foi a cantora Emily Osment, de Hannah Montana (que, por razões óbvias, eu desconhecia). A garota, muito bonitinha (e esse é meu único julgamento quanto a ela, já que não prestei muita atenção no que ela cantou), protagonizou momentos de saia justa, por causa de diferenças culturais.

O primeiro climão aconteceu no quadro da sexóloga Laura Muller, no qual ela tira dúvidas da platéia e dos convidados. Depois de demonstrar bastante desconforto com tudo que estava escutando (os temas variaram entre bolinhas que explodem na vagina e anticoncepcionais), a americana foi aversa a idéia de fazer qualquer tipo de pergunta sexual. Serginho insistiu.

– Faz uma pergunta.
– Não quero falar sobre isso.
– Por quê?
– Porque eu tenho pais!
– Mas aqui é normal falar de sexo. Todo mundo fala.
– Ah, eu não duvido.

Esse “Ah, eu não duvido” soou bastante irônico, para não dizer arrogante. O diálogo teve mais algumas falas, que eu não me lembro, e por fim, ela deixou claro que não adiantava forçar a barra – de sua boca não sairia nada mesmo. Aí ocorreu um corte na edição e o programa continuou. Foi um momento desconfortável até de se assistir. Ultra conversavadora, do tipo que deve aderir aos protetos do Tea Party.

Mas isso era só o começo. Em outro momento, uma menina da platéia perguntou sobre loucuras de fãs, algo do tipo. E ela disse que tinha passado por algo assim naquele dia mesmo. Ao entrar na emissora, havia fãs na porta, os quais ela fez questão de atender. “Mas um queria me dar um beijo. Eu tinha que ser simpática e tentar escapar. Foi esquisito”. O beijo em questão não pareceu ser na boca e sim na bocecha, como um cumprimento. Coisa de brasileiro – mas ninguém explicou.

Quando você chega a um país que não o seu, supõe-se que você sabe o mínimo dos hábitos culturais locais (e se não, deveria sabê-los). Não é questão de perder a sua personalidade por estar mergulhado em outra cultura. É respeitá-la (e não estou dizendo que a amiga da Hannah o fez, apenas a uso como gancho). Não se pode ir ao Vaticano e demonstrar horror ao catolicismo, independente da sua religião. Você não precisa rezar o terço. Muito menos pisar em cima dele. Sou claro?

Um exemplo mais local: esses beijinhos de cumprimento. Aqui no Rio são dois. Em São Paulo é um. Quando estou lá, quantos eu dou? Um, obviamente (isso quando eu não esqueço, pela força do hábito). Não posso sair pelas ruas obrigando as pessoas a mudarem seus hábitos pela minha presença. “Galera, a partir de hoje são dois beijinhos, estão me entendendo?” Manuais culturais estão por toda parte. Vale a pena dar uma olhada antes de pegar o avião.

“Quando eu era pequeno…

“Quando eu era pequeno / Eu achava a vida chata / Como não devia ser / Os garotos da escola / Só a fim de jogar bola / E eu queria ir tocar guitarra na TV / Ai veio à adolescência / E pintou a diferença / Foi difícil de esquecer / A garota mais bonita / Também era a mais rica / Me fazia de escravo do seu bel prazer / Quando eu saí de casa / Minha mãe me disse: / Baby, você vai se arrepender / Pois o mundo lá fora / Num segundo te devora / Dito e feito / Mas eu não dei o braço a torcer / Hoje eu vendo sonhos / Ilusões de romance / Te toco, minha vida / Por um troco qualquer / É o que chamam de destino / E eu não vou lutar com isso / Que seja assim enquanto é”

(Lulu Santos)

Os novos rumos do McFly

Depois daquela experiência assustadoramente vergonhosa de Party Girl, o McFly lançou outro single,  Shine a light – com direito a mais um videoclip. Tudo isso antes mesmo do lançamento do novo CD, Above the noise, que sai dia 15 de Novembro. A nova música tem uma participação do Taio Cruz, um cantor e produtor de pop e R&B. Embora a banda tenha ficado excitada com essa parceria – declararou isso em várias entrevistas – Taio pouco acrescentou para a música ou para a evolução deles como banda:

“Tem um pouco de Lady Gaga e Michael Jackson, Prince é uma grande influência e você, definitivamente, consegue ouvir McFLY lá. A parte pop lá é grande. Estamos todos inspirados para sermos tão grandes quanto Beyonces, Lady Gagas e Princes neste mundo.” – Danny Jones, vocalista.

(http://www.mcflyaddiction.com.br/2010/08/22/mcfly-quer-se-igualar-ao-michael-jackson/)

Com Party Girl e Shine a light dá para se ter uma idéia do rumo que a banda tá tomando ao voltar para a antiga gravadora, a Universal Music. Os músicas do novo álbum, produzido por Dallas Austin (que já trabalhou com Madonna e Lady Gaga), são mais pop e comerciais. Uma pena, já que a experiência anterior, com Radio:Active, foi tão bem sucedida.

Em 2007, a banda britânica deixou a Island Records [distribuída mundialmente pela Universal Music] e criou seu próprio selo para lançar o álbum “Radio: Active”. O retorno à Island Records promete ser bastante longo. Pela gravadora, eles lançaram 3 álbuns e uma coletânea.

(http://dannyjones.com.br/2010/07/20/mcfly-de-volta-a-universal-music)

Letras simples, batidas pop e rostos bonitinhos compõe uma combinação que, ao meu ver, não dá certo.  Quando alguém vê uma foto do McFly no jornal, eles automaticamente não são levados a sério. Mas, ao escutá-los, não era bem assim que acontecia (os meninos são bons! eu juro!). Mas, agora, parece que eles vão atender às expectativas gerais e vender CDs e shows a todo custo. “Nós sempre quisemos ser uma das maiores bandas do mundo e queremos fazer isso certo”, diz Danny. Temos concepções diferentes de ‘fazer isso certo’.

Qual será o segredo do Gerson?

“É nula a probabilidade de Gerson guardar um segredo que horrorize a audiência. (…) Segundo informação divulgada pela “Folha de S. Paulo” há algumas semanas, o que Gerson faz de tão misterioso no computador “não é algo ilegal, é tratável e é algo do cotidiano”. Ele terminará “Passione” como um vencedor. Tudo isso foi garantido pela Globo à Goodyear, que patrocina o personagem.
“Não teria como a Goodyear ajudar em algo ilegal. A única ação nesse caso seria tirarmos o patrocínio, mas isso [aparecer assim na trama] não teria sentido para nós. Sabemos que é tratável e que é uma coisa do cotidiano”, declarou Rui Moreira, diretor de marketing da empresa, ao jornal. “A gente tem um acordo com a Globo de que não pode ser nada negativo para a marca, que não é relacionado a crime e é algo que tem tratamento.”

(http://colunistas.yahoo.net/posts/6026.html)

Não comento o fato de interesses comerciais limitarem a liberdade criativa de qualquer projeto, porque isso deve ser mais comum do que a gente imagina ou tem notícia. Mas por aí já se elimina também a hipótese de Gerson ser o assassino de Saulo (uma trama que agora me parece eficaz para desfocar o público do suspense anterior)- uma atitude criminosa e sem tratamento. E, se Gerson vai sair como um vencedor de Passione, Diana vai sair como uma chiliquenta.

Porque a reação dela ao descobrir o segredo – a única de todos nós até agora – foi de horror. Se é “algo do cotidiano, tratável e legal”, a mocinha não passa de uma mulher cheia de fricotes. Dentro desses critérios, pedofilia e zoofilia estão eliminados, né? Como se chama quem gosta de transar com gente morta? Isso também deve estar eliminado – não tá no padrão Goodyear. Talvez não seja nada sexual – o que tornaria as cenas dele na terapia muito sem propósito. O que ele veria no computador então? Vídeos do Restart? Daí o horror da Diana? Vai saber.

E o jornalismo?

Não me lembro exatamente quando e por que eu escolhi o jornalismo como profissão. Mas, desde o momento que eu tive isso como certo para mim, não tive dúvidas quanto ao jornalismo cultural. E aí eu já sei dizer claramente o porquê. É reflexo da vida que eu quero levar. De que outro jeito eu poderia estar em contato com cinema, teatro, música e literatura – tudo ao mesmo tempo e com muita correria, é verdade – e ganhando para isso?

Essa é a chave na hora de escolher uma profissão: o que eu gostaria de fazer e ficaria surpreso que alguém quisesse me pagar por isso? Bem, assim pensava eu. Agora, tenho as minhas dúvidas. Não façam muito alarde quanto a isso, por favor. Não é como se eu estivesse desistindo do jornalismo – até porque eu não sei o que mais eu sei (e gosto de) fazer. Não mesmo. Apenas tendo um olhar crítico com relação a ele.

Jornalismo cultural, ainda por cima. Qual a utilidade disso para as pessoas? Me parece, agora, uma escolha tão egoísta,  que só serve para alimentar egos – o meu e dos produtores culturais. As vezes penso nisso e o que eu quero é um trabalho que ajude as pessoas, que faça um bem para o mundo. Resenhar a última estréia teatral não se encaixa exatamente nessa tendência.

Não sei também até que ponto o jornalismo ajuda as pessoas. Apontar os erros e os problemas da sociedade seria válido, sim, apenas se os veículos insistissem nos assuntos até que eles fossem resolvidos, diante da impossibilidade deles mesmo os resolverem. Mas não. Eles são abandonados quando perdem o valor-notícia. É quase nojenta essa realidade. Para vocês não?

“Acho meio repugnante quando todas essas celebridades comentam sobre seus hábitos…

“Acho meio repugnante quando todas essas celebridades comentam sobre seus hábitos. Mas se é isso que precisam fazer para se livrarem deles, ok. Mas sempre achei isso entediante. Para algumas pessoas é a terapia verdadeira falar com jornalistas sobre suas vidas privadas e seus pensamentos. Mas eu prefiro me resguadar. É cansativo. Você está ‘no ar’ o tempo inteiro. Por mais que eu tenha adorado conversar com você hoje, eu preferia ter um dia no qual não precisasse ficar pensando em mim mesmo. Com toda essa atenção, você se torna infantil. É horrível ser o centro das atenções. Você não fala sobre mais nada exceto suas experiências, sua vida de dopado. Prefiro fazer algo que me tire do centro das atenções. É muito perigoso. Mas não existe um jeito, de verdade, de evitar isso”

(Mick Jagger à Rolling Stone de Dezembro de 1995)

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