@caesmiseraveis

“Estragaram todos os meus sonhos, seus cães miseráveis!” é a peça que minha mãe e eu fomos ver hoje no Espaço Sesc. A obra mostra como três filhos – interpretados por Alexandre Varella, Pedro Osório e Vitória Frate – reagem ao baque do desaparecimento dos pais no oceano, a bancarrota da família e seus diversos grilos individuais… tudo junto e misturado ao mesmo tempo. Com eles está a personagem de Carol Portes, que não é irmã, mas acompanha tudo de perto.

Em diferentes níveis de desiquílibrio emocional, eles tentam encontrar a melhor forma de lidar com os acontecimentos que os atormentam, enquanto relembram fatos isolados da infância que refletem na vida adulta. O maior estilo Freud explica, contado daquela forma exagerada típica das mães, exemplificando com absurdos levados ao extremo. Texto de Daniela Pereira de Carvalho e direção de Pedro Neschling (acho muito difícil esse nome!).

Adorei a peça e recomendo a todos. Me emocionei em um monólogo da Vitoria Frate. Sou desses sensíveis. Me identifiquei com algumas mensagens do texto também. Quando a personagem dela fala que tem dificuldade de assimilar o tempo presente, eu pensei ‘Hey! Eu tenho isso aí!’. Principalmente em momentos muito bons ou felizes, tenho dificuldade de assimilar tudo que se passa. Nos tristes, eu já assimilo muito bem. Assim como a sua personagem, quando algo ruim acontece, eu tenho vergonha de me sentir melhor depois de um tempo. Se algum dia a minha mãe morre, quando ia ser a hora certa para começar a superar? Não sei. E por último, mas não menos importante, ainda sobre mamãe: o colo dela é para onde quero correr longe – como a personagem de Carol.

Sobre Vitoria. Se eu fosse alguns anos mais novo, ela é o tipo de mulher por quem eu teria uma paixão platônica. Buscaria argumentos lógicos para isso e não encontraria nenhum. Desde Era uma vez ela me encanta. Eu sinto verdade na sua interpretação, é algo raro. É como se não fosse apenas as personagens sentindo aquelas emoções e aquelas histórias, mas como se ela também estivesse sentido-as. Sinto isso nela. Hoje senti de novo. E ela me parece tão inteligente – mas isso talvez seja aquela minha vontade louca de buscar argumentos lógicos.

Adorei o teatro também. É um teatro de arena, como um estádio de futebol reduzido. Além de achar que esse tipo de organização física aproxima a platéia da história, é uma alternativa extremamente interessante. E teatro tem que ser assim. Quanto mais louco, melhor.

Mais detalhes: www.sescrio.org.br 

2 respostas para @caesmiseraveis

  1. Mamãe

    Correr longe do colo da mamãe, filhinho? E ei, tire o olho da mulher dos outros! A mamãe não te ensinou isso aí, não! Beijo da barriguinha e muita cosquinha que nem a Mariana gosta!

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