Oh baby dance dance dance, remexendo assim não pare não pare não parê

Ew! Essa barriga não é minha, ok?

Não tenho lembranças de uma vida na qual eu não me achasse gordo. Dizem os relatos que eu fui o bebê mais pesado da maternidade no dia do meu nascimento. E isso não é motivo de orgulho, minha gente. Um serzinho que já nasce com mais quilos que o normal passará a vida toda encucado. E assim eu passo. Também contribuem para isso os casos de obesidade na família. Tive um tio e uma avó paterna que… pelamor. Eles sim eram realmente pesados. Lembro que minha avó entrava no carro e todo mundo conseguia perceber nitidamente o automóvel abaixando. Era uma cena assustadora para uma criança, garanto.

E ela era cozinheira. Isso me soa mais a vingança do que a ironia do destino. Queria engordar a todos com toda aquela sua comida. Meu maior medo sempre foi ser gordo que nem a vovó. Óbvio que eu nunca levei em consideração o fato de toda a família da minha mãe ser magra: minha avó materna – com quem convivo – vive numa luta oposta com a balança. É algo mais ou menos assim: Viva! Ganhei 15 gramas! Não a entendo. Em vez de ser feliz, simplesmente.

O Ministério da Saúde, por meio da Vigitel, divulgou recentemente que o índice de sobrepeso e obesidade dos brasileiros aumentou significativamente nos últimos quatro anos. Foram entrevistadas aproximadamente 54 mil pessoas adultas em todos os Estados no Brasil, dentre as quais 51% dos homens e 42,6% das mulheres, estavam acima do peso adequado. (Infonet 06/07/2010)

 Minha dieta balanceada

Quando era criança, vivia me pesando. Ganhava peso por estar crescendo e super sofria com isso. Acompanhei o aumento de cada númerozinho na balança. Não queria que ninguém gritasse gordo baleia saco de areia para mim. Tive uma fase de antipatia declarada aos gordos, confesso. Não gostava mesmo. Aquilo de gordinhos simpáticos e risonhos. Não colava comigo. Mas com o tempo superei. Hoje em dia não tenho nada contra. Acho legal que saibam lidar com toda essa pança. Eu não sei lidar com a minha. Mas um dia eu chego lá.

Então, eu cresci e deixei de me pesar. Resolvi parar de pensar nisso – é um grilo que não adianta de nada, sabe? E obviamente que esse estilo de vida despreocupado não deu certo. Me desvinculei dos números da balança, mas me apeguei à figura do espelho. É aperta daqui, aperta de lá, vira daqui, vira aculá. Um nojo. Sérião. Não gosto desse barrigão que tenho. Mas também não consigo comer menos ou fazer exercícios. Tenho alma de gordo. Foi a alma que me foi dada há 20 anos atrás, lá naquela maternidade, com todos aqueles quilos. Não podia ser diferente.

Mas a gente vive no mundo da cirurgia plástica, não é mesmo? É só levantar uma graninha que entro na faca. Faço uma lipoaspiração bem bacana, porque apesar da alma de gordo, sequer sou simpático. E gordinho antipático é uó.

Uma pesquisa do Ministério da Saúde revelou que no município do Rio de Janeiro está a maior concentração de pessoas obesas do Brasil. A capital com maior número de obesos ocupava em 2006 a 12ª posição neste ranking, com 12,5% de sua população com o problema, em 2009 passou a encabeçar a lista, com índice de 17,7%, de acordo com os dados do ministério. (Corpo Saun 28/06/2010)

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