Paixão pelo teatro infantil

Conforme eu prometi, segue abaixo a reportagem que eu fiz com a Luana Piovani que eu havia contado aqui para vocês. A minha professora já corrigiu – levei nota máxima êêêêê – então agora eu mostro como que ficou. Me digam o que acharam, valeu?

Paixão pelo teatro infantil
Luana Piovani e outros artistas dedicam sua carreira às crianças

Trabalhar para crianças era um desejo antigo de Luana

Todo sábado, ela chega ao Espaço Tom Jobim três horas antes da peça começar. É o tempo necessário para sua caracterização. O musical inicia às 17h e, uma hora mais tarde, a atriz já está atendendo as crianças na saída do teatro: “Sempre me comuniquei bem com elas”. Ao final de abraços, fotos e autógrafos dados, ela retira o figurino e a maquiagem. É a hora de jantar. Em casa, ainda tem que decorar o texto da minissérie que está gravando. Dorme por volta de meia noite. No dia seguinte, começa tudo de novo.

É assim a vida de Luana Piovani, de 34 anos, desde que começou se dedicar ao teatro infantil paralelamente à carreira televisiva. Desde os 21 anos, quando fez sua primeira apresentação teatral, ela sonhava em trabalhar para crianças. O soldadinho e a bailarina, em cartaz no Rio de Janeiro, é a sua terceira produção do gênero. Já fez também Alice no País das Maravilhas e O Pequeno Príncipe. Ela, nascida em uma cidade onde não havia cinema nem teatro – Jaboticabal, interior de São Paulo – agora se diz uma atriz e produtora realizada.

Luana é um exemplo de sucesso de artistas que decidiram dedicar sua carreira às crianças. No momento, existem pelo menos seis peças em cartaz para esse público no Rio de Janeiro, considerando os grandes teatros da cidade. Luana acha baixo esse número: “O público infantil está carente de cultura e nem sabe. Tenho medo que as crianças consumam apenas computadores e jogos com explosões e raio-laser e se tornem adultos superficiais e descartáveis”, explica, emblemática. Para ela, o ideal é um meio termo entre isso e o mundo lúdico que o teatro possibilita.

Willy Martin, que interpreta o vilão do musical internacional Isa Tkm – Ven a Bailar, concorda. O espetáculo é inspirado na novela venezuelana de mesmo nome e rodou o Brasil nos meses de Abril e Maio. Na capital carioca, reuniu sete mil pessoas entre pais e filhos no HSBC Arena. É um sucesso. O ator de 25 anos, dos quais os últimos 13 dedicados à arte, se surpreendeu com a receptividade fora de seu país: “O público infantil ou te ama ou te odeia. No nosso caso, nos recebeu de portas abertas”.

Willy Martin está no elenco de Isa TKM, fenômeno venezuelano

É verdade. Isa TKM agradou os fãs brasileiros com seu figurino, cenário e iluminação extremamente coloridos. Os personagens caricatos e as músicas infantis, acredita Willy, também são responsáveis pela aceitação que a produção teve aqui. Aliás, o CD com as canções do show já vendeu 50 mil cópias no Brasil, o que rendeu um disco de ouro. Luana ressalta a importância da música na hora de trabalhar para as crianças: “Mais que uma ferramenta para se comunicar com elas, é uma arte rica para apresentá-las”, diz a atriz, que tomou aulas de canto para sua atual peça.

Outro musical de sucesso entre a criançada é As Aventuras do Oco do Toco, que esteve em cartaz na cidade no início do ano. A primeira montagem, em 2007, foi vista no total por 50 mil pessoas. Um dos atores do elenco, Sandro Maciel, trabalha para o público infantil desde seus 15 anos. Hoje, com 29, se sente honrado por se dedicar a esta platéia que ele considera muito sincera: “Se gostam, falam, gritam, cantam junto. Mas também se não gostam falam na mesma hora e fazem cara feia”.

O integrante do Grupo de Artes e Teatro da Ilha do Governador (GATIG), que organiza apresentações para crianças carentes, ainda se emociona com seu trabalho. Ele conta que, certo dia, ao terminar Oco do Toco – no qual ele interpreta um papagaio – uma criança que só andava com o auxílio de muletas disse, com um sorriso enorme no rosto: “Se eu tivesse asas seria mais fácil para mim, não acha?”. O ator não se conteve e começou a chorar.

Por essa identificação causada no público infantil, Willy Martin acredita que a preocupação básica e primordial quando se trabalha para as crianças é passar uma mensagem positiva para elas. Luana pensa o mesmo, mas diz que deve haver cuidado para não ser chata e levantar uma bandeira com a ‘moral da historia’. Em O Soldadinho e a Bailarina, por exemplo, ela combate o preconceito pelo diferente, mas de uma forma leve: o herói é perneta.

O espetáculo fica em cartaz no Rio até Julho com ingressos a R$60 (crianças pagam meia-entrada). Na segunda metade do ano, haverá uma temporada em São Paulo e, em 2011, a peça rodará o Brasil. Para quem perdeu o internacional Isa TKM, uma novidade: ele volta ainda esse ano, provavelmente em Outubro, para a alegria da criançada e dos atores. “Trabalhar para criança é igual para adulto, só que melhor”, explica Luana, parafraseando Stanislavski.

Para Luana Piovani, a imprensa não apóia o teatro infantil

Luana Piovani está em cartaz com "O Soldadinho e a Bailarina"

Luana Piovani volta a reclamar da imprensa. Dessa vez, não por invasão de privacidade ou fofocas mentirosas. Seu motivo agora é a falta de apoio que a mídia, principalmente a crítica especializada, dá aos projetos infantis: “Poderiam ser mais bem recebidos”.

A atriz acredita que os críticos não dão importância para o teatro infantil. Segundo ela, a mídia valoriza mais o consumo imediato e esquece que os consumidores futuros serão as crianças: “Elas que serão os leitores, trabalhadores e até presidentes”.

Willy Martin, ator de Isa TKM, engrossa o coro. O venezuelano diz que as pessoas às vezes são um pouco desrespeitosas com quem faz esse tipo de trabalho. Segundo ele, todo mundo quando é criança gosta de produções infantis, então não faz sentido crescer e rejeitá-las.

Mas isso não desanima Luana. Ela tem um objetivo maior que agradar os críticos. “Eu tive uma infância rica, brincando de esconde-esconde e pega-pega”, conta a atriz, que quer trazer de volta para as crianças de hoje em dia os recortes, colagens, palhaços, brincadeiras e pipas. “Não aprovo essa modernidade que leva as crianças a ficarem na frente do computador o dia todo”, completa.

Por Leonardo Torres
Fotos: Divulgação
Escrito para a disciplina Laboratório de Comunicação do curso de Jornalismo da UVA/RJ (2010)

2 respostas para Paixão pelo teatro infantil

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