O jornal de hoje embrulha o peixe na feira de amanhã

Domingo é um dia por essência tedioso. Qualquer atividade tende a se tornar chata em pouco tempo. Até as conversas de domingo são, em sua maioria, desinteressantes, já notou? Principalmente se forem à mesa com toda a família. E as namoradas? E a faculdade? E as crianças? Como vai Dona Maria? São sempre aquelas perguntas feitas com o único objetivo de não deixar o silêncio se estabelecer, porque na real ninguém tá se importando com as respostas.

Por essas e outras, é o dia que eu tiro para me informar. Ler o jornal se tornou um hábito de – e apenas desse dia, não nego – domingo. Começo separando as partes que não vou ler de forma alguma: classificados, cadernos imboliários e propagandas. Passo um olho pelo caderno de esportes e leio uma ou outra matéria que chame a minha atenção, o que na maioria das vezes não acontece. Assim, elimino metade da grossura. É a hora de começar a ler de verdade.

Passo horas envolvido com a dívida que Lula está deixando para o próximo mandato, resultado de um truque para angariar fundos com o BNDS; com a sua viagem ao Irã e as possíveis consequências; com as campanhas políticas de Serra e Dilma (acompanhar isso é algo que eu, em especial, gosto muito); com o On the road de Walter Salles; a crise européia que leva os gregos ao desespero e; com a inflação da Venezuela que atinge todas as classes sociais. Sério. São tantas histórias interessantes.

Rafinha Bastos na Revista da Tv: "Não tenho tempo e não gosto de fazer social. Não faço TV para ser paparicado. Faço porque é um veículo fascinante"

Depois de receber tanta informação, parto para algo mais leve como uma entrevista com Rafinha Bastos contando sua vida atarefada entre CQC e A Liga (já assistiram? É ótimo!); o planejamento para Rio, eu te amo; a disputa legal pelo Canecão (e aí eu me dou conta que só assisti a um show lá – o da KT Tunstall – e que a minha história aconteceu basicamente no Citibank Hall); pulo as páginas vendendo o peixe  de Reynaldo Giannechini e Passione e também a matéria sobre o menino que vem se destancando em Gypsy. Deixo a revista para o final. Entre as colunas que eu sempre leio, de Martha Medeiros – comentando o último filme de Woody Allen (que eu vi, mas não comentei aqui, e super recomendo) – e de Artur Xexéo – ironizando o falido Miss Brasil – me chama a atenção a colunista convidada Bel Kutner. Ela escreveu sobre a sua fé e o posicionamento entre o ateu e o ecumênico. Me identifiquei.

Mas de tudo isso o que não sai da minha cabeça é a matéria, no primeiro caderno, sobre as presidiárias que vivem com seus filhos nas penitenciárias do país. Uma criança crescendo na cadeia. Assustador. Nunca havia pensado nessa questão. Nem sabia que isso podia acontecer, na verdade. Sou super a favor de separar mães e filhos nesse caso. Injusto uma criança pagar por algo que não fez. Presídio não é lugar pra passar a infância, né. Para quem não leu, vale a pena:

Pelo menos 289 crianças de até 6 anos vivem com as mães em presídios brasileiros

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