Dente canino

“O filme conta a história de uma família cujos pais criam seus três filhos isolados do mundo, em uma espécie de gaiola dourada, uma grande e confortável casa cercada por altos muros. A família segue várias regras, no mínimo, esdrúxulas, como a de que ninguém jamais pode sair da casa. E se o fizer, será somente quando o dente canino cair. Ou seja, nunca.”DownUp

Muito interessante o roteiro desse filme grego (é engraçadinho o som do idioma – eu tô ressaltando a nacionalidade do filme porque não sei se você tem algum tipo de xenofobia, não é mesmo?). Os filhos são gente grande já e nunca saíram de casa. Criados como ratos de laboratório. É uma ótima oportunidade de ver o comportamento humano em uma situação bem específica, ainda que se trate de uma ficção. Para quem gosta de cinema alternativo, psicologia ou no mínimo se interessa pelos mistérios da mente humana, é um filmão.

Me lembra aquele caso austríaco no qual o pai manteve a filha por 24 anos em cativeiro e teve sete filhos com ela (meio pai, meio avô, totalmente tenso). Lembra? A filha já tinha 18 anos quando foi aprisionada, mas e os outros que nasceram ali e nunca viram a luz do sol? Uma das criaturas já tinha 19 anos quando conheceu a liberdade. Muita loucura isso. Existe cada coisa nesse mundo, né? Essa história – a real – demorou mais de 20 anos para vir à tona. Imagino que como ela, existam várias outras tão peculiarias e desumanas quanto… 😦

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Porque eu vendo bugigangas no Mercado Livre

De vez em quando, recebo uns e-mails assim, que me animam mais do que o dinheiro caindo na conta:

De: xxxxxxx@hotmail.com
Para: falaleonardo@gmail.com

menino!!! que babaddoo!!!!
AMEEEEI O VHS!!!
ESTÁ 100%
PARABÉNSS!!!
GOSTEI MESMOOO!!!!!!
XEGOU HOJE!!!

E aí você se pergunta que VHS (não é nem DVD) é esse que fez o muleque ter um ataque de pelanca. Te mostro o que xegou para alegrar a vida do menino:


 Xuxa Sexto Sentido O Xou

Tenso. (ou Tenxo?)

Sarah Jessica Parker: in ou out?

Cléo Pires, Deborah Secco e Samara Felippo são fãs do visual de Carrie

Sarah Jessica Parker é considerada – muito por causa de Sex and the City – um ícone fashion. É inegável que o figurino de Carrie e de Sarah se confundem. A própria atriz, sempre vestindo roupas caras e ousadas, já revelou que leva para o seu guarda-roupa pessoal tudo que usa nos filmes. No Oscar, é presença garantida na apresentação da categoria Melhor Figurino.

Mas e o figurino de Sarah? É o melhor? Durante a pré-estréia nacional de Sex and the City 2quinta-feira (28) no Shopping Leblon – artistas aproveitaram para dar as suas impressões sobre a roupa que a intérprete da fashionista Carrie usou nas premières de Nova York e Londres.

Sarah na première de Londres

Fernanda Paes Leme (ex-Jeito Moleque): “É non sense. A gente não pode pensar em usar isso aqui no Rio de Janeiro. Se eu chegasse assim aqui, iam achar que eu tava indo desfilar no Carnaval.”

Deborah Secco (futura-Bruna Surfistinha): “Eu usaria. Aqui no Brasil é muito difícil as pessoas entenderem moda como tendência. Eu acho que a Sarah traz um pouco da passarela para a rua. É uma moda um pouco mais rebuscada e menos usual Eu acho bacana as pessoas que arriscam.”

Mariana Rios (Ex-Malhação): “Eu acho muito ousado esse acessório na cabeça. A pessoa tem que se sentir muito poderosa para usar isso”

Letícia Birkheuer (Dança dos Famosos): “Eu adorei o vestido preto, mas dispensaria esse negócio na cabeça. Mas o que aconteceu com o vestido amarelo que subiu essa saia? Ela acabou mostrando demais, né?”

Sarah na première de Nova York, mostrando demais

Sophia Abrahão (ex-Malhação): “Eu sou um pouco suspeita porque eu não gosto muito de neon, mas a Sarah é um ícone de elegância, ela pode tudo. Em mim, não fica muito legal. Já o vestido preto eu acho um pouco extravagante. Meio Lady Gaga.”

Samara Felippo (atual mãe): “Eu acho que só pode usar essas roupas quem tem estilo e se sente segura. Eu amo.”

Fernando Torquatto: “Sarah pode usar qualquer coisa, porque tem muita personalidade. Ela usa essas roupas para chamar a atenção para esse aspecto do filme: as várias trocas de figurino. Faz parte do marketing.”

Ildi Silva (ex-Caetano Veloso): “Nossa, essas roupas são lindas. Eu acho um máximo! Amo a Carrie.”

Ingrid Guimarães (ex-Heloisa Perissé): “Eu gosto. Essa aí a Leandra Borges podia usar.”

Cléo Pires (Gloria Pires + Fabio Junior x Fiuk): “Ela é linda e pode usar tudo que ela quiser”.

Fotos: Divulgação / Thatiana Albuquerque
Publicado no Portal PlusTv

http://portalplustv.com.br/portal/celebridades/sarah-jessica-parker-in-ou-out/

Cobertura da pré-estréia de ‘Sex and the City 2’

Quando a PlusTv me escalou para cobrir a pré-estréia de Sex and the City 2, a primeira coisa que eu pensei foi “Que bom! Eu queria mesmo ver esse filme”. haha Sabe como é: eu vi o primeiro, então é lógico que ia querer ver o segundo – por mais que o outro não tenha sido nada especial. Enfim. Em seguida, comecei a pensar sobre como seria essa cobertura.

Como é um filme de mulherzinha, imaginei que as convidadas seriam nessa linha, mas ainda assim não sabia exatamente quem iria ou não comparecer. Então, não dava muito para planejar as entrevistas que seriam feitas, fora as perguntas óbvias relacionadas ao filme. Mas isso todo mundo faz. Queria algo diferente. E aí tive uma idéia. Perigo no ar: Leonardo e idéias.

Separei fotos das últimas aparições de Sarah Jessica Parker promocionando o filme e pedi para a Thati – amiga e fotógrafa que me acompanha nessas – imprimi-las. Mostraria as imagens para os famosos e pediria para eles comentarem e dizerem se usariam algo assim.

Imagens como essa

Como o figurino de Sarah segue uma linha excêntrica, seria logicamente impossível todo mundo – por mais fino que quisessem ser – dizer que adora seu visual e que também o adotaria. Então, fui para lá esperando boas respostas. E obtive. Teve Ingrid Guimarães fazendo cara feia enquanto dizia que as roupas eram ‘interessantes’; Letícia Birkheuer rindo e tirando sarro de Sarah e; Fernanda Paes Leme classificando o vestuário da hollywoodiana como non sense. Por aí, já tinha minha matéria, porque também houve aqueles que se renderam em elogios àqueles vestidos.

E essa

Deborah Secco foi uma que disse adorar esse visual. E, ao contrário dos outros artistas, me passou verdade. Falou um lance de moda conceitual, dissertou sobre o tema com verdadeira adoração e me fez acreditar que gostava mesmo daquilo. E mais: é super fofa. Falou, falou, falou, respondendo a todas as perguntas, até que todos os jornalistas estivessem satisfeitos. Fiz perguntas sobre relacionamentos amorosos para ela e notei que ela ficou balançada. Fiquei mexido também. Tão fofa e eu tocando em temas sensíveis. Agradeci as respostas e fui entrevistar outra pessoa. Acho que Juliana Silveira (Floribella), que não me deu muita bola.

– Sou dessas

Foi mais ou menos assim:

– Oi Juliana, vem aqui rapidinho.
– Vô sim. *Juliana, indo na direção contrária*
– cri cri cri

Para ler as matérias feitas sobre o evento:

  • Sarah Jessica Parker: in ou out?leia aqui
  • Deborah Secco: “Eu queria me irritar e dar meia dúzia de berros” leia aqui
  • Thaissa Carvalho: “Ainda não cheguei ao ponto de me identificar com os dilemas das cinquentonas”leia aqui

Paixão pelo teatro infantil

Conforme eu prometi, segue abaixo a reportagem que eu fiz com a Luana Piovani que eu havia contado aqui para vocês. A minha professora já corrigiu – levei nota máxima êêêêê – então agora eu mostro como que ficou. Me digam o que acharam, valeu?

Paixão pelo teatro infantil
Luana Piovani e outros artistas dedicam sua carreira às crianças

Trabalhar para crianças era um desejo antigo de Luana

Todo sábado, ela chega ao Espaço Tom Jobim três horas antes da peça começar. É o tempo necessário para sua caracterização. O musical inicia às 17h e, uma hora mais tarde, a atriz já está atendendo as crianças na saída do teatro: “Sempre me comuniquei bem com elas”. Ao final de abraços, fotos e autógrafos dados, ela retira o figurino e a maquiagem. É a hora de jantar. Em casa, ainda tem que decorar o texto da minissérie que está gravando. Dorme por volta de meia noite. No dia seguinte, começa tudo de novo.

É assim a vida de Luana Piovani, de 34 anos, desde que começou se dedicar ao teatro infantil paralelamente à carreira televisiva. Desde os 21 anos, quando fez sua primeira apresentação teatral, ela sonhava em trabalhar para crianças. O soldadinho e a bailarina, em cartaz no Rio de Janeiro, é a sua terceira produção do gênero. Já fez também Alice no País das Maravilhas e O Pequeno Príncipe. Ela, nascida em uma cidade onde não havia cinema nem teatro – Jaboticabal, interior de São Paulo – agora se diz uma atriz e produtora realizada.

Luana é um exemplo de sucesso de artistas que decidiram dedicar sua carreira às crianças. No momento, existem pelo menos seis peças em cartaz para esse público no Rio de Janeiro, considerando os grandes teatros da cidade. Luana acha baixo esse número: “O público infantil está carente de cultura e nem sabe. Tenho medo que as crianças consumam apenas computadores e jogos com explosões e raio-laser e se tornem adultos superficiais e descartáveis”, explica, emblemática. Para ela, o ideal é um meio termo entre isso e o mundo lúdico que o teatro possibilita.

Willy Martin, que interpreta o vilão do musical internacional Isa Tkm – Ven a Bailar, concorda. O espetáculo é inspirado na novela venezuelana de mesmo nome e rodou o Brasil nos meses de Abril e Maio. Na capital carioca, reuniu sete mil pessoas entre pais e filhos no HSBC Arena. É um sucesso. O ator de 25 anos, dos quais os últimos 13 dedicados à arte, se surpreendeu com a receptividade fora de seu país: “O público infantil ou te ama ou te odeia. No nosso caso, nos recebeu de portas abertas”.

Willy Martin está no elenco de Isa TKM, fenômeno venezuelano

É verdade. Isa TKM agradou os fãs brasileiros com seu figurino, cenário e iluminação extremamente coloridos. Os personagens caricatos e as músicas infantis, acredita Willy, também são responsáveis pela aceitação que a produção teve aqui. Aliás, o CD com as canções do show já vendeu 50 mil cópias no Brasil, o que rendeu um disco de ouro. Luana ressalta a importância da música na hora de trabalhar para as crianças: “Mais que uma ferramenta para se comunicar com elas, é uma arte rica para apresentá-las”, diz a atriz, que tomou aulas de canto para sua atual peça.

Outro musical de sucesso entre a criançada é As Aventuras do Oco do Toco, que esteve em cartaz na cidade no início do ano. A primeira montagem, em 2007, foi vista no total por 50 mil pessoas. Um dos atores do elenco, Sandro Maciel, trabalha para o público infantil desde seus 15 anos. Hoje, com 29, se sente honrado por se dedicar a esta platéia que ele considera muito sincera: “Se gostam, falam, gritam, cantam junto. Mas também se não gostam falam na mesma hora e fazem cara feia”.

O integrante do Grupo de Artes e Teatro da Ilha do Governador (GATIG), que organiza apresentações para crianças carentes, ainda se emociona com seu trabalho. Ele conta que, certo dia, ao terminar Oco do Toco – no qual ele interpreta um papagaio – uma criança que só andava com o auxílio de muletas disse, com um sorriso enorme no rosto: “Se eu tivesse asas seria mais fácil para mim, não acha?”. O ator não se conteve e começou a chorar.

Por essa identificação causada no público infantil, Willy Martin acredita que a preocupação básica e primordial quando se trabalha para as crianças é passar uma mensagem positiva para elas. Luana pensa o mesmo, mas diz que deve haver cuidado para não ser chata e levantar uma bandeira com a ‘moral da historia’. Em O Soldadinho e a Bailarina, por exemplo, ela combate o preconceito pelo diferente, mas de uma forma leve: o herói é perneta.

O espetáculo fica em cartaz no Rio até Julho com ingressos a R$60 (crianças pagam meia-entrada). Na segunda metade do ano, haverá uma temporada em São Paulo e, em 2011, a peça rodará o Brasil. Para quem perdeu o internacional Isa TKM, uma novidade: ele volta ainda esse ano, provavelmente em Outubro, para a alegria da criançada e dos atores. “Trabalhar para criança é igual para adulto, só que melhor”, explica Luana, parafraseando Stanislavski.

Para Luana Piovani, a imprensa não apóia o teatro infantil

Luana Piovani está em cartaz com "O Soldadinho e a Bailarina"

Luana Piovani volta a reclamar da imprensa. Dessa vez, não por invasão de privacidade ou fofocas mentirosas. Seu motivo agora é a falta de apoio que a mídia, principalmente a crítica especializada, dá aos projetos infantis: “Poderiam ser mais bem recebidos”.

A atriz acredita que os críticos não dão importância para o teatro infantil. Segundo ela, a mídia valoriza mais o consumo imediato e esquece que os consumidores futuros serão as crianças: “Elas que serão os leitores, trabalhadores e até presidentes”.

Willy Martin, ator de Isa TKM, engrossa o coro. O venezuelano diz que as pessoas às vezes são um pouco desrespeitosas com quem faz esse tipo de trabalho. Segundo ele, todo mundo quando é criança gosta de produções infantis, então não faz sentido crescer e rejeitá-las.

Mas isso não desanima Luana. Ela tem um objetivo maior que agradar os críticos. “Eu tive uma infância rica, brincando de esconde-esconde e pega-pega”, conta a atriz, que quer trazer de volta para as crianças de hoje em dia os recortes, colagens, palhaços, brincadeiras e pipas. “Não aprovo essa modernidade que leva as crianças a ficarem na frente do computador o dia todo”, completa.

Por Leonardo Torres
Fotos: Divulgação
Escrito para a disciplina Laboratório de Comunicação do curso de Jornalismo da UVA/RJ (2010)

Professora x Alunos: discussão via e-mail

Situação
Professora pede para os alunos entrevistas com repórteros vencedores do Prêmio Esso de Reportagem como trabalho de casa. Nenhum aluno leva o trabalho na aula seguinte. Professora diz que vão perder dois pontos e aumenta o prazo de entrega para mais uma semana. Chega em casa e manda um e-mail irônico. Segue..

De: Professora Bruxonilda
Para: Todos seus alunos

Ah….! Como eu gostaria de ter alunos assim…. Peço um simples reporterzinho de Caso Esso e nada….
http://diariodeumtcc.zip.net/

De: Aluna com nome de jogadora de basquete
Para: Companheiros de classe + Professora

Creio que ele estude de manhã e não trabalhe.

De: Garoto propaganda da faculdade
Para: Companheiros de classe + Professora

Isso é que é professor…

De: Aluna viciada em coisas japonesas
Para: Companheiros de classe + Professora

Ah, como eu gostaria de ter uma professora que não subestimasse tanto seus alunos…

De: Megan Fox
Para: Companheiros de classe + Professora

Como eu gostaria de ter uma professora que soubesse a diferença entre uma TCC e um trabalho de grupo que ela mesma propôs…

De: Ex-aluno puxa saco, perdido na lista de e-mails
Para: Companheiros de classe + Professora

Nunca tive problemas com a Luiza, muito menos com a matéria dela, que já fiz inclusive. A questão é: Estamos na faculdade pura e simplesmente para pegar um diploma ou para de fato aprender um ofício, que será cobrado da forma mais dura quando entrarmos no mercado de trabalho? (…)

De: Megan Fox, novamente
Para: Companheiros de classe + Professora

Gostaria de pedir educadamente o não envolvimento na questão dos alunos que não tem aula com a Luiza.

De: Outro ex-aluno, perdido na conversa e na lista de e-mails
Para: Companheiros de classe + Professora

Já que eu continuo recebendo mensagens sobre esse assunto, ao menos me permitam perguntar: que trabalho problemático foi esse?

De: Professora Bruxonilda
Para: Todos seus alunos (e, no caso, ex-alunos também)

Boa Noite. Eu estou sem computador e só agora entrei e vi esse caos. Que eu absolutamente não estou entendendo. Nunca fui atacada por alunos dessa forma. Sempre fui extremamente bem avaliada. Não destrato meus alunos. Assim, ducha de água fria levei eu, com todas essas respostas virulentas para uma msg que NÃO teve essa intenção. Vou explicar:
Eu simplesmente estava pesquisando mais material sobre o caso Aracelli (aliás, como sempre faço para meus alunos) pois achei (e, pelo jeito, me enganei) que a turma da noite tinha ficado interessada no assunto e me deparei com esse trabalhos de estudantes de Vitória. Achei interessante e, como SEMPRE faço, resolvi compartilhar. A frase anexada com a msg não teve a intenção de ofender ninguém.
1, sinto muito se a turma da noite se sentiu ofendida. Eu não percebi que estava sendo “grosseira”. Talvez pq nunca tenha sido. . .
2. Acho que esse assunto já ocupou muito espaço virtual. Será muito melhor que na quinta-feira todos aqueles que aqui se manifestaram de forma tão virulenta quanto ao meu trabalho, do qual, aliás, muito me orgulho, estejam presentes na aula e exponham seu descontentamento de forma mais válida para que possamos chegar ao consenso necessário.
3. Eu considero que não há mais clima para o trabalho. É uma pena. É feito todo ano e, além dele, as turmas tb fazem um trabalho sobre grande cobertura que TB passa por entrevistas com profissionais da área. É um trabalho que rende muito em termos de conhecimento e, tb já rendeu muitos estágios e empregos.
4. A P2 passa, então, a valer 10,0

Chamou pro pau e ferrou todo mundo. Sua prova – cheia de pegadinhas – valendo dez é sinônimo de reprovação. Agora a discussão acadêmica é outra – e não mais a ironia dela. Os alunos, enquanto causavam via e-mail, correram atrás e fizeram o trabalho. Querem apresentá-lo e receber os pontos correspondentes a ele. Óbvio. Na próxima aula, a confusão é certa.

O cartão de descontos

Tô eu aqui, de boa, no sossego do meu lar, e o telefone toca.

– Alô?
– Com quem eu falo?
– Eu que pergunto.

Não sei lidar. Dica para os sem noção: quem liga que se identifica.

– Queria falar com o Leonardo Torres.

Note que segue sem dizer quem é.

– É ele.
– Oi, sou da central de cartões.

Telemarketing. Vontade de desligar na cara. Mas vamos ouvir a coitada. É o trabalho dela.

– Hm..
– Você tem cartão de crédito, certo?
– Certo.
– Visa, Mastercard…?
– Mastercard.
– Por isso que eu tô te ligando.

É, nunca é tarde demais para uma estranha finalmente revelar a razão da ligação.

– Hm..
– Quero te oferecer um cartão de descontos.
– E quanto eu tenho que pagar por isso?
– Nada.

Sabe aquela história de que ninguém vai te ligar pra dar dinheiro? Vale para descontos, óbvio.

– Hm…
– Então, você sempre que for fazer uma compra vai dar o seu cartão de crédito e amostrar o seu cartão de descontos.

Calma aí. Eu vou o quê?

– Na livraria, vai chegar no caixa, passar o cartão de crédito e amostrar seu cartão de descontos. No cinema, passa o cartão de crédito e amostra seu cartão de desconto. Em todo lugar, você vai amostrar o seu cartão de descontos, entendeu?

Ela não pára. No final dessa ligação, vou dar um toque nela. Assim, ela não vende um cartão.

– Acho que entendi.
– Então, você só vai ter que pagar a taxa de entrega…

Não falei?

– …que são 6x de $39,90.

Oi?

– Não estou interessado.
– Por que, senhor?
– Porque não me interessou. Simples assim.
– O senhor não gosta de receber descontos, senhor?

A analfabeta é irônica.

– Não, não gosto de receber descontos.
– Então tá bom. Obrigada.
– Obrigado você. Tchau.

É cada uma…

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