Continuação de “O Oco do Toco” leva crianças a interagirem com a peça

Crianças de roupas coloridas entram de mãos dadas a seus pais. Querem comprar balas e chocolates que são vendidos na entrada do teatro. Sentadas nas poltronas, olham para tudo com olhar curioso. As menores, assustadas, ensaiam um chororô. Outras, já acostumadas com o ambiente, brincam enquanto o espetáculo não começa. Desde janeiro, todos os fins de semana são assim no Teatro dos Quatro, na Gávea, minutos antes de começar o musical infantil As Incríveis Aventuras do Oco do Toco, com texto de Roberta Salomone e direção de Sergio Menezes.

A peça é a continuação do sucesso O Oco do Toco, que foi assistido por mais de 50 mil pessoas há dois anos. Agora, os mesmos insetos da história anterior tentam salvar Bartolomeu (Sandro Maciel), um papagaio mudo, e Ritinha (Priscilla Campos), uma borboleta, das mãos dos perigosos caçadores, com a ajuda das crianças da platéia, que são convidadas a interagir o tempo todo. A participação delas, aliás, é um show a parte. Na apresentação do dia 13 de Março, elas estavam especialmente atiçadas.

O momento em que as crianças mais se envolvem é quando a borboleta, ainda não capturada, está dormindo e a caçadora Lady Arapuca (Julia Farjado) chega à floresta. Ela pergunta ao público se ele viu algum bichinho. Segundo o ator Sandro Maciel, de 29 anos, normalmente, as crianças dizem que não viram nada, para proteger Ritinha. Não foi o que aconteceu nessa apresentação. “Olha ali a borboleta! Tá cega, é?”, gritou um menino em alto e bom som. “Julia teve que rebolar para contornar a situação e fingir que não tinha visto a borboleta, senão pularíamos uma cena imensa!”, conta Sandro, entre risos.

Ainda nessa parte do espetáculo, Lara, de 2 anos, sentada na segunda fileira, gritou para tentar acordar a borboleta. Sua mãe, Sandra Gonçalves, 37 anos, conta que essa é a terceira vez que a menina assiste à peça e em todas ela se envolve dessa maneira. “Ela já sabe cantar todas as músicas”, completa. Não é pra menos. Essa é uma preocupação da direção do musical: as letras, todas compostas por Tauã Delmiro, devem ser contagiantes. Por conta disso também, há uma banda de quatro músicos em cena: “Eu sentia falta de música ao vivo”, explica Menezes.

Prova dessa preocupação musical começa com a escolha do elenco, que passou por uma bateria de testes puxada: os atores tiveram que mostrar que, além de interpretar, dançavam e cantavam. Depois, ensaiaram dois meses ininterruptos, cinco horas por dia. Priscilla Campos, 18 anos, revela que canta desde criança e que é uma alegria participar de um espetáculo com atores-cantores de verdade: “Com 90% do elenco cantando em cena, é conseqüência as crianças cantarem junto.” E cantam mesmo, não é Lara?

Serviço

As Incríveis Aventuras do Oco do Toco fica em cartaz no Teatro dos Quatro, no Shopping da Gávea, até 28 de Março. As sessões acontecem todos os sábados e domingos a partir das 16 horas.

Os ingressos custam R$40, com meia entrada para estudantes e idosos acima de 60 anos, com apresentação de documento com foto. A venda acontece na bilheteria do local ou pela Internet, no site da Ingresso.com.

Escrito para a disciplina Laboratório de Jornalismo Impresso do curso de Jornalismo da UVA/RJ (2010)

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