Cuidado com o que você deseja!

Esse ano, uma pessoa me disse que consigo tudo que desejo – que, mais cedo ou mais tarde, acontece. Engraçado ouvir isso justamente em 2009, um ano de merda para mim. Isso me fez pensar. Lembrei do que desejei no último reveillon. Eu queria uma paixão. Uma coisa louca que me tirasse do sério, que não me deixasse agir com a razão. Até virei o ano com uma bermuda vermelha. Dizem que vermelho atrai.

Eu apelando pro esquema das cores na última virada de ano

E aí, não sei se foi graças à bermuda ou não, eu tive a paixão que eu tanto queria. Aquela que te faz faltar o ar, que deixa sua cabeça nas nuvens, com os pés fora do chão e te permite fazer loucuras achando tudo normal. Aquela avassaladora. A mesma que me fez sofrer praticamente o ano inteiro. Aquela que me disse não quando pedi em namoro, aquela que me sacaneou no meu próprio aniversário, e a que, mais recentemente, ficou com um amigo meu.

OBS: Rever conceito de amizade.

Mas não foi exatamente isso que eu pedi? ‘Uma coisa louca que me tirasse do sério’? E, ah, meu bem, estou completamente fora do sério agora. Tô tão pirado, mas tão pirado, que já desejei a morte de meio mundo em menos de quinze minutos. E se aquilo de que ‘desejei, aconteceu’ estiver mesmo certo, seus filhos da puta, passem a tomar cuidado. That’s all.

Dica de fim de ano: cuidado com o que você deseja – vai que acontece!

Papai Noel não existe

Carta pro Papai Noel escrita, hora de envelopar. Eu só tinha quatro anos, então era minha mãe que escrevia tudo para mim. Colocou o meu remetente e reparei que escreveu pouca coisa na área do destinário.

– Que que tá escrito aqui, mãe?
– O endereço do Papai Noel.
– Eu sei. Mas qual é?
– Polo Norte.
– Mas e o bairro, a rua, o número? Tá faltando coisa.
– Não, Leozinho. Sabe o que é? Os carteiros sabem onde é a casa do Papai Noel. Muita gente envia carta pra lá.

Fiquei desconfiado. Era evidente que minha mãe não sabia o endereço do bom velhinho. Nem o CEP ela tinha! Era bom aquela história dos carteiros conhecerem a casa dele ser verdadeira ou minha carta jamais chegaria. Mas até que fazia sentido: todo mundo sabe onde é a Casa Rosa, a casa da Xuxa, porque não saberiam onde é a casa do Papai Noel? Deixei passar.

O Natal chegou e com ele meus presentes, o que confirmara a teoria da minha mãe. Papai Noel havia sim recebido a minha cartinha. Esse velho era mesmo um cara legal. Dando presente pras criancinhas e tudo o mais.

– É. Eu arraso.

O tempo passou, Janeiro chegou. Cansei do videogame e fui procurar no armário da minha mãe umas fotos. Adorava ver fotos. O problema é que vasculhar coisas velhas ataca a minha rinite… até hoje. Mas, mesmo assim, lá estava eu futucando coisas cheias de ácaro. E, ali, no meio de tanta coisa velha e esquecida, encontrei a minha cartinha pro Papai Noel. Como assim? Minha mãe esqueceu de mandar? Não. Claro que não. Se ela tivesse esquecido, meus presentes não teriam chegado. Então… então… ela me enganou, né? É. Ela me enganou. Que boboca!

– Mããããããe! Sua mentirosa! Você mentiu pra mim! Papai Noel não existe! Você não enviou a carta! Não acredito mais em você!

Agora, era a hora dela inventar uma boa história que justificasse a carta ainda estar dentro de casa, repetir que Papai Noel existe sim e contornar a minha cena. Mães comuns fariam isso. Minha mãe, claro, não fez. Ela não era do tipo de mulher que tinha paciência para fantasia. Ela disse:

– É. Papai Noel não existe mesmo. Eu que não compre seus presentes não.

– Climão.

TOP 5 bolos, micos e programas de índio de 2009

Fim de ano. É o momento das revistas lançarem suas listas. As de moda, dos mais mal vestidos; as de fofoca, das separações mais bombásticas; as de homens, das mais gostosas; e por aí vai. Vou fazer a linha revista e lançar também as minhas listas.

1º lugar Leco marcou comigo sábado a noite as 22hs. Clima: frio e chuvoso. Eu? Sem guarda-chuva e casaco. Atrasou horas até que, por volta das 3 da manhã, avisou que não ia mais não. Eu já estava dormindo há pelo menos uma hora.
2º lugar Vinicius ligou na noite da comemoração do meu aniversário e disse: “Tô tomando banho pra ir praí!”. Igualzinho no ano anterior. Um ano antes, ele também não apareceu.
3º lugar Lara desmarca encontro comigo e com Priscilla e diz que vai ficar em casa. No dia seguinte, descobre-se que ela nos trocou por outra companhia. Colocada contra a parede, ela diz: “Tô fazendo a Floooora!”
4º lugar
Paulo some com balada marcada comigo. No dia seguinte, diz que não recebeu meus torpedos e que nem sabe onde o celular está. (aham, Claudia, senta lá) Marcamos algo praquela noite. Some de novo. Dessa vez, diz que perdeu meu número.
5º lugar Rodolfo. Sempre que marca qualquer encontro.

1º lugar Tudo dando muito certo até que eu, muito confiante, lancei o ‘quer namorar comigo?’. Ouvi um ‘sei lá’ com direito a levantadinha de ombro e tudo. E eu achava que estávamos na mesma sintonia!
2º lugar Eu confundindo água com terra, caindo no laguinho e sendo zuado por pivetinhos. ‘Ué, não era chão?’
3º lugar Minha sandália prendendo na escada rolante da Galeria do Rock. Saí com ela estraçalhada e desprezado pela galera que se veste estranho.
4º lugar Menino do primeiro período da faculdade me bloqueando no MSN. Achei que estávamos virando amigos. Climão. O que foi que eu fiz de errado?
5º lugar Eu no show da Anahi, ex-RBD cantora internacional. Tentei passar despercebido e encontrei todo mundo. Todo mundo mesmo. “Olha quem tá aqui! O Lééééo!”

1º lugar Assistir a gravação do Casseta e Planeta de programa de televisão na favela comunidade, só pra ver o McFly uma banda internacional. Zero glamour.
2º lugar Liberdade, o bairro dos japas, em dia de domingo. Fica muito cheio. Odeio multidão. Parece o Saara – o point carioca das muambas só que com a galera gritando tudo em japonês.
3º lugar Ir pro cinema com peguete quando você quer realmente ver o filme.
4º lugar Encontrar amigos que perdeu o contato. É desgastante. Não há mais afinidade e as conversas apelam sempre para lembranças dos velhos tempos, que são o território mais seguro. Fora o esforço constante de mostrar pro outro o quanto você melhorou ‘de lá pra cá’ e, de preferência, como está melhor do que ele.
5º lugar Ir a festas onde você só conhece o aniversariante. Não há dúvidas: você vai sobrar alguma hora, senão o tempo todo.

Roubaram a minha borracha!

Rio de Janeiro: todo mundo rouba os óculos do Drummond

Como bom carioca, desde pequeno eu aprendi um fato: nada some, tudo é roubado. Por isso que, quando a minha borracha sumiu durante a aula da tia Maria Lúcia, eu gritei:

– Roubaram a minha borracha!

E o climão estava instalado. A professora disse que ninguém ia pra casa até que ela fosse encontrada. Todo mundo começou a procurar por ela embaixo das carteiras, dentro dos estojos com a desculpa de ‘peguei sem querer’ e, por fim, abriam as mochilas e mandavam eu olhar. Já tinha passado da hora da saída e eu estava indo de mesa em mesa revirando o material de um por um. Quem não abrisse a mochila, seria tido como ladrão em potencial.

Não vou negar: no início, estava achando a caça ao ladrão muito divertida. Uma caça à impunidade. Mas nunca fui bom em procurar nada. Depois de 15 minutos, eu já estava me cansando e pensando: é só uma borracha, a gente não pode ir embora mesmo?

O material de quase toda a turma já havia sido fiscalizado por mim e nada de encontrá-la. Quem roubou, escondeu bem, pensei. Resolvi dar uma olhada no chão de novo. E ali, agachado, eu vi a borracha. Eu achei a borracha! Ela tava… dentro do bolso da minha camisa!

Climão. Eu não podia em hipótese alguma falar pra turma:

– Pegadinha do Malandrooooo! Ela estava comigo o tempo todo! Aháááá!

Não. Fora de questão. Eu acusei a todos de roubo. Fiz todo mundo ficar depois do horário. Abri a mochila de geral. Eu tinha era que me livrar daquilo sem que ninguém percebesse. Aliás, será que alguém já notou a borracha no meu bolso? Não, né? Preciso pensar rápido.

Joguei a borracha no chão. Assim, discretamente, como quem não quer nada. E fui pro outro lado da sala continuar procurando. Sonso. Desde criança. E enquanto eu tava lá, fazendo o meu teatro, alguém gritou:

– Acheeeeei!

E todo mundo olhou pra pessoa com cara de desconfiança, enquanto emitiam sons acusatórios. Coitado. Agradeci, peguei o que era meu ‘de volta’, e fui embora.

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