O mais novo milionário brasileiro? Podia ser eu.

Todo mundo sabe que meu aniversário tá chegando. Nesse período que o antecede, costumo ter uma série de crises exitenciais. Mais um aniversário e o que eu fiz pro mundo? Nada acontece na minha vida, né? O tempo tá passando e eu tô ficando pra trás, não tô? Vou chegar aos 30 contando dinheiro pra pagar as contas, né? Vou chegar aos 30 morando com minha mãe, não vou? Fracassarei, não fracassarei? Ai, meu Deus! É mais ou menos isso que penso o dia todo.

Como presente para mim mesmo de despedida da adolescência (porque, pra mim, você deixa de ser adolescente quando completa 20 anos! Muda a dezena, gente!), me dei um bilhete da Megasena. Ela estava acumulado em 21 milhões. Nada mal. Era a hora de eu apostar (afinal, eu não ia gastar a minha sorte quando a loteria estivesse oferecendo menos de cinco milhões). Gastei R$1,75 no jogo e apostei nesses números:

3 – sempre gostei dele;
9 – faço aniversário 9/9/1989 e isso deve significar algo;
17 – idade que mais gostei de ter;
20 – idade que estou prestes a fazer;
34 – não me lembro porque escolhi esse número;
48 – a soma dá 12 e 1+2=3, o número que eu gosto.

Passei o resto do dia com a sensação de guardar um segredo. Ninguém sabia que estava diante de um milionário. Um milionário anônimo! Yeah, eu seria um milionário anônimo em questão de poucas horas! Na verdade, eu já me sentia um. Como gastaria todo esse dinheiro? Aliás, eu gastaria? Como esconderia ele de todo mundo? Eu ia comprar aquela filmadora que eu quero, aquela máquina profissional e faria muitas viagens. Levaria um amigo em cada viagem. Levaria minha mãe em algumas também. Ah, eu ia comprar uma casa também. Aonde? Eu ia continuar na faculdade, quero terminar o curso. Mas sairia do trabalho. Não ia precisar mais daquilo. Mas eu também não poderia levantar suspeitas. Tudo que eu comprasse, diria que era fruto de minhas economias (haha! que economias?). Todos seriam enganados. Bobinhos. Talvez eu até passasse a namorar: com tanto dinheiro, choveriam pretendentes. Eu viveria aquele ditado:

Dinheiro não compra felicidade, manda buscar.

Esse era o meu momento. A hora certa de ganhar na loteria. Eu ia viver de renda. Trabalhar por prazer. A vida seria toda um prazer! Cheguei em casa e corri pra internet para confirmar a minha vitória ver os números do sorteio. E o que vi foi isso:

01 – 15 – 28 – 43 – 50 – 57

Ué, eu perdi? Esses números deviam estar errados. Não é possível. Como assim eu não ganhei, gente? Esse negócio de MegaSena é marmelada, né? Essa seria a única explicação para a minha perda. Se eu não ganho, é marmelada. Penso assim. Que tipo de pessoa marcaria o número 1? Ninguém. Muito forjado esse jogo. Me fizeram perder R$1,75! Eu só queria ganhar alguns milhões. Eu não acertei nenhum número, vocês notaram? Nenhum. Aí tem.

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