Estar com a galera de Malhação é ser in

Ih, gente, confesso: eu já gostei de Malhação. Teve uma época de minha vida que nada prendia mais a minha atenção do que os dramas de Miss Gari e as travessuras de Natasha. Pronto, falei. Eu era desses.

Malhação: você também já gostou que eu sei!

Então, nessa época sinônimo de status pra mim era estar com a galera da Malhação, jogar uma conversa fora e de quebra tirar umas fotos pra colocar inveja nos coleguinhas. Dia bom era dia com o elenco da novela. Se fosse noite então, supimpa. E nessas eu fui parar no pocket show de lançamento do primeiro CD da Marjorie Estiano. Era um evento fechado, mas todo mundo que eu conhecia tava lá. Meus amigos eram todos desses também. Finos.

Havia uma área VIP, afastada do palco, onde estava o elenco da novela. Eu e minha amiga demos o nosso jeito – leia-se fizemos carão – e entramos. Com a cara de pau que nós tínhamos, rapidamente estávamos numa rodinha conversando e brincando com o elenco, enquanto tentávamos agir como se aquilo fosse natural pra gente. Quando na verdade, queríamos era gritar pro mundo:

– Tô batendo papo com a Miss Gari! Olhem bem pra mim! Tô arrasando.

Mas fazer isso significava estar fora do grupo. Então, não dava. Depois de uma meia hora, já estávamos nos sentindo íntimos de todos e até tirando uma com a cara de alguns que davam mais abertura. Quando começou o movimento pra começar o show, um dos atores falou:

– Vamos lá pra frente do palco! Pro gargarejo!

Eeerrr, não? Eu e minha amiga nos olhamos. A gente não tinha se esforçado pra entrar ali pra agora ele querer ir pro povão. Ah, não. Não mesmo. Uma das atrizes do elenco também não estava muito empolgada:

– Mas a gente não vai conseguir chegar lá na frente! Tá cheio!

Eu adoro quem coloca impecílios pra brecar as idéias alheias de uma forma elegante. Já estava me preparando pra engrossar o coro com ela, quando o garoto falou:

– Que nada! Os seguranças abrem caminho pra gente!

Ai, gente. Que chato esse muleque. A gente não podia ficar aqui, com comidas e bebidas de graça, conversando enquanto a ruivinha fazia o show dela lá na frente? Essa me parecia uma idéia muito mais agradável. Mas a maioria gostou foi do papo do gargarejo. Espírito de pobre. E, quando vi, lá estava eu – entre um Malhação e outro – cercado por seguranças que abriam caminho pra gente chegar na frente do palco.

Confesso que esse lance de seguranças abrindo caminho foi divertido e renderia muito no dia seguinte:

– Arrasamos! Os seguranças nos levaram pra frente do palco. Íamos andando e as pessoas se afastando. Puuuuuro glamour! Sério!

Mas, né. Não importa como você chega na frente do palco, o resultado é sempre o mesmo: ser esmagado pela multidão. Mas o pior não foi isso não. Quem dera se tivesse sido. Lá na multidão, dois atores ficaram na minha frente. Sente o nível:

Agora te pergunto: com esses cabelos enormes, você acha que eu vi sombra de Marjorie? Nem fudendo.

Dur dur d’être bébé – eu podia ter cantado isso

Eu podia ter sido o Jordy, mas…

Xuxa sempre me disse pra acreditar nos meus sonhos e gritá-los pro mundo, porque se ninguém soubesse dele, ninguém nunca poderia me ajudar. Foi assim que eu cheguei na minha mãe, que tava deitada na cama e falei:

– Mãe, sabe o que eu quero ser quando crescer?
– Não, o que?

Veterinário. Professor. Bombeiro. Astronauta. Essa era a hora que eu devia ter falado qualquer uma dessas profissões e ter dado fim à conversa. Mas não, eu não era desses. Eu falei:

– Eu quero ser cantor.
– Ah, é? E você sabe cantar?
– Sei ué.
– Então canta pra mim.

Qual era a da minha mãe afinal? Tava me testando? Aquilo era uma audição surpresa do American Idol? Eu hein. Mães normais dariam um sorrisinho, diriam ‘que legal’ e passariam a mão na cabeça do filho. Mães que apóiam os filhos comprariam um microfone no dia seguinte e o matricularia em aulas de canto. Minha mãe não. Minha mãe estava ali, fazendo o Miranda.
– Canta pra mim.

E eu cantei, né. Botei a boca no trombone me sentindo a Mili, que na época era a maior referência de ‘cantar bem’ para mim. Eu arrasei nos agudos, gente. Vocês podem imaginar como não foi minha apresentação exclusiva para mamãe. Só não cheguei na melhor parte, aquela hora em que eu ia mostrar que era um artista completo cantando&dançando, porque a minha mãe me interrompeu.

– Não. Tá muito ruim. Tenta de novo.

Como assim tá muito ruim, gente? O que ela entende de música? Minha mãe tava começando a me irritar. Agora ela era a Angélica dizendo que eu não ia pra Academia do Fama? Perguntei porque tava ruim. Ela disse que eu era só desafinação. E cantou pra mim. E aquilo me fez achar que ela era realmente uma ótima cantora, só não tinha sido descoberta. Diferente de mim, que seria.

– Tenta fazer que nem eu fiz.

E eu comecei a cantar de novo.

– Não. Para! Não adianta. Você não tem voz pra isso. Desiste.

Foi assim que não fui Jordy e muito menos Frank Sinatra. Minha mãe dizia que meus desenhos mais horríveis estavam lindos. Então para ela dizer que eu cantava mal, eu devia mesmo ser o erro. Desde então, só dublo.

Às vezes, o melhor é ficar calado

Aviso: Esse post será melhor compreendido pelas mulheres. Homens, eu avisei.

Não sou mulher, mas não há nada que eu goste mais do que uma DR. Falar do que tá ruim pra ver se melhora é comigo mesmo. Falo tudo antes que vire uma bola de neve. É essa a lógica, não é? Todo mundo devia ser assim. Por que a maioria das pessoas não sabe discutir sem brigar? Quando entro numa DR, não quero brigar. Pelo contrário, quero evitar futuras brigas. Mas nós, pró-DR, não somos compreendidos:


Pois bem, a história de hoje é sobre isso. Certa vez, há muitos e muitos meses anos atrás, eu, cara mente aberta e em busca da perfeição, resolvi discutir a relação. E é óbvio que a discussão virou briga, né, gente. Ninguém sabe ouvir ‘você é totalmente imaturo!’ (seguido de uma lista de argumentos fortes, porque eu sou desses) sem responder na grosseria. Fico de cara.

E seguida da briga sempre vem uma separação, não é? Não deu outra. É batata, gente: se um dia você quiser se separar do seu namoradinho e não souber como fazê-lo, discuta a relação. É ciência, comprovado pelo Inmetro:

Discutir relação leva a uma briga que leva a uma separação.

E, gente, eu não queria separação nenhuma. Eu só queria melhorar as coisas. Se eu soubesse que teria dado nisso, teria ficado de bico calado. (Mentira, não sou desses de me calar) Mas aí, o que que eu fiz? Muita atenção agora, porque essa é outra regra:

Se você discutiu a relação, deu merda e não era a intenção, é a hora de pedir desculpas.

Eu sei que é revoltante pedir desculpa quando você está certo, coleguinha, mas você pretendia fazer o quê? Eu e você sabemos que após a separação quem ia sofrer ao som de All by myself seria você. Então, é melhor retirar tudo o que disse. É melhor ter um relacionamento para reclamar do que não ter nenhum. Deprimente, mas eu sei que você também pensa assim.


Então, foi o que fiz. Marquei um cineminha pra pedir desculpa e reatar. Cheguei mais cedo no shopping pra poder almoçar. E eu sou desastrado. É claro que caiu feijão na minha camisa.

Dica: Nunca coma antes de um encontro.

Quando você vai encontrar qualquer tipo de ex (amigo, namorado, patrão, etc), você tem que estar melhor do que nunca. Tem de estar deslumbrante pra mostrar como a separação te fez bem, gente! Aparecer com uma camisa manchada de feijão não é uma opção. É a morte! Não há credibilidade.

E foi o que aconteceu. Minhas desculpas de nada valeram e ainda tive tudo o que eu falei antes usado contra mim. Golpe baixo. Até hoje, sei que a culpa foi do feijão.

Dica: Se fizer mesmo questão de almoçar, coma comida japonesa – sem os molhinhos.

Desmiolada é a vovózinha

Minha mãe estudava comigo quando eu era menininho, o que me ajudava muito. Eu gostava de fazer os trabalhinhos de casa com ela. As vezes, ela até passava outros trabalhos pra eu fixar a matéria. Pra mim, minha mãe tudo sabia e conhecia. Mais inteligente que ela não existia. O ruim era quando eu errava alguma coisa. Funcionava mais ou menos assim:

– Meu Deus! Que burro! Nem parece meu filho!

Climão. Minha mãe era adepta do tratamento de choque. Dizia que não admitiria notas baixas e que se eu repetisse de ano alguma vez na vida, me mataria. (talvez por amor a vida, eu nunca tenha chegado nem perto desse desastre)

No entanto, ela não tinha muito do que reclamar. No início da minha vida escolar, era difícil eu tirar uma nota diferente de 10. Eu me cobrava muito (também pudera!).

– Mãe, meu coleguinha tirou 8 e a mãe dele deu um presente pra ele.
– E você tirou quanto?
– Dez.
– Parabéns!
– Você podia me dar presente também né?
– Você não faz mais do que sua obrigação.

Lá na escola, teve uma época que os professores diziam as notas dos alunos em voz alta: “Alicinha, 5. Bruninho, 8. Camilinha, 6.” Eu detestava isso. Não existia tensão maior que aquela. Quando o professor dizia o meu nome, a turma toda gritava “deeeeez”. Eu repetia baixinho pra mim mesmo “dez! dez! dez!” – pensamento positivo – e dizia em voz alta, fazendo charme: “Para com isso, gente!” Era muita pressão psicológica. E se eu não tirasse dez? Eu sempre tirava, mas e se alguma vez isso não acontecesse? Ia ser horrível. E um dia aconteceu, com uma professora nova, que não me conhecia.

Professora: Leonardo…
Turma interrompe gritando: Deeeeeeez!
Eu falo baixinho: Dez! Dez! Dez!
Eu falo alto: Para com isso, gente!
Professora continua: Dez? Só se for de dez-miolado. 8,5!
– Só se for de desmiolado! hihihi

Hã? Ela tava brincando, né? Minha cara era de taxo. Tenho certeza que fiquei transparente. Que humilhação era aquela? Quanto ela falou que eu tinha tirado mesmo? Não era dez. Sequer era um nove, isso eu tinha certeza. Fracassei. Me desse um zero logo! Meu Deus! E agora? A professora continuava a dar as notas. Agora, a turma seguia em silêncio. Eu decepcionei a todos, não decepcionei? Eu sei que sim. Eu ouvi um 9 agora. De quem foi esse 9? Será que não trocaram as provas? Ainda acho que a professora tá brincando. De péssimo gosto essa brincadeira, por sinal. Ela termina os nomes. Alguém pergunta o que eu errei. Sei lá o que eu errei. Não tô acostumado a conferir prova, gente. Comecei a chorar. Eu era desses. Resolvia no choro.

– Minha mãããããe *funga* vaaaaa-aaaai! *funga, funga* me mataaaaaaaa-aaaaaaar!

E foi assim que minha mãe foi chamada na escola para uma conversa. E, diferente dos outros casos, não era pra reclamar de mim que a escola a chamou. Era pra dar bronca nela. Diziam que ela não podia exigir tanto de mim. Ela disse que ia exigir sim, que não admitia burrice. E até hoje, quando eu tiro uma nota um pouco mais baixa, eu acho que dava pra ter sido melhor.

A primeira vez que vi um morto

Quando recebemos a ligação dizendo que um dos irmãos da minha avó havia morrido, foi um auê. Minha mãe começou a agilizar as coisas para irmos para Barbacena, Minas Gerais, para o velório e o enterro. Foi tudo muito rápido e quando notei já estávamos dentro de um ônibus. Eu não conseguia entender aquilo de viajar para ver um cara morto. Por que não tínhamos viajado para vê-lo vivo?

Lembro que minha mãe estava muito preocupada com a minha cabeça. Como eu reagiria àquilo tudo? Naquela época, eu tinha em torno de 6 anos. Ela estava preocupada, mas não pensou duas vezes em me carregar pra lá. É aquilo né: é bom as crianças lidarem com a morte desde cedo.


Chegamos lá na igreja onde estava sendo o velório de madrugada. Eu tava doido pra ver o morto! Mas não deixaram: me botaram pra dormir na parte de trás de um carro. Quando acordei, já era dia. E pedi pra ver o morto. Saí do carro e a cada passo que eu dava vinham parentes e mais parentes desconhecidos se apresentarem.

– Oi, Leozinho, eu sou seu primo, sabia?
– Não é não.
– Sou sim. Sou primo da sua mãe!
– Se é primo da minha mãe, não é meu primo. Eu hein.

Climão. Eu hein. Papo de primo de segundo, terceiro e quarto grau pra cima de mim? Nananinanão. E essa cena se repetiu várias vezes.

– Mãe, tá todo mundo dizendo que é primo meu.
– Mas eles são mesmo.
– Não são não.

Quando finalmente consegui chegar ao caixão, ele estava colocado numa mesa muito maior do que eu. Eu não conseguia ver nada. Maldita altura. Eu queria ver o morto. Viajei só pra isso! Andei um pouco pra trás. Dei uma corridinha. E me joguei em cima da mesa, me segurando pra não cair. Fiquei ali pendurado cara-a-cara com o difunto. Toda a sala estava tensa com a minha atitude. Minha mãe correu e me colocou no chão de novo, toda sem graça. Não sei como ela não torceu minha orelha, como teria feito em outras situações. Ela apenas falou pra eu me comportar e me tirou dali de dentro da capela com a desculpa de irmos tomar um café da manhã.

– Mãe, por que ele tava com algodão no nariz?
– Ele morreu, Leozinho.
– E botaram algodão no nariz pra terem certeza que ele não vai voltar a respirar?

Como podem ver, meu primeiro velório e enterro foi um dia de muitas descobertas. Ao contrário do que a minha mãe pensava, não fiquei nem um pouco chocado ou amedrontado. Qual é! A nossa cachorrinha já tinha morrido. Eu tinha experiência no assunto.

RSVP pra quê?

Banque uma festa no seu aniversário e todos irão. Faça o esquema ‘cada um paga o seu’ e apenas os mais próximos aparecerão.

Todo ano é a mesma coisa: eu sempre acho que ninguém vai aparecer no meu aniversário. Brasileiro não tem a cultura do RSVP, né? A gente pede pros convidados confirmarem presença e apenas uma meia dúzia confirma. Penso o que? Meu aniversário vai ser um fracasso, ninguém vai e vou passar vergonha na frente dos poucos que forem. Ih, jamais. Sou mais esperto do que esse complô: eu vou é cancelar tudo! Mas claro que eu nunca cancelo, né. Saio de casa de cabeça erguida pra humilhação da solidão (o que, de fato, nunca acontece – as pessoas gostam de aparecer no estilo surpresa).

Foi mais ou menos isso que aconteceu no meu aniversário de 18 anos. Resolvi comemorar numa pizzaria e precisava da confirmação das pessoas pra fazer a reserva. Os dias se aproximavam e ninguém me dava certeza. Ficava cada vez mais tenso. Acabei reservando uma mesa pra 25 pessoas, sendo que na verdade apenas 16 tinham confirmado que iam. Mas vai que alguém resolve aparecer de última hora?

E não deu outra. Não parava de chegar gente: aquele que convidei por educação, aquela que jurei que não ia aparecer, aquela que leva amigos a tiracolo e… até penetra teve!

– Ooooi! Nem me convidou, seu cachorro!
– Eeerr… pois é, mas que bom que você veio mesmo assm!

Claro que as 25 cadeiras não foram suficientes. Foram quase 50 pessoas. E a pizzaria tava lotada. Não queriam nem deixar meus convidados entrarem. Eu, que já tinha cedido minha cadeira pra penetra, toda hora ia na porta resgatar meus convidados. “Tá comigo, tá comigo!”. Uma vez dentro, o problema era outro: onde se sentariam?

– Garçom, traz mais um cadeira que chegou mais gente.
– Mas, meu senhor, eu já falei que não tem mais cadeira.
– Dá um jeito! Meus convidados não vão ficar em pé.

E lá ia o pobre garçom atrás de mais cadeiras. E mal ele voltava, eu já tinha mais pedidos:

– Traz mais duas!
– Mas…
– Confio em você!

Os coitados ficaram bem putos comigo. No final, fingiam que nem me ouviam, porque sabiam que eu ia mandar eles fabricarem mais cadeiras. Pizza, nem comi. Ainda bem: devem ter aprontado poucas e boas com elas pra descontar a raiva. (no final da noite, pedi desculpa a eles, mas não foram muito receptivos)

O pior é: meus amigos continuavam a ligar perguntando como chegar lá. Eu já dizia algo mais ou menos assim:

– Tudo bem, eu vou entender se você não vier.
– Mas eu tô indo! Como chego aí?
– Tá, só tô dizendo que se não conseguir chegar, sei que você tentou.
– Mas, Leonardo..
Eu queria gritar: POR FAVOR, NÃO VENHA! NÃO TENHO MAIS LUGAR!
E, pra completar, tudo terminou assim:
Porque meus amigos dão valor ao meu sacrifício.

Yvone? Podia ser eu

Dissimulado e sonso? Eu tive a minha época. Lembro que quando estava na quinta ou sexta série, havia na minha turma um menino afetado que adorava um barraco. Ele se achava o poderoso e comprava briga com todo mundo. Um estilo Vera Verão, sabe como é? Não preciso dizer que, mesmo ele nunca tendo comprado briga comigo, eu não o suportava.

Cheguei mais cedo na escola um dia e fui, com minha amiga, para a nossa sala de aula. Resolvemos aprontar para o William, era esse o nome da Vera Verão em questão. Nossa idéia era escrever um bilhetinho anônimo para ele e colocar no mural. Ditei o que minha amiga deveria escrever, alertando-a para disfarçar a própria letra. Ditei várias barbaridades. De arrombado-sem-vergonha pra baixo, porque eu era desses amargos.

Quando a turma chegou, leu o bilhete. William começou a fazer auê e perguntar quem tinha escrito aquilo. Ele tava indignado. As pessoas se olhavam tentando descorbrir quem era o autor. Me comportei como os demais – fazendo cara de espanto e desconfiança:

– A que ponto as pessoas chegaram, né? Mandando bilhetinhos ofendendo os outros! Ridículo! Falta do que fazer.

Os anos de teatro tinham, portanto, servido pra alguma coisa. O William começou a abordar as pessoas que ele sabia que não gostavam dele perguntando se eram elas as autoras do bilhete. E chegou a minha vez.

– Leonardo, foi você? Se tiver sido, pode falar.
– Eu? Claro que não! Porque eu faria isso? Não tenho nada contra você!

Eu arrasava muito antes da Yvone pensar em existir, gente. Como faz? Completei dizendo:

– Eu acho que você devia chamar o inspetor e reclamar disso.

E ele chamou mesmo. Climão. O inspetor disse que olharia os cadernos para reconhecer a letra. Minha amiga ficou tensa. Eu não fiquei não. Ela que tinha escrito, não eu. Ia ser difícil eu me ferrar.

– Leonardo, e se descobrirem que foi a gente que escreveu?

A gente? Ela tava fazendo a maluca. Quem escreveu foi ela. Eu hein.

– É, se reconhecerem a SUA letra, vai ser uó. Você disfarçou direitinho?
– Disfarcei, mas sei lá, né.
– Já muda a sua letra no caderno também. Faz diferente.
– Tô com medo. Falaram que vão transferir as pessoas que fizeram isso pra outra unidade da escola.
– As pessoas não, né. A pessoa.
– É, mas fomos nós dois.

Nessa hora, eu entendi a dela. Se ela fosse pega, ia me levar junto. Não se fazem amigos como antigamente. Eu já começava a me preparar para o momento que iam reconhecer a letra dela, ela me acusar, e eu fazer cara de espanto novamente. Chamaria ela de maluca e pediria provas. Não haveria nenhuma. Se a situação chegasse ao extremo, eu escreveria um bilhetinho pra mim mesmo me ofendendo e colocaria no mural. Aí seria mais uma vítima, livre de suspeitas.

Felizmente, o inspetor não pegou caderno de ninguém e tudo acabou em pizza. Fiz a Yvone e reinei.

Sem mais publicações