Paulistas e o culto à informação falsa (parte 2)

Por favor, ignore minha cara de morto-vivo e a Raffa fazendo anúncio da Pepsi

São Paulo, SP, 2007. Tarde da noite, na Vila Leopoldina. Hora de voltar pra casa pro hotel. A idéia era pegar o mesmo ônibus que havia nos levado até lá, só que no sentido inverso. Idéia boa, vai. Daria super certo se o ônibus aparecesse. Claro que não apareceu. Nem depois de 10 nem depois de 20 minutos. Vendo nossa situação (note que somos muito discretos, porque todos sempre entendem o que tá acontecendo), um cara disse pra pegarmos o mesmo ônibus que ele, que nos deixaria perto do nosso hotel. Antes de entrar, perguntamos pro cobrador (não havíamos aprendido a lição):

– Passa na Consolação?
– Não.
– Ai, meu Deus. Passa na Paulista?
– Passa.
– Não passa perto da Consolação?
– Passa.
– Então, você avisa pra gente a hora de descer?
– Aviso.

Ih, não preciso dizer o quanto ficamos felizes por ter alguém pra nos ajudar, né? Isso era algo novo em São Paulo: alguém ajudando. Tendência. Fomos conversando no ônibus e quando vimos, já estávamos na Avenida Paulista, ali na altura da Brigadeiro. Falamos com o cobrador, ele disse que ainda faltava pra gente saltar. Nós, que nada entendíamos de geografia paulista, acreditamos. Raffa até falou que já tava dominando o percurso. Sente o problema:

clique para ampliar!

É, meu caro, se você tem a mínima noção de mapas, você entendeu o que estava acontecendo. Estávamos nos dirigindo em um sentido contrário ao nosso destino. Consolação era pra esquerda e nós íamos pra direita. Com total apoio da Raffa, que dizia ‘é mais pra frente, é mais pra frente’. Foi quando eu notei que o cobrador começava a dar risadas fora de hora, obviamente se divertindo por estar nos sacaneando.

Do outro lado da Paulista, ele falou pra gente descer. Descemos. Percebemos o que havia acontecido. Rimos. Que palhaço o cobrador! Que burra você, Raffa! Agora vamos andar horrores (é claro que a idéia de pegar outro ônibus não passou pelas nossas cabeças mão-de-vaca)!

Dia de semana, àquela hora, éramos nós e Deus na Paulista. Não havia nenhuma alma viva por ali. Foi aí que um carro preto parou do nosso lado. Paralisamos. Era só o que faltava. Um assalto, um sequestro, um estupro. Passou um táxi. Corremos pra dentro dele, enquanto o carro preto dava a ré tentando nos alcançar. Desespero era o nosso nome. Claro que nada aconteceu, senão eu não estaria aqui contando isso tudo em tom de piada. Nos safamos. Mas não precisávamos ter passado por isso.

Senhor cobrador daquele ônibus, onde quer que você esteja, vá a merda!
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