Só por causa de um rolinho de papel higiênico

Eu e Hebene, a expulsa do nosso lar

Eu nunca vivi sem um animal de estimação. Quando nasci, havia a Fanny, uma poodle que me detestava por ter ciúmas da minha mãe, e um gato, o Chami. Depois das mortes trágicas de ambos os dois, acolhemos uma tartaruga, passarinhos, papagaio e peixes – tudo sem sucesso. Minha família era melhor cuidando dos mamíferos. Cientes disso, mamãe e vovó decidiram comprar dois cachorrinhos – o Pit, poodle de pedigree, e a Hebene, poodle falsificada. Eu adorava a Hebene (nome horrível, eu sei, idéia da minha avó!).

Os dois cachorrinhos eram tudo que eu não havia tido na época da Fanny – que me odiava e se negava a brincar comigo. A Hebene era muito mais levada que o Pit. Mais bonita também. Naquele momento, eu gostava dos dois – só que muito mais dela.

Até que chegaram as férias e eu viajei com a família do meu pai pra Arraial do Cabo e minha avó viajou pra encontrar os parentes dela em Minas Gerais. Minha mãe ficou em casa, porque tava trabalhando. Um dia, ao chegar do trabalho, ela encontrou a casa cheia de papel higiênico. Era papel higiênico pra tudo quanto é lado. Coisa da Hebene, não havia dúvidas. Minha mãe reclamou tanto desse episódio que ela e minha avó chegaram a uma decisão: iam dar a Hebene.

Como assim dar a Hebene, gente? Eu adorava ela! Que dessem o Pit! Eu hein. Aquele feioso. Não, não, não. E, assim, reinvidicando, eu assisti a todo o processo da expulsão da cachorrinha de nosso lar – o anúncio no jornal, os telefonemas e o dia do encontro com os novos donos.

Era uma família completa. Um pai, uma mãe e uma filhinha mais nova que eu. O cara era um advogado (vovó disse que não ia dar a cachorra pra quem não tivesse condições de cuidar direito dela…) Sentados no nosso sofá, conversavam com minha mãe e minha avó sobre como a cachorra era. Comecei a falar mal da Hebene. Talvez assim eles também não quisessem ela.

– Ela é bagunceira. Faz xixi fora do jornal. Late a noite toda. Outro dia, espalhou papel higiênico pela casa toda, sabia? O Pit é muito melhor. Acho que vocês vão gostar mais dele.
– Leozinho, a gente vai dar a Hebene e não o Pit.
– Claro. A Hebene é intolerável.

Minha família ficou sem graça e explicaram dizendo que eu gostava muito dela e não queria que ela fosse embora. A outra família entendeu. Cornos. Incrível como os adultos sempre se entendem e colocam as crianças como uns maluquinhos sem noção. Fiquei puto. Peguei a Hebene e me escondi com ela. Agora eu queria ver eles levarem ela. Me acharam. E acharam ela. Levaram ela. Chorei. E passei um tempão sem falar com o Pit, puto da vida.

P.S: O Pit já morreu. E a Hebene? Aposto que tá viva.

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4 respostas para Só por causa de um rolinho de papel higiênico

  1. mundofantasticobob

    USAHUAHSUHSUASMuito interessante a historia. Fico com um pouco de pena de você devido a perda!!! Mas é assim mesmo, bola pra frente!!!

  2. Liliane

    huahuahuahuaah tenho um caso semelhante!!! Mas o meu caso era uma pintcher (que por acaso chamada Pity). Ela era infernal, mas se dava atençao pra ela, leasse pra passear, ela se mantinha por dias boazinha. Mas minha mae soh via o lado ruim da cadela… deu prum guri aih doente mental. Tudo bem, eu sei que ela foi bem tratada, ele até vestia calcinha nela pros cachorros nao ficar cheirando ela huahuahuahauhauhauMas era MINHA Pity pô… como assim?… se eu fizesse arte ela ia me dar tb?

  3. Thatiana

    Com certeza a Hebene está viva!!!! Poodle falsificada sempre reina… Sua vó não era bem desde essa época né? HEBENE?? uahuahuahuahuahuahauhauah

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