Minha época religiosa

Onde eu moro, há uma igreja em cada esquina. E não é exagero. Eu estava voltando da padaria pra casa e fui abordado por um desses evangelizadores (tantas igrejas, e eles teimam em pregar no meio da rua!). Eu disse que tava sem tempo e continuei andando. A mulher disse: “que Jesus te abençoe mesmo assim”! Venenosa – “mesmo assim”?. Agradeci e segui minha vida. Lembrei de uma história.

Quando eu era pequeno, fiz catequese. Foram dois anos indo a igreja todos os finais de semana. Claro que eu não gostava (se gostasse, não teria abandonado as missas logo após a minha primeira – e única – comunhão). Embora eu tenha criação católica – e boas histórias sobre essa época de catequese – hoje eu vou contar uma de quando eu fui numa igreja batista.

Eu era vizinho de uma família batista. Eram férias e toda tarde a menina parava de brincar comigo para ir na igreja. Estava tendo uma espécie de festejos para as crianças durante as férias por lá. Que absurdo! A menina ia festejar e eu ficava em casa sozinho. Não, não, não. Logo dei um jeito nisso e me infiltrei nessa de festejos na igreja alheia (se a minha catequista soubesse…).

A festinha era realmente divertida, não vou negar. Muitas crianças, várias brincadeiras, muita comida e muita música evangelizadora. Uma das brincadeiras era sobre perguntas e respostas sobre os conhecimentos bíblicos (não é porque era uma festa, que iam deixar de pregar, não é mesmo?). E, gente, eu sou muito competitivo. Não entro em nada pra perder. Então lá estava eu sempre com o dedo levantado querendo responder a todas as perguntas. E eu realmente respondi uma.

Mulher se sentindo o Celso Portiolli no Passa ou Repassa pergunta: Quantos livros tem a Bíblia?
Eu, cheio de confiança, respondo: Setenta e três!

Silêncio no recinto. Foi a primeira vez que houve um silêncio desde que eu havia chegado. O nome disso era climão. Não entendia o porquê. Eu sabia que a resposta estava certa. Minha catequista havia repassado essa questão dos livros várias vezes. Mas todo mundo me olhava estranho, como se eu tivesse falado a coisa mais absurda do mundo.

Mulher Celso Portiolli, incomodada com a minha resposta: Resposta errada! Alguém sabe a resposta certa?

Hã? Resposta errada? Ela tá roubando, hein, gente. Minha resposta nunca esteve mais certa! E aí, toda a igreja respondeu em coro (eles adoram isso de coro, você sabe): Sesseeeeenta e seeeeeis! A Celso Portiolli ficou feliz de ouvir a resposta correta. Fiquei passado. Eu errei? Mas eu tinha certeza que eram 73…

Depois, eu descobri que a bíblia evangélica tem 7 livros a menos que a católica. Desde então, nunca mais respondi a nenhuma pergunta na escola. Melhor não arriscar, né. Tudo é muito relativo.

2 respostas para Minha época religiosa

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