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Resenha: The Vaccines – Grand Metrópole

Eu me deparo com o nome de bandas ou artistas novos (para mim ou para o mundo) o tempo todo. Até gostaria de parar para conhecer todos eles, mas o volume de material é tanto que isso se torna impossível. O que acontece é uma seleção natural, baseada em todo tipo de critérios – recomendações, gênero, visibilidade, histórico e até estética (da arte dos álbuns e dos singles, por exemplo). Foi assim que cheguei à banda The Vaccines – que entrou na lista de apostas da BBC para 2011, junto com a Jessie J. Basicamente, conheci a banda antes mesmo do seu álbum de estreia, What Did You Expect From the Vaccines. Fiquei na expectativa pelo CD, ouvindo-o assim que foi lançado.

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Quando eles vieram ao Brasil no ano passado pela primeira vez e fizeram um show no Rio de Janeiro, perdi a apresentação. Mas prometi para mim mesmo que não deixaria isso acontecer quando voltassem. E eles retornaram mesmo – só que apenas a São Paulo. Mais uma vez, eu não os assistiria. Eu gosto muito dos Vaccines, mas não ao ponto de viajar para vê-los. Bem, em termos. Por coincidência, estive na cidade no sábado (18/5), justamente na noite do show. E, dessa vez, não perdi. Senão seria um mané.

A banda se apresentou com a turnê do álbum Come of Age em uma casa chamada Grand Metrópole, que é um lugar muito bonito no bairro da República. Como não conhecia o local, imaginei que fosse bem pequeno (afinal, estamos falando de uma banda de rock indie, com apenas dois álbuns lançados), mas era até grande. E estava cheio! Ao contrário dessa galera alternativa, eu fico feliz quando vejo que os artistas que aprecio conseguem encher os lugares por onde passam. Se o sucesso é merecido, por que desmerecê-lo?

Eram pessoas tão diferentes umas das outras, de indies a mauricinhos, e todas curtindo a banda. Lembro que vi até um senhorzinho (sozinho!). Isso é ótimo, porque os Vaccines são muito bons mesmo! Nas três primeiras músicas – “No Hope”, “Wreckin’ bar (r ara ra)” e “Ghost Town” – já deu para sentir a energia dos caras e da plateia.

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Não tenho músicas preferidas, ainda, mas me diverti tanto quando tocaram “All in White”, “If You Wanna” e “Teenage Icon”. Essas fizeram minha cabeça ao vivo. A galera também pirava, com palmas ritmadas, saltos e gritos. O baterista Pete Robertson – por quem posso ter me apaixonado :P – também incentivava esse tipo de manifestação, puxando os fãs. Ele é muito entertainer, apesar de estar no fundo do palco.

Conclusão: saí do show muito mais fã. É o que acontece quando um show é bom, né? O álbum te faz querer ouvir os caras ao vivo, e assisti-los te faz querer escutar os CDs com mais atenção e interesse. Comigo é assim, mas só quando vale a pena.

“Sim”: Sandy promete álbum mais alto astral e positivo depois de fase melancólica

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A cantora Sandy direcionou sua carreira para o que chama de “pop alternativo”, mas seu nome ainda é totalmente mainstream. Depois de vender milhões de CDs com o irmão Junior Lima, é natural que o mercado aguarde com expectativa seus novos álbuns. Com “Sim”, previsto para chegar às lojas em 11 de junho, não é diferente. Em entrevista coletiva neste fim de semana, a artista contou detalhes do que está por vir no seu segundo disco solo, que, como o título indica, promete ser mais positivo.

- Estou segura da minha carreira. Já caminhei um pouco na minha trajetória e descobri quem eu sou agora como artista solo. É uma fase mais madura e muito positiva, muito feliz, e isso acaba sendo estampado e representado nas músicas também. – diz a cantora, que já iniciou a turnê nova e fez um show com ingressos esgotados no HSBC Brasil, em São Paulo, na sexta (17/5).

Realizada, ela não esconde: “Sim” mostrará seu lado mais alto astral, diferentemente do melancólico e introspectivo “Manuscrito”, seu primeiro CD sem o irmão, lançado em 2010. As primeiras músicas divulgadas – como “Aquela dos 30”, “Escolho Você” e a própria “Sim” – apontam novas temáticas em suas composições. “Eu acho que o nome ‘Sim’ diz muita coisa e não precisa dizer mais nada. É curto, mas é forte. Representa muito esse momento atual meu, muito alto astral, muito pra fora, muito pra cima”.

A mudança nas letras das músicas não foi forçada e se deve justamente ao seu amadurecimento natural. Depois de 17 anos de uma carreira bem sucedida em dupla, “Manuscrito” era – não há como negar – um tiro no escuro. Para completar, na mesma época, Sandy também havia se casado e terminado a faculdade de Letras. Ou seja, muitas transformações em sua vida.

- O “Manuscrito” veio numa fase em que eu estava realmente olhando pra dentro, descobrindo quem eu era como cantora, como pessoa. – analisa a artista, que até gravou um single chamado “Quem Eu Sou”. – Por isso o disco é um pouco mais introspectivo. Eu estava numa busca que, claro, é eterna, é constante, mas agora eu estou sabendo mais onde estou, com os pés mais firmes no chão.

Segura de si e do seu trabalho, ela convocou um time de profissionais britânicos para desenvolver o álbum novo. A inspiração no pop inglês, aliás, é uma constante. Segundo o baterista Adelino Costa, o responsável pela masterização do álbum é o mesmo que cuidou dos CDs da Adele. O engenheiro de som Jason Tarver, de “Manuscrito”, também está de volta.

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- É uma produção gringa mesmo e isso reflete no disco. É bem diferente das produções nacionais. Tem um cuidado inglês. São bastantes detalhes, o que combina com o estilo de composição minucioso dela. Isso acaba cativando novos fãs, que chegam pelo som e não pelo que a Sandy representa e pela artista que ela já é. – contou durante a coletiva para o show de Uberlândia, marcado para 8 de junho.

Aos fãs fiéis, Sandy acredita que também está agradando. As músicas previamente divulgadas – no EP “Princípios, Meios e Fins” e nos shows deste ano – lhe deram um feedback positivo. “Eles estão me dando uma recepção muito calorosa. Estão numa expectativa muito grande pelo disco. Espero que possa corresponder às expectativas”, conclui a cantora, que também estreará no cinema indie neste ano. Mas isso é assunto para outra hora.

Por Leonardo Torres
Postado no Portal POPLine
http://portalpopline.com.br/sim-sandy-promete-album-mais-alto-astral-e-positivo-depois-de-fase-melancolica/

Resenha: Katy Perry – Part of Me

Não costumo falar bem da Katy Perry – sequer costumo falar dela, na verdade. A única vez em que fiz isso aqui no blog foi durante o Rock in Rio, quando basicamente a chamei de desafinada sem noção. Mas hoje quero explorar um pouco mais o universo de pirulitos e marshmallows da cantora.

Bem, assisti ao documentário “Katy Perry: Part of Me” (com direito a 3D e tudo, embora o artifício tenha sido pouco explorado). Por quê? Porque trabalho com música pop e acredito que é minha obrigação assistir a esse tipo de material para aumentar meu repertório (aliás, alguém tem o DVD do “Justin Bieber: Never Say Never” para me emprestar? Não achei para baixar). Além disso, o filme se propõe a mostrar os bastidores da turnê da cantora, o que é minimamente interessante (quando você não gosta das músicas de alguém, assistir ao making é mais prazeroso que ao próprio show – sem dúvida!). A sinopse oficial da Paramount Pictures diz que o longa é “um passe para os bastidores, um lugar na primeira fila e uma visão intimista do divertido, glamuroso, emocionante, inspirador, louco, mágico, apaixonado e honesto diário de Katy”. Ufa! Quantos adjetivos!

Apesar da pretensão, “Part of Me” não se propõe ambicioso. Pela sinopse, não é difícil imaginar que se trata de um projeto vaidoso e caça-níqueis, igual a tantos mais de outros artistas. Não visa originalidade artística. Mas calma, fãs, não me atirem pedras. Ainda não é o momento. Isso porque o filme, que amargou uma bilheteria irrelevante nos EUA, fugiu do controle e resultou em algo completamente diferente do imaginado pelos diretores Dan Cutforth e Jane Lipsitz. E só ganhou com isso.

Durante as filmagens, Katy Perry recebeu o pedido de divórcio do marido Russell Brand. Maliciosamente, isso entrou na edição final do filme – e transformou, acredito eu, seu início, meio e fim. O que era para ser um longa vazio e egocêntrico se transformou na crônica de uma separação anunciada. O oba-oba deu vez à tristeza (há uma cena da americana aos prantos no camarim do show em São Paulo).“Part of Me” mostra, na verdade, como o sucesso e a agenda lotada de shows arruinaram o casamento da cantora, cada vez mais ausente de casa para cumprir seus compromissos profissionais. “Não se pode ter tudo” foi um pensamento que veio à minha cabeça.

No filme, Russell aparece nos bastidores dos primeiros shows, nos EUA, e depois sai de cena. Conforme a turnê, que durou um ano, segue adiante, o casamento dos dois se limita cada vez mais a encontros esporádicos nas folgas da cantora. Entre uma temporada de apresentações e outra, ela ganhava três dias livres para descansar – e usava-os para viajar e encontrar o marido, onde quer que ele estivesse. Eles viviam, portanto, um relacionamento à distância, baseado em troca de telefonemas e sms. Mas fica claro como Katy (posso chamá-la assim depois de ter assistido ao seu diário “[...] emocionante, inspirador [...]”?) valorizava àquela relação e se esforçava para fazê-la dar certo. Mas quando um não quer, dois não brigam – nem namoram. Russell não quis e deu um pé na bunda dela – pouco depois de ter sugerido que ela engravidasse (para prendê-la em casa, talvez).

O episódio, extremamente pessoal e privado, guiou o resto do filme e humanizou o projeto. Estamos falando de Hollywood, que consegue romantizar sobre guerras mundiais, quem dirá sobre uma estrela pop vulnerável. Deu certo. Eu, que sempre torci o nariz para Katy, saí do cinema mais simpático a ela – identificado. É sensacionalismo puro? Pode ser. Provavelmente é. Vale tudo para ganhar dinheiro? Com certeza. Mas a exploração do caso foi bem feita? Foi. A cena em que ela se prepara para subir ao palco e coloca um sorriso no rosto, segundos após ter sido gravada aos prantos, é emblemática. Quem nunca teve que disfarçar um sofrimento? Katy descontruiu o conto de fadas que ela mesma prega/va. Ponto pra ela. Vou até fingir que ela cantou direitinho.

Resenha: Fito Páez – HSBC Brasil (São Paulo)

Fui a São Paulo especialmente para assistir ao show do Fito Páez, na última quinta (26/7). Já o vi ao vivo em Buenos Aires em 2010 e queria repetir aquela experiência (lamento nunca ter podido ouvi-lo cantar no Rio de Janeiro, mas tudo bem). O show faz parte da turnê de comemoração dos 20 anos de lançamento do CD “El Amor Después Del Amor”, que ainda detém o título de álbum de rock argentino mais vendido da história. Não é qualquer bobeira não. Sem citar meu envolvimento pessoal com tudo isso.

A apresentação ocorreu no HSBC Brasil, com poucos ingressos vendidos, mas muita animação por parte dos presentes. Foram 25 músicas ao todo, com o show dividido em duas partes: na primeira, Fito cantou o CD na íntegra; na segunda, outros hits. Ainda houve bis. “Tumbas de la Glória”, “A Rodar Mi Vida”, “Ciudad de Pobres Corazones” e “Mariposa Tecknicolor” foram as que mais deixaram a plateia ensandecida. Eu, particularmente, tive momentos catárticos com “Dos Días en la Vida”, “Creo”, “Un Vestido y un Amor” e “Al Lado del Camino”.

Fito ainda fez um cover de “Vaca Profana”, que foi bem simpático, mas dispensável. Suas letras são o melhor do show. Há duelos de guitarras, exibição ao piano, projeções de clipes e participações da Fabiana Cantilo, Charly Garcia e Andrés Calamaro no telão, e isso tudo é muito divertido na maioria das vezes, mas o melhor são, sem dúvida, as letras. Tão simples e tão singulares. Geniais. É uma pena que poucas pessoas conheçam seu trabalho aqui, uma pena que estivesse tão vazio. Porque vale tanto a PENA! ;) Eu quero mais.

Fito Páez Setlist HSBC Brasil, São Paulo, Brazil 2012

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