Arquivos da Tag: oscar

Oscar 2013: “Argo” ganha troféu de Melhor Filme, mas não é o grande vencedor da noite

oscar2012

Como você já deve ter ouvido falar, a estatueta de Melhor Filme do Oscar 2013 foi para “Argo” – o projeto que catapultou a carreira do Ben Affleck para outro patamar (embora eu desconfie que o prêmio tenha mais a ver com a rede social do George Clooney, co-produtor, do que com Affleck). O longa se tornou favorito na reta final da corrida para a premiação, após vencer todos os prêmios dos sindicatos de Hollywood. Mesmo assim, não se pode dizer que “Argo” foi o grande vencedor da cerimônia. Definitivamente, não.

O filme só venceu mais duas categorias, além da principal: Roteiro Adaptado (Chris Terrio) e Montagem. Fazendo um comparativo com “O Artista”, vencedor do ano passado, “Argo” teve uma vitória inexpressiva. O longa mudo, além da estatueta mais almejada, ganhou outras quatro – incluindo direção e ator, que são categorias importantes. “Argo” sequer conseguiu indicações a esses títulos, que dependiam do trabalho do Affleck, diretor e protagonista.

A ausência de indicação à categoria de interpretação não gerou controvérsias, porque ele é reconhecidamente um ator mediano, mas o mesmo não aconteceu com respeito à direção. Muitos acharam que ele merecia a nomeação e que a ausência desta inviabilizaria o troféu de filme. Faz sentido: como ser o melhor filme sem ter um dos melhores diretores? A Academia, no entanto, pensou diferente.

ang1

O prêmio de direção – e a maioria dos outros – foi para Ang Lee e “As Aventuras de Pi”. Sou suspeito para falar, eu sei, porque minha torcida declarada sempre foi para a história do Pi, que me encantou muito. Mas não há dúvidas: esse foi o grande vencedor da premiação. Além de faturar onze indicações (só perdendo para “Lincoln” com 12), “As Aventuras de Pi” levou quatro troféus para casa – sendo o de direção um dos mais desejados (tendo Steven Spielberg como concorrente).

“Lincoln”, ao contrário das expectativas, venceu só duas categorias, tornando-se o azarão do ano. Até “Os Miseráveis”, que não era um dos favoritos, se saiu melhor, com três troféus. Nem “Argo” nem “Pi”, no entanto, levaram os prêmios de atuação – como previsto. Daniel Day-Lewis (“Lincoln”), Jennifer Lawrence (“O Lado Bom da Vida”), Christoph Waltz (“Django Livre”) e Anne Hathaway (“Os Miseráveis”) foram os escolhidos. Nota-se uma divisão aleatória e diversificada. “Argo” venceu, mas não brilhou.

525409_10152637658715393_153852587_n

Confira a lista de vencedores:

Melhor Filme: Argo
Melhor Ator: Daniel Day-Lewis (Lincoln), que subiu no palco para fazer piadinhas
Melhor Atriz: Jennifer Lawrence (O Lado Bom da Vida), que levou um tombo
Melhor Diretor: Ang Lee (As Aventuras de Pi)
Melhor Ator Coadjuvante: Christoph Waltz (Django Livre), de novo com Tarantino
Melhor Atriz Coadjuvante: Anne Hathaway (Os Miseráveis), do famoso farol aceso
Melhor Roteiro Original: Quentin Tarantino (Django Livre), aparentemente querido
Melhor Roteiro Adaptado: Chris Terrio (Argo)
Melhor Filme Estrangeiro: Amor
Melhor Direção de Arte: Lincoln
Melhores Efeitos Visuais: As Aventuras de Pi
Melhor Fotografia: As Aventuras de Pi
Melhor Montagem: Argo
Melhor Maquiagem e Cabelo: Os Miseráveis
Melhor Figurino: Anna Karenina
Melhor Canção Original: “Skyfall” – Adele (007 – Operação Skyfall), que não foi aplaudida de pé
Melhor Trilha-Sonora: As Aventuras de Pi
Melhor Edição de Som: A Hora Mais Escura e 007 – Operação Skyfall
Melhor Mixagem de Som: Os Miseráveis
Melhor Longa-Metragem de Documentário: Searching For Sugar Man
Melhor Curta-Metragem de Documentário: Inocente
Melhor Curta-Metragem: Curfew
Melhor Longa Animado: Valente
Melhor Curta Animado: Paperman

Momentos da noite:

736685553

736739206

1852_268282523303745_506308821_n

[Dica da semana] Fazer bolão para o Oscar 2013, que acontece no domingo

OSCAR-2013-Promo-Poster-02

A dica da semana é fazer bolão com os amigos pra tentar acertar a lista de vencedores do Oscar 2013. Dá para preparar a pipoca, reunir a galera, se jogar no sofá e torcer pelos seus escolhidos! Para te ajudar, preparei uma listinha com os favoritos, baseada nos vencedores das principais premiações pré-Oscar.

Como foi acompanhado aqui no blog, corri contra o tempo para assistir ao máximo de filmes indicados e assim poder formar minha opinião. Então, além de dizer as apostas para os vencedores deste ano, também coloco embaixo para quem vai minha torcida. Façam suas listinhas também! Depois a gente compara ;)

MELHOR FILME
Aposta: “Argo”, que venceu todas as premiações importantes dos diversos sindicatos, mesmo sem conseguir uma indicação do Ben Affleck a diretor.
Torcida: “As Aventuras de Pi”, que foi o filme que mais encantou e impressionou neste ano.

MELHOR DIRETOR
Aposta: Steven Spielberg, porque “Lincoln” não deve levar o prêmio principal, apesar de ter sido o favorito por muito tempo.
Torcida: Ang Lee (“As Aventuras de Pi”).

MELHOR ATOR
Aposta: Daniel Day-Lewis (“Lincoln”), favoritíssimo.
Torcida: Daniel Day-Lewis.

MELHOR ATRIZ
Aposta: Jennifer Lawrence (“O Lado Bom da Vida”), vencedora do prêmio do sindicato dos atores.
Torcida: Quvenzhané Wallis (“Indomável Sonhadora”), que conduziu o filme sozinha com a maestria que muita gente grande não tem.

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Aposta: Tommy Lee Jones (“Lincoln”), também vencedor da premiação do sindicato.
Torcida: Robert De Niro (“O Lado Bom da Vida”) e o próprio Tommy Lee Jones.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Aposta: Anne Hathaway (“Os Miseráveis”), mais que favorita.
Torcida: Anne Hathaway, porque está na hora de receber uma estatueta e porque não há interpretações indicadas à altura.

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Aposta: Mark Boal (“A Hora Mais Escura”), vencedor da premiação do sindicato dos roteiristas.
Torcida: Wes Anderson e Roman Coppola (“Moonrise Kingdom”), porque é um filme lindo e deveria ter sido melhor representado na premiação.

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Aposta: Chris Terrio (“Argo”), vencedor da premiação do sindicato dos roteiristas.
Torcida: David Magee (“As Aventuras de Pi”).

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
Aposta: “Amor”, que dificilmente não levará essa.
Torcida: “No”, que todos deveriam assistir, aliás.

Prefiro não opinar sobre as categorias técnicas, embora minha torcida seja assumida para “As Aventuras de Pi” (com exceção do figurino, que tem que ser de “Anna Karenina” – olha eu já dando pitaco!). Também não farei apostas para as categorias referentes às animações e aos documentários, porque não os vi. Então, a lista termina aqui. Os resultados oficiais, claro, serão divulgados lá em Los Angeles ;)

Maratona Oscar 2013: O Amante da Rainha

Esse post faz parte da maratona contra o tempo para ver o máximo de filmes possíveis antes da cerimônia do Oscar 2013, marcada para o dia 24 de fevereiro (acompanhe o processo)

Indicação: Melhor Filme Estrangeiro

Vi “O Amante da Rainha” no cinema na semana passada e esqueci de comentar minha opinião aqui. O filme – que representa a Dinamarca na disputa pela estatueta – é um típico de reinado, ou seja, jogando todos os podres da realeza no ventilador. Temos um rei louco, uma rainha adúltera, um médico manipulador socialista, uma madrasta a fim de um golpe de Estado, enfim, todos os ingredientes típicos.

O filme não é ruim, mas também não é bom, porque dá a impressão de que você já o assistiu antes – milhares de vezes. De forma alguma, equipara-se a “No” (Chile), “Amour” (França) ou “War Witch” (Canadá), os outros longas concorrentes ao título de Melhor Filme Estrangeiro. Todos são menos óbvios e apresentam elementos mais originais.

En-kongelig-affære

Maratona Oscar 2013: A Hora Mais Escura

Esse post faz parte da maratona contra o tempo para ver o máximo de filmes possíveis antes da cerimônia do Oscar 2013, marcada para o dia 24 de fevereiro (acompanhe o processo)

Indicações: Melhor Filme, Atriz (Jessica Chastain), Roteiro Original, Edição e Edição de Som.

“A Hora Mais Escura”, de todos os filmes indicados à categoria principal do Oscar 2013, era com certeza o que eu menos queria ver. Tanto é que deixei para a reta final da maratona. A proposta de um filme sobre a caça ao Bin Laden não me atraiu, ainda mais dirigido pela Kathryn Bigelow – do premiado “Guerra ao Terror” (2008), que detestei. Mas, no fim das contas, essa foi mais uma surpresa feliz do ano. Gostei.

Trata-se de mais um filme político – e um filme político norte-americano, do jeito que eles gostam (como “Lincoln” e “Argo”). No caso, eles são meras vítimas do terrorismo, dispostos a fazer justiça (a sua justiça) com o grande vilão, que é a Al-Qaeda. Para isso, busca-se o extermínio do líder Osama Bin Laden. Qualquer opinião discordante disso não coube no roteiro – o que já o faz menos merecedor dos títulos de Melhor Filme e Roteiro Original para mim. Para eles, isso é um mérito.

Há, no entanto, muitos pontos positivos. A história começa em 2001, após o atentado de 11 de setembro, e vai até 2011, quando os EUA conseguem assassinar Bin Laden, e essa passagem de tempo é muito bem dirigida. O amadurecimento dos personagens, que ficam mais duros, frios e estressados ao longo da história, também é muito bem explorado, principalmente na personagem principal – a agente da CIA Maya. Jessica Chastain está ótima no papel, que conduz toda a trama.

A atriz não está encantadora como Quvenzhané Wallis (“Indomável Sonhadora”), tocante como Emmanuelle Riva (“Amor”), arrebatadora como Naomi Watts (“O Impossível”), nem delirante como Jennifer Lawrence (“O Lado Bom da Vida”). Mas fez um trabalho belíssimo em sua sutileza. A última cena do filme é muito específica da obsessão da personagem por solucionar o caso – mas a Academia provavelmente escolherá um dos momentos explosivos para mostrar na premiação. Pena. De qualquer forma, ela e o filme dificilmente ganharão qualquer estatueta. Não tem força para isso.

movies_zero_dark_thirty_still_3

Maratona Oscar 2013: O Mestre

Esse post faz parte da maratona contra o tempo para ver o máximo de filmes possíveis antes da cerimônia do Oscar 2013, marcada para o dia 24 de fevereiro (acompanhe o processo)

Indicações: Melhor Ator (Joaquin Phoenix), Ator Coadjuvante (Philip Seymour Hoffman) e Atriz Coadjuvante (Amy Adams).

O cineasta Paul Thomas Anderson tem seis filmes no currículo, e foi indicado ao Oscar por três deles (“Boogie Nights”, “Magnólia” e “Sangue Negro”). O mais recente, “O Mestre”, faz parte da outra metade, o que é uma informação repleta de significados. O longa conquistou, sim, indicações à premiação, mas nenhuma creditada a ele, que assina roteiro, direção e produção.

“O Mestre” tem cenas bem construídas, bem exploradas e verdadeiramente impressionantes, mas peca por não deixar o espectador perceber para onde caminha. O roteiro é confuso como seu tema, sem norte, e deixa a impressão de que foi escrito apenas para deixar Joaquin Phoenix, o protagonista, brilhar. E ele brilha.

O ator está impecável na pele do perturbado Freddie Quell, ex-soldado, veterano da 2ª Guerra Mundial. Sua indicação não é nada menos que merecida. Phoenix corria o risco de parecer caricato na maioria das cenas, mas não chegou sequer perto disso em nenhum momento, mesmo naqueles ataques histéricos e violentos do Quell. Ele está muito crível e sua química com Philip Seymour Hoffman, no papel do manipulador Lancaster Dodd, também impressiona. Hoffman, aliás, também está ótimo, mas quando não? A cena, no entanto, é do Phoenix, sem dúvidas.

Só não entendi a indicação da Amy Adams, que interpreta a mulher do Dodd. Não que ela não esteja bem no papel, porque está (e em nada lembra seus últimos trabalhos: “Na Estrada”, “Os Muppets” e “O Vencedor”). Só não está ótima. E Oscar é lugar de ótimos, penso eu. O personagem dela sequer é complexo (como o filme é). Mas em “O Mestre” eu pouco entendo mesmo…

TheMaster_still_Phoenix.png.CROP.rectangle3-large

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

%d bloggers like this: