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Haters, a nova geração de fãs

Pe Lanza, do Restart, sangrando pós pedrada

Pe Lanza, do Restart, sangrando pós pedrada

O conceito de hater se popularizou de uns tempos para cá – assim mesmo, com a grafia em inglês. Ele é, basicamente, o oposto do fã, porque demonstra a mesma intensidade de sentimentos e dedica tanto ou mais tempo que este ao alvo de sua obsessão, só que de maneira negativa. Sim, o hater não é apenas a pessoa que não gosta do Restart, mas sim aquela que gasta tempo descobrindo tudo sobre a banda para poder odiá-la com embasamento, divulgar montagens no Facebook e disseminar hashtags no Twitter desmoralizando seu alvo. É exatamente como o avesso do fã, porque ama odiar.

Aliás, o Restart não foi citado por acaso. A banda é uma das maiores vítimas dos haters no Brasil. O vocalista Pe Lanza, por exemplo, levou uma pedrada na cabeça durante um show em Rio das Ostras, em janeiro. Resultado: teve que levar dois pontos. Quem também foi vítima de um comportamento grotesco foi a cantora inglesa Cher Lloyd. No último fim de semana, ela teve que interromper um show após jogarem nela uma garrafa cheia de urina. Haters são assim: saem de casa, literalmente, para odiar, em vez de buscar algo do seu agrado para fazer.

Não é a primeira vez, no entanto, que Cher Lloyd sofre com ataques do tipo. Experiente no assunto, ela associa os haters ao bullying – uma consideração que não deve ser descartada sem alguma reflexão. “Recebo pelo menos dez tweets por dia me xingando. Muitas vezes, choro antes de dormir. Torço para que me deixem em paz ou para que apareça um buraco para eu me enfiar”, declarou a cantora em entrevista ao programa Panorama. Outros artistas realmente se enfiam num buraco. A rapper Nicki Minaj e o cantor Zayn Malik, do One Direction, já deletaram suas contas no Twitter para não ter que lidar com as mensagens ofensivas. “Estou cansado da opinião inútil e do ódio que recebo diariamente. Adeus, Twitter”, escreveu o integrante da boyband.

Manifestações brandas dos haters

Manifestações brandas dos haters

Há também os haters por autoafirmação, geralmente fãs de artistas do mesmo segmento. É o que acontece com a rivalidade entre fãs da Ivete Sangalo e da Claudia Leitte ou da Lady Gaga e da Madonna. Como se para ser fã de um fosse necessário ser hater de outro, confirmando aquela questão da linha tênue entre o amor e o ódio.

Isso, de alguma maneira, movimenta o mercado. Sem essa intenção, os haters acabam trabalhando gratuitamente na divulgação do nome dos artistas. Às vezes, mais eficazes do que os fãs que ligam para as rádios pedindo as músicas dos ídolos. “Ganho dinheiro quando escrevem mensagens na minha página. Então, os haters me fazem mais rico. Eu diria a eles: amo vocês. Obrigado por me apoiarem, me odiando”, declarou Justin Bieber à revista Q. Haters, pensem nisso.

Encerramento das Olimpíadas de Londres, com Spice Girls e Queen, louva o passado da música britânica

A cerimônia de encerramento das Olimpíadas de Londres, no domingo (12/8), teve John Lennon no telão, um genérico de holograma do Freddie Mercury, parceria do Queen e da Jessie J, os remanescentes do Take That, rendição do Liam Gallagher ao Oasis, interpretação de George Michael para “Freedom” e, claro, a super reunião das Spice Girls. O show, que tinha tudo para ser interpretado como uma declaração nacional da crise artística contemporânea, agradou e foi o que deveria ser: uma grande festa.

Claro que o evento também contou com atrações da nova geração. Adele, grávida, não apareceu (e acredito que ela dificilmente teria roubado a cena dessa vez, apesar do gogó incrível), mas Ed Sheeran, Emeli Sandé, Tinie Tempah, One Direction e a já citada Jessie J representaram a nova leva. Emeli e Jessie J, aliás, cantaram mais de uma vez. Apesar disso, nenhum desses artistas rendeu tantos comentários quanto os astros do passado.

A performance das Spice Girls, que não se reuniam cenicamente desde a turnê de 2008, e a apresentação dos membros restantes do Queen foram os pontos altos da cerimônia. O mundo – não apenas a plateia do estádio olímpico, mas todos que assistiram pela TV – se rendeu às músicas “Spice Up Your Life” e “We Will Rock You”. O show não foi apenas a celebração da arte britânica, mas também um louvor nostálgico, uma ode ao passado.

Eu, que não vivi os tempos áureos do Queen, mas presenciei o sucesso das Spice Girls, agora tento entender o porquê desse frisson tanto tempo depois. Na minha opinião, o que mobiliza tanta gente em torno de ícones extintos não é apenas a admiração por eles, mas também seu significado. As Spice Girls, o Queen, o Take That e o Oasis representam para cada um de nós, de diferentes maneiras e graus de intensidade, uma época que não volta mais. Revê-los é, na verdade, rever-nos e, com isso, o êxtase é inevitável.

Alerta! Corre! As boybands estão de volta!

Garotinhos bonitinhos e com cara de bumbum de bebê. Coreografias copiáveis. Músicas chicletes. Pôsteres centrais nas revistas adolescentes. Talento questionável. Acredite: as boybands estão de volta ao mainstream norte-americano – e não demorarão a chegar também ao Brasil. Inevitavelmente.

Após os retornos tão frustrados quanto patéticos de grupos como Backstreet Boys, New Kids On the Block e Boyzone (excluo conscientemente daqui o Take That, porque eles são musicalmente mais maduros), a nova geração de boybands atende agora sob os nomes de Big Time Rush, One Direction e The Wanted. A fórmula é a mesma, mas os rostinhos são rejuvenescidos. Vamos por partes.

A Big Time Rush é formada por quatro caras com idades variantes entre 21 e 22 anos. O grupo surgiu em 2009, no programa de TV homônimo, exibido pelo canal Nicklodeon, o que já dá uma dica do que se trata. Atualmente, eles estão lançando o quinto filme e divulgando o segundo CD, que chegou ao topo das listas de Trilhas Sonoras Mais Vendidas e CDs Infantis (!), além da 12ª posição na Billboard 200 na semana do lançamento (70 mil cópias). Para a trilha sonora do filme, eles se aventuraram em regravar clássicos dos Beatles, para pesadelo de muita gente.

Mas a Nicklodeon agora quer investir mais em outro produto, chamado One Direction, que fará o caminho inverso da Big Time Rush: de banda vai virar série. O grupo se formou em 2010 na Inglaterra, já conquistou um Brit Award e vendeu mais de 800 mil cópias na semana do lançamento do CD “Up All Night” no ano passado. O álbum só está sendo lançado nos Estados Unidos agora e, segundo prevê a Billboard, deve chegar ao topo da lista dos mais vendidos da semana – posição até bem pouco tempo dominada pela também britânica Adele.

Se tudo der certo, eles vão abrir caminho para a banda The Wanted, que também vai cruzar o Atlântico para chegar à América. Após emplacar dois discos no TOP 5 do Reino Unido, o quinteto planeja lançar seu primeiro CD nos Estados Unidos no dia 24 de abril. Mas eles já causam burburinho desde já com o anúncio de uma música em parceria com a Rihanna e um cover de “Glad You Came”, um dos seus hits, feito pelo elenco da série “Glee”. Para se ter uma ideia, o single já vendeu mais de 1 milhão de cópias digitais no país. Séries e novelas, alavancando sucessos desde que mundo é mundo. E ainda há quem menospreze esse poder de influência.

Não preciso dizer que as três boybands já originaram diversos produtos licenciados, né? Desde figurinhas caça-níqueis até objetos de mobília. Afinal, elas foram artificialmente formadas para isso. O bom: eles envelhecem e se dissolvem. O ruim: eles retornam barangos anos depois. O engraçado: no desespero, fazem como aquele ex-Five, se inscrevem no “The Voice” e são reprovados por todos os jurados. Você ainda vai rir no futuro. Enquanto isso, aguenta.

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