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Resenha: Lu Andrade – Teatro Rival Petrobras

Fui assistir ao show da cantora Lu Andrade, ex-integrante do grupo pop Rouge, mais por curiosidade. Já havia visto alguns vídeos aleatórios do seu trabalho solo, mas estava a fim de conhecê-lo melhor. Nunca fui grande fã da girlband formada no programa “Popstars”, mas, se eu tinha uma favorita no grupo, era ela.

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Recentemente, o Rouge ensaiou um retorno e gravou músicas novas, mas a mineira não topou participar da reunião, afirmando que preferia se dedicar à sua carreira individual. É aí que Luciana ganha meu respeito: quando opta por algo mais genuíno. Assistindo-a no Teatro Rival Petrobras, aqui no Rio de Janeiro, na sexta (24/5), fica claro que ela não tem mesmo nada a ver com “Ragatanga”. Tocando violão na maioria das músicas, ela apresenta um show com uma pegada parecida com a da Sandy em sua carreira solo. Assim como ela, Lu fez o caminho inverso: de multidões em estádios para públicos pequenos em casas pequenas. Com o Rouge, Luciana se apresentou no Pacaembu para 30 mil pessoas. No Rival, me arrisco a dizer que não havia 100 cabeças. Mas ela não estava nem aí.

Dava para perceber sua realização, cantando músicas de sua autoria e covers dos seus ídolos. Quando as referências aparecem, elas são Rita Lee (“Esse Tal de Rock ‘n Roll”), Elvis Presley (“Suspicious Minds”), Paul McCartney (“Live and Let Die”), Travis (“Sing”) e Sarah McLaughlan (“Não Sei Deixar Você Ir”, versão em português de “Do What You Have To Do”). Os covers da Rita Lee e do Paul McCartney, aliás, são partes muito boas do show.

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Luciana canta bem pra caramba. Não é a toa que venceu outras milhares de candidatas nas seleções para o Rouge. Só que, neste show, achei que faltou carisma. E ela era tão carismática na época do grupo! Ela se esforça, sim, para ser simpática – não é questão de simpatia. Falta algo, e não é nada musical – porque a banda também está impecável (há até uma violinista, que dá um charme especial aos números). É algo nela, que sei que ela é capaz de oferecer, porque era a líder natural do grupo. Acho que, talvez, esteja faltando mais confiança – ou passar confiança para a plateia.

Em uma parte do show, ela disse que “não tem como parar de cantar”. Faz sentido quando você observa a trajetória dela. Ela mudou totalmente o rumo da carreira, mas não abriu mão do seu dom. Entendo que estar no palco, fazendo um trabalho no qual acredita, seja uma realização pessoal. Mas acho que não pode se limitar a isso. Tem que estabelecer uma conexão com o público, fazê-los acreditar naquilo também. Falta cativar, encher o palco com sua presença. Potencial ela tem. Quem sabe na próxima. Tô na torcida.

Vídeos que fiz:

[Dica da semana] The Spice Girls Story: Viva Forever!

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Quem não gostava das Spice Girls? Era difícil não mexer os pezinhos com “Wannabe” – primeiro single do grupo, lançado em 1996. As pessoas podiam não ser fãs, mas se divertiam sem culpa com as músicas nas festas. Ainda hoje, a galera pira e imediatamente sorri quando os hits tocam na balada. É a lembrança de um passado feliz, inocente. Eu mesmo nunca fui fã, mas sempre me diverti com elas.

Trabalho em um site de música pop, o POPLine, e percebo a nostalgia da minha geração, que viveu o auge das Spice nos anos 1990. A garotada mais jovem não consegue entender a força e o significado delas para aquela época, com a atual oferta excessiva de girlbands. É mesmo difícil de explicar. Os tempos são outros. Mas, basicamente, as Spice Girls foram ícones únicos. Ou você queria 1) ser uma delas; 2) namorar uma delas; 3) namorar todas elas; 4) ser uma delas e namorar uma delas ao mesmo tempo. Uau.

Elas eram sinônimos de sucesso e alegria. E entendo totalmente a dificuldade dos mais jovens visualizarem isso, porque o que existe hoje em dia é um quinteto decadente, que vez ou outra faz uma aparição à la festa PLOC. É por isso que só quem tem mais de 18 anos vibrou quando elas se apresentaram no fim das Olimpíadas de Londres, no ano passado. As Spice, mães de família, não se comunicam com a juventude. Elas são para a garotada o que os Menudos foram para a minha geração: cafonas, trash, coisa do passado.

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Talvez isso explique o fracasso do musical “Viva Forever!”, que estreou no ano passado no West End e sairá de cartaz no mês que vem, com um prejuízo de £ 5 milhões. A temporada da peça – inspirada nas músicas do grupo – foi encurtada em oito meses. As criadoras Jennifer Saunders e Judy Craymer (“Mamma Mia!”) tentaram contar uma história contemporânea apoiada na trilha sonora das Spice Girls e o tiro saiu pela culatra. Os “fãs” queriam ver a história da girlband no palco e a peça não é isso. Já os adolescentes atuais – público alvo do projeto – não tem nenhum tipo de vínculo afetivo com aqueles hits do passado. Então, a peça não se comunicou com ninguém genuinamente. Essa é a minha teoria, acompanhando tudo de fora e de longe, sem nunca ter visto o musical.

Por que estou falando isso tudo? Bem, porque assisti ao documentário The Spice Girls Story: Viva Forever!, exibido na TV britânica no último Natal, e decidi compartilhar isso com você. Quem tem da minha idade para cima, vai gostar de ver, porque é como voltar no tempo por uma hora. E, para quem é mais novo, é uma boa oportunidade de conhecer a importância delas para o mundo do entretenimento. Tá aí:

Resenha: The Vaccines – Grand Metrópole

Eu me deparo com o nome de bandas ou artistas novos (para mim ou para o mundo) o tempo todo. Até gostaria de parar para conhecer todos eles, mas o volume de material é tanto que isso se torna impossível. O que acontece é uma seleção natural, baseada em todo tipo de critérios – recomendações, gênero, visibilidade, histórico e até estética (da arte dos álbuns e dos singles, por exemplo). Foi assim que cheguei à banda The Vaccines – que entrou na lista de apostas da BBC para 2011, junto com a Jessie J. Basicamente, conheci a banda antes mesmo do seu álbum de estreia, What Did You Expect From the Vaccines. Fiquei na expectativa pelo CD, ouvindo-o assim que foi lançado.

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Quando eles vieram ao Brasil no ano passado pela primeira vez e fizeram um show no Rio de Janeiro, perdi a apresentação. Mas prometi para mim mesmo que não deixaria isso acontecer quando voltassem. E eles retornaram mesmo – só que apenas a São Paulo. Mais uma vez, eu não os assistiria. Eu gosto muito dos Vaccines, mas não ao ponto de viajar para vê-los. Bem, em termos. Por coincidência, estive na cidade no sábado (18/5), justamente na noite do show. E, dessa vez, não perdi. Senão seria um mané.

A banda se apresentou com a turnê do álbum Come of Age em uma casa chamada Grand Metrópole, que é um lugar muito bonito no bairro da República. Como não conhecia o local, imaginei que fosse bem pequeno (afinal, estamos falando de uma banda de rock indie, com apenas dois álbuns lançados), mas era até grande. E estava cheio! Ao contrário dessa galera alternativa, eu fico feliz quando vejo que os artistas que aprecio conseguem encher os lugares por onde passam. Se o sucesso é merecido, por que desmerecê-lo?

Eram pessoas tão diferentes umas das outras, de indies a mauricinhos, e todas curtindo a banda. Lembro que vi até um senhorzinho (sozinho!). Isso é ótimo, porque os Vaccines são muito bons mesmo! Nas três primeiras músicas – “No Hope”, “Wreckin’ bar (r ara ra)” e “Ghost Town” – já deu para sentir a energia dos caras e da plateia.

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Não tenho músicas preferidas, ainda, mas me diverti tanto quando tocaram “All in White”, “If You Wanna” e “Teenage Icon”. Essas fizeram minha cabeça ao vivo. A galera também pirava, com palmas ritmadas, saltos e gritos. O baterista Pete Robertson – por quem posso ter me apaixonado :P – também incentivava esse tipo de manifestação, puxando os fãs. Ele é muito entertainer, apesar de estar no fundo do palco.

Conclusão: saí do show muito mais fã. É o que acontece quando um show é bom, né? O álbum te faz querer ouvir os caras ao vivo, e assisti-los te faz querer escutar os CDs com mais atenção e interesse. Comigo é assim, mas só quando vale a pena.

“Sim”: Sandy promete álbum mais alto astral e positivo depois de fase melancólica

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A cantora Sandy direcionou sua carreira para o que chama de “pop alternativo”, mas seu nome ainda é totalmente mainstream. Depois de vender milhões de CDs com o irmão Junior Lima, é natural que o mercado aguarde com expectativa seus novos álbuns. Com “Sim”, previsto para chegar às lojas em 11 de junho, não é diferente. Em entrevista coletiva neste fim de semana, a artista contou detalhes do que está por vir no seu segundo disco solo, que, como o título indica, promete ser mais positivo.

- Estou segura da minha carreira. Já caminhei um pouco na minha trajetória e descobri quem eu sou agora como artista solo. É uma fase mais madura e muito positiva, muito feliz, e isso acaba sendo estampado e representado nas músicas também. – diz a cantora, que já iniciou a turnê nova e fez um show com ingressos esgotados no HSBC Brasil, em São Paulo, na sexta (17/5).

Realizada, ela não esconde: “Sim” mostrará seu lado mais alto astral, diferentemente do melancólico e introspectivo “Manuscrito”, seu primeiro CD sem o irmão, lançado em 2010. As primeiras músicas divulgadas – como “Aquela dos 30”, “Escolho Você” e a própria “Sim” – apontam novas temáticas em suas composições. “Eu acho que o nome ‘Sim’ diz muita coisa e não precisa dizer mais nada. É curto, mas é forte. Representa muito esse momento atual meu, muito alto astral, muito pra fora, muito pra cima”.

A mudança nas letras das músicas não foi forçada e se deve justamente ao seu amadurecimento natural. Depois de 17 anos de uma carreira bem sucedida em dupla, “Manuscrito” era – não há como negar – um tiro no escuro. Para completar, na mesma época, Sandy também havia se casado e terminado a faculdade de Letras. Ou seja, muitas transformações em sua vida.

- O “Manuscrito” veio numa fase em que eu estava realmente olhando pra dentro, descobrindo quem eu era como cantora, como pessoa. – analisa a artista, que até gravou um single chamado “Quem Eu Sou”. – Por isso o disco é um pouco mais introspectivo. Eu estava numa busca que, claro, é eterna, é constante, mas agora eu estou sabendo mais onde estou, com os pés mais firmes no chão.

Segura de si e do seu trabalho, ela convocou um time de profissionais britânicos para desenvolver o álbum novo. A inspiração no pop inglês, aliás, é uma constante. Segundo o baterista Adelino Costa, o responsável pela masterização do álbum é o mesmo que cuidou dos CDs da Adele. O engenheiro de som Jason Tarver, de “Manuscrito”, também está de volta.

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- É uma produção gringa mesmo e isso reflete no disco. É bem diferente das produções nacionais. Tem um cuidado inglês. São bastantes detalhes, o que combina com o estilo de composição minucioso dela. Isso acaba cativando novos fãs, que chegam pelo som e não pelo que a Sandy representa e pela artista que ela já é. – contou durante a coletiva para o show de Uberlândia, marcado para 8 de junho.

Aos fãs fiéis, Sandy acredita que também está agradando. As músicas previamente divulgadas – no EP “Princípios, Meios e Fins” e nos shows deste ano – lhe deram um feedback positivo. “Eles estão me dando uma recepção muito calorosa. Estão numa expectativa muito grande pelo disco. Espero que possa corresponder às expectativas”, conclui a cantora, que também estreará no cinema indie neste ano. Mas isso é assunto para outra hora.

Por Leonardo Torres
Postado no Portal POPLine
http://portalpopline.com.br/sim-sandy-promete-album-mais-alto-astral-e-positivo-depois-de-fase-melancolica/

[Dica da semana] Peça desculpas

Não gosto de quem fala que não se arrepende de nada do que fez, só do que não fez. O passar dos anos e nosso amadurecimento (mínimo, que seja) também serve para que olhemos nossos atos anteriores de outra maneira. Quem nunca pensou “e se eu tivesse agido diferente?” é porque não percebe que também falha. O tempo todo.

Eu, por exemplo, sempre quero fazer tudo certinho, mas erro pra caramba. Erro tentando acertar. Erro sem dar importância. Erro sem me dar conta. Erro achando que acerto. Erro disfarçadamente. Erro por implicância. Erro por raiva. Erro por amor. Erro por birra. E tenho esse direito, se erro para aprender. O chato é quando erro com os outros, o que, por mais que não queira, também acontece.

É quando repenso meus atos que percebo a maioria dos erros que cometi com os que me cercam. Não sou mais o mesmo de há cinco, dez anos. A essência se mantém, mas definitivamente há várias discordâncias entre o passado e o presente, o que me permite perceber como me comportei mal em diversas situações.

E se errei (erramos), por que não corrigir isso? Nunca é tarde demais. É melhor fazer um acerto depois de 50 anos do que deixar um erro para a eternidade. Porque erro é assim: a gente morre, mas ele permanece na Terra, repercutindo. Por isso, é do meu feitio reaparecer na vida de pessoas que talvez nem se lembrem mais de mim para pedir desculpa. A maioria acaba desculpando, porque a mágoa já passou, e a experiência se torna boa para ambas as partes. Vale a pena tentar. Corrija um erro e peça desculpa para alguém que não se lembra mais do seu erro (mas se lembrar, melhor ainda! Fica mais genuíno). Errar de verdade é não tentar corrigir.

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