Resenha: Paraísos Artificiais

Sexo, drogas e música eletrônica é um bom resumo para o filme “Paraísos Artificiais”, do diretor Marcos Prado, mais conhecido por sua faceta de produtor, com os dois “Tropa de Elite” no currículo. O longa funciona como uma releitura contemporânea das famosas pornochanchadas, lançada em um contexto menos casto e com uma estética mais aprimorada. O apelo para o público jovem é grande, embora a divulgação não explore bem isso. “Uma história de amor e êxtase” é um slogan fraco e quase enganoso.

A trama acompanha os encontros e desencontros de uma DJ (Nathalia Dill) e um novato no tráfico de drogas internacional (Luca Bianchi) a partir de uma balada em Amsterdã. Logo na primeira cena, o roteiro entrega que o protagonista será preso e, pouco depois, que os dois já haviam se conhecido 2 anos antes em uma rave no nordeste brasileiro (assim, vago, “nordeste”). A narrativa vai e volta no tempo sem qualquer tipo de aviso e, no início, isso me deixou um pouco confuso. Mas depois o texto engatou bem. A estratégia de revelar todos os mistérios do filme logo no início da história é eficiente, porque desvia a nossa atenção de um segredo maior – mas que depois fica previsível e bobo.

Os pontos altos do filme são a fotografia, a direção de arte e sua capacidade de traduzir sensorialmente os efeitos das drogas (respiração ofegante, imagens pouco nítidas, slow motion, aceleração, coloração). O assunto é tratado com muita naturalidade, mostrando as sensações e as consequências que as substâncias ilegais podem causar. O mais próximo de um discurso careta é uma fala de Roney Villela: “As pessoas chegam às drogas porque querem. A questão é se elas querem o que é melhor para elas”.

Não faltam cenas de nudez das atrizes Nathalia Dill e Lívia de Bueno (linda!), que protagonizam cenas de sexo lésbico – o que pode atrair parcela do público através do boca-a-boca. Mas nada choca, e não acredito que essa fosse a intenção. “Paraísos Artificiais” retrata um recorte da realidade com primor pela maior parte do tempo, mas se perde no final, depois que o terceiro mistério fica claro e a trama tenta explorar os dramas familiares do protagonista. Aí o filme se perde e se arrasta para um fim tardio.

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